Vogais e consoantes de ligação: o que são e como identificar (com exemplos)

Luzia Julidori
Luzia Julidori
Professora de Língua Portuguesa

Vogais e consoantes de ligação são elementos que surgem entre as partes de uma palavra apenas para facilitar sua pronúncia, deixando o som mais fluido. Diferente de prefixos, sufixos e desinências, eles não acrescentam nenhum significado à palavra — sua única função é sonora, não gramatical.

Observe: café + t + eira = cafeteira

Na formação de cafeteira, a consoante t estabelece a ligação entre a base café e o sufixo -eira. Por isso, é tradicionalmente classificada como consoante de ligação.

Outro exemplo é: gás + o + metro = gasômetro

Nesse caso, o é tradicionalmente analisado como uma vogal de ligação.

Neste conteúdo, você encontra:

O que são vogais e consoantes de ligação?

Vogais e consoantes de ligação são segmentos que aparecem entre os elementos formadores de determinadas palavras. Sua presença está relacionada à organização sonora da palavra, sem acrescentar significado lexical ou gramatical.

Veja:

chá + l + eira = chaleira

Em chaleira, temos:

  • chá = base;
  • l = consoante de ligação;
  • -eira = sufixo.

A consoante l não acrescenta uma nova ideia à palavra. Ela aparece na formação de chaleira como elemento de ligação entre seus componentes.

Esses elementos são também tradicionalmente relacionados à eufonia, isto é, à melhor articulação sonora das palavras.

Importante: vogais e consoantes de ligação não devem ser identificadas apenas pela posição que ocupam. Para reconhecê-las, é necessário analisar como a palavra é formada.

Vogais de ligação

As vogais de ligação são vogais que aparecem entre elementos formadores de certas palavras sem apresentar significado próprio.

Observe:

cacau + i + cultor = cacauicultor

Na análise tradicional de cacauicultor, a vogal i aparece entre os elementos cacau e cultor e funciona como vogal de ligação.

Outros exemplos tradicionalmente apresentados são:

Palavra

Estrutura

Vogal de ligação

maresia

mar + e + sia

e

inseticida

inset + i + cida

i

Assim, a vogal de ligação participa da estrutura sonora da palavra, mas não funciona como prefixo, sufixo ou desinência.

Consoantes de ligação

As consoantes de ligação são consoantes que aparecem entre elementos formadores de determinadas palavras, sem apresentar significado próprio.

Observe:

pé + z + inho = pezinho

O z presente em pezinho é tradicionalmente classificado como consoante de ligação.

Veja outro exemplo:

pau + l + ada = paulada

Nesse caso, o l funciona como consoante de ligação.

Palavra

Estrutura

Consoante de ligação

pezinho

pé + z + inho

z

paulada

pau + l + ada

l

Em ambos os casos, as consoantes destacadas não carregam significado próprio.

Como identificar vogais e consoantes de ligação?

Para reconhecer uma vogal ou uma consoante de ligação, é preciso observar a formação da palavra.

Um procedimento útil é identificar primeiro a base e os demais elementos que participam dessa formação. Depois, verifica-se se há entre eles uma vogal ou consoante que não apresenta significado próprio.

Observe novamente:

café + t + eira → cafeteira

A base é café, e -eira é o sufixo. A consoante t, presente entre esses elementos, não funciona como sufixo nem acrescenta significado à palavra. Ela é analisada como consoante de ligação.

Portanto, não basta encontrar uma vogal ou uma consoante entre partes de uma palavra para classificá-la como elemento de ligação. É necessário considerar a estrutura e o processo de formação da palavra.

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Vogal de ligação e vogal temática: qual é a diferença?

Vogal de ligação e vogal temática não são a mesma coisa.

A vogal de ligação aparece em determinadas formações sem apresentar significado próprio e está relacionada à organização sonora da palavra.

A vogal temática, por sua vez, junta-se ao radical para formar o tema. Nos verbos, também permite reconhecer a conjugação verbal.

Observe:

cant-a-r

  • cant- = radical;
  • -a- = vogal temática;
  • -r = desinência do infinitivo.

O a de cantar, portanto, não é uma vogal de ligação. É a vogal temática característica dos verbos da 1.ª conjugação.

Compare:

Vogal de ligação

Vogal temática

Aparece como elemento de ligação em determinadas formações.

Junta-se ao radical para formar o tema.

Não é marca de conjugação verbal.

Nos verbos, relaciona-se à conjugação.

Ex.: gasômetro

Ex.: cantar

Resumo

VOGAL E CONSOANTE DE LIGAÇÃO 1
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Exercícios de vogais e consoantes de ligação

1. Observe a tirinha.

Na palavra cafeicultura, presente na tirinha, a vogal i aparece na formação da palavra.

Considerando a estrutura dessa palavra, a vogal i é classificada como:

tirinha com exemplo de palavra com vogal de ligação

a) vogal temática, pois indica a conjugação da palavra.

b) desinência, pois expressa uma informação gramatical.

c) vogal de ligação, pois estabelece a ligação entre elementos formadores da palavra sem apresentar significado próprio.

d) sufixo, pois é responsável pela formação de uma nova palavra.

e) radical, pois contém o significado básico relacionado ao cultivo do café.

Gabarito explicado

Gabarito: C.

Comentário: Na análise morfológica tradicional, em cafeicultura, a vogal i funciona como vogal de ligação. Ela aparece entre os elementos que participam da formação da palavra, sem possuir significado próprio. Por isso, a alternativa C está correta.

2. Assinale a alternativa em que o elemento destacado funciona como consoante de ligação.

a) infeliz — in-

b) cafeteira — t

c) cantar — a

d) felizmente -mente

e) alunaa

Gabarito explicado

Gabarito: B.

Comentário: Em cafeteira, o t é tradicionalmente classificado como consoante de ligação, pois aparece entre a base café e o sufixo -eira, sem apresentar significado próprio.

Nas demais alternativas, os elementos destacados exercem outras funções morfológicas:

  • in- é prefixo;
  • a, em cantar, é vogal temática;
  • -mente é sufixo;
  • e a, em aluna, é desinência de gênero na análise gramatical escolar tradicional.

3. Observe a estrutura das palavras INSETICIDA e PEZINHO.

Na análise morfológica tradicional, os elementos destacados em inseticida e pezinho desempenham funções semelhantes na formação das palavras.

Assinale a alternativa que apresenta a classificação correta desses elementos.

a) O i de inseticida é vogal temática, e o z de pezinho é desinência.

b) O i de inseticida é vogal de ligação, e o z de pezinho é consoante de ligação.

c) O i de inseticida e o z de pezinho são sufixos, pois participam da formação de novas palavras.

d) O i de inseticida e o z de pezinho pertencem aos radicais das respectivas palavras.

e) O i de inseticida é desinência, e o z de pezinho é prefixo.

Gabarito explicado

Gabarito: B.

Comentário: Na análise tradicional, em inseticida, o i é classificado como vogal de ligação; em pezinho, o z é classificado como consoante de ligação. Esses elementos aparecem na formação das palavras sem apresentar significado próprio. Portanto, a alternativa B está correta.

4. Observe a formação das palavras alvinegro e paulada.

Considere os elementos destacados em alvinegro e paulada e analise as afirmações.

I. Em alvinegro, o i funciona como vogal de ligação e não apresenta significado próprio.

II. Em paulada, o l funciona como consoante de ligação entre a base pau e o sufixo -ada.

III. Os elementos i e l são afixos, pois acrescentam novos significados às bases das palavras.

Está correto o que se afirma em:

a) I, apenas

b) II, apenas.

c) I e II, apenas.

d) II e III, apenas.

e) I, II e III.

Gabarito explicado

Gabarito: C.

Comentário: As afirmações I e II estão corretas. Na análise morfológica tradicional, o i, em alvinegro, é classificado como vogal de ligação, e o l, em paulada, como consoante de ligação. Esses elementos participam da formação das palavras, mas não apresentam significado próprio.

A afirmação III está incorreta porque vogais e consoantes de ligação não são afixos e não acrescentam significado às bases.

Saiba mais sobre a estrutura das palavras.

Referências Bibliográficas

ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS. Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP). Rio de Janeiro: Academia Brasileira de Letras.

AZEREDO, José Carlos de. Gramática Houaiss da língua portuguesa. São Paulo: Parábola Editorial, 2021.

BECHARA, Evanildo. Moderna gramática portuguesa. 39. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2019.

CUNHA, Celso; CINTRA, Luís F. Lindley. Nova gramática do português contemporâneo. 7. ed. Rio de Janeiro: Lexikon, 2017.

Luzia Julidori
Luzia Julidori
Professora de Língua Portuguesa e Literatura, licenciada em Letras, pós-graduada em Gestão Educacional e mestranda em Educação pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP). Atua há mais de 20 anos na Educação Básica, com experiência no ensino de Língua Portuguesa, Literatura e produção textual.

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