A Linguagem do Pré-Modernismo

Daniela Diana

A linguagem do pré-modernismo é coloquial, simples, híbrida, libertária, social, crítica, regionalista, histórica, política e marginal.

Contexto Histórico

O pré-modernismo no Brasil foi um período de transição entre o simbolismo e o modernismo que tem início no começo no século XX.

Nesse sentido não é considerada pelos estudiosos como uma escola literária, no entanto, o momento apresenta algumas características singulares. O pré-modernismo termina em 1922, quando começa o Modernismo com a “Semana de Arte Moderna”.

No Brasil, o momento é de reforma, com a Belle Époque (influência francesa) e ainda, de agitação política com o desenvolvimento de diversas revoltas (guerra de canudos, a política do café com leite, revolta da chibata, dentre outros) que mudaram significativamente o cenário brasileiro. Na Europa, ocorria a Primeira Guerra Mundial (1914-1918).

Escritores e Obras

Os escritores e as obras mais significativas desse período são:

Características do Pré-Modernismo

  • Oposição ao parnasianismo
  • Rompimento com o academicismo
  • Linguagem simples e coloquial (informal)
  • Descrição de paisagens e personagens
  • Temática cotidiana, histórica, social
  • Personagens marginais e estereotipadas
  • Linguagem regionalista
  • Literatura nacionalista

Saiba mais Pré-Modernismo.

Exemplo

Para compreender melhor a linguagem do pré-modernismo, segue abaixo um exemplo:

Trecho da Obra “Os Sertões” de Euclides da Cunha

“Por que não pregar contra a República?
Pregava contra a República; é certo.
O antagonismo era inevitável. Era um derivativo à exacerbação mística; uma variante forçada ao delírio religioso.
Mas não traduzia o mais pálido intuito político: o jagunço é tão inapto para apreender a forma republicana como a monárquico-constitucional.
Ambas lhe são abstrações inacessíveis. É espontaneamente adversário de ambas. Está na fase evolutiva em que só é conceptível o império de um chefe sacerdotal ou guerreiro.
Insistamos sobre esta verdade: a guerra de Canudos foi um refluxo em nossa história. Tivemos, inopinadamente, ressurrecta e em armas em nossa frente, uma sociedade velha, uma sociedade morta, galvanizada por um doudo. Não a conhecemos. Não podíamos conhecê-la.”

Daniela Diana
Daniela Diana
Licenciada em Letras pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) em 2008 e Bacharelada em Produção Cultural pela Universidade Federal Fluminense (UFF) em 2014. Amante das letras, artes e culturas, desde 2012 trabalha com produção e gestão de conteúdos on-line.