Acento grave: o que é e quando usar (com exercícios)

Luzia Julidori
Luzia Julidori
Professora de Língua Portuguesa

O acento grave (`) é um sinal gráfico utilizado, na língua portuguesa, principalmente para indicar a ocorrência da crase, representada nas formas à e às.

A crase ocorre, em muitos casos, quando há a junção da preposição a com o artigo definido feminino a ou as.

Observe: Vou à escola.

Nessa frase, o verbo ir exige a preposição a, e o substantivo feminino escola admite o artigo a.

Vou a + a escola. = Vou à escola. A junção dos dois a constitui a crase, que é indicada na escrita pelo acento grave.

Outro exemplo:

Entreguei os livros às alunas.

Nesse caso: a + as = às. Portanto, o acento grave não deve ser empregado simplesmente porque a palavra seguinte é feminina. É necessário verificar se a construção apresenta as condições para a ocorrência da crase.

Neste conteúdo você encontra:

O que é acento grave?

O acento grave é o sinal gráfico (`) que aparece, no português atual, principalmente sobre a vogal a, formando à ou às.

Exemplos:

  • Cheguei à escola cedo.
  • A reunião começará às oito horas.
  • Refiro-me àquela professora.

Nos exemplos, o acento grave sinaliza graficamente a ocorrência de crase.

Atenção: o acento grave não indica a sílaba tônica da palavra. Sua função, nesses casos, é indicar graficamente a crase. Compare:

Vou a pé. (não há crase nem acento grave)

Vou à escola. (há crase, indicada pelo acento grave)

Qual é a diferença entre acento grave e crase?

Embora os termos sejam frequentemente usados como sinônimos, acento grave e crase não são a mesma coisa.

A crase é um fenômeno linguístico que envolve a fusão de duas vogais idênticas. Em construções como à escola, ocorre a junção da preposição a com o artigo feminino a.

O acento grave, por sua vez, é o sinal gráfico utilizado para indicar essa ocorrência na escrita.

Observe: A aluna foi à biblioteca.

Podemos analisar:

foi a - o verbo ir exige a preposição a;

a biblioteca - o substantivo biblioteca admite o artigo feminino a.

Assim: a + a = à

Para não confundir: uma maneira prática de compreender a diferença é lembrar: não “colocamos crase” em uma palavra. Identificamos a ocorrência da crase e, quando previsto pela norma, empregamos o acento grave para representá-la na escrita.

Resumo

Resumo explicando acento grave.
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Exercícios sobre acento grave

1. Assinale a alternativa em que o acento grave foi empregado corretamente.

a) O estudante começou à revisar o conteúdo antes da prova.

b) Os alunos fizeram o exercício à lápis.

c) A professora entregou os livros à diretora.

d) Os colegas ficaram frente à frente durante a atividade.

e) O aluno respondeu à todas as perguntas.

Gabarito explicado

Gabarito: C.

Comentário:
Na alternativa C, o verbo entregar admite a preposição a, e o substantivo feminino diretora admite o artigo a. O encontro a + a produz a crase, indicada pelo acento grave: à diretora.

Nas demais alternativas, não ocorre crase:

  • não se emprega acento grave antes de verbo (a revisar),
  • antes de palavra masculina (a lápis),
  • entre palavras repetidas (frente a frente)
  • nem antes do pronome indefinido todas nesse contexto (a todas).

2. Observe as frases:

I. A reunião começará às oito horas.
II. Os estudantes chegaram à tarde.
III. O professor começou à explicar o conteúdo.

O acento grave está empregado corretamente em:

a) I, apenas.

b) II, apenas

c) I e II, apenas.

d) II e III, apenas.

e) I, II e III.

Gabarito explicado

Gabarito: C.

Comentário:
O acento grave está correto em “às oito horas”, pois ocorre crase na indicação de hora determinada, e em “à tarde”, uma locução adverbial feminina.

Em III, o acento está incorreto, pois não ocorre crase antes de verbo: o correto é começou a explicar.

3. Uma maneira de verificar a ocorrência da crase diante de determinadas palavras femininas é substituir essa palavra por uma masculina.

Observe:

A aluna foi à biblioteca.
A aluna foi ao laboratório.

A substituição ajuda a confirmar o uso do acento grave porque:

a) toda palavra feminina deve ser antecedida de à.

b) a presença de ao diante do termo masculino indica a combinação da preposição a com o artigo o, correspondendo a à diante do feminino.

c) o acento grave é obrigatório sempre que um substantivo feminino puder ser substituído por um masculino.

d) os verbos ir e chegar exigem que todas as palavras posteriores recebam acento grave.

e) o acento grave indica que biblioteca e laboratório desempenham a mesma função morfológica.

Gabarito explicado

Gabarito: B.

Comentário:
A substituição evidencia a presença da preposição a e do artigo. Em “ao laboratório”, temos a + o = ao. Diante do substantivo feminino, a estrutura correspondente é a + a = à: foi à biblioteca. Esse teste ajuda a identificar a ocorrência da crase, mas deve ser utilizado considerando também a regência e a possibilidade de emprego do artigo.

4. Observe a propaganda.

anúncio de volta às aulas

No anúncio, o acento grave aparece nas expressões “volta às aulas” e “das 9h às 18h”.

Assinale a alternativa que explica corretamente esses dois empregos.

a) Nos dois casos, o acento grave é empregado porque as palavras que aparecem depois de às são femininas.

b) Em “às aulas”, ocorre a combinação da preposição a com o artigo as; em “às 18h”, o acento grave é empregado na indicação de hora determinada.

c) Apenas em “às aulas” o acento grave está correto, pois não se emprega crase antes de numerais.

d) Apenas em “às 18h” o acento grave está correto, pois palavras femininas no plural não admitem crase.

e) Nos dois casos, o emprego do acento grave é facultativo.

Gabarito explicado

Gabarito: B.

Comentário: Em “volta às aulas”, ocorre a combinação da preposição a, exigida pela construção volta a, com o artigo definido feminino plural as: a + as = às. Em “às 18h”, o acento grave é empregado porque há indicação de hora determinada. Portanto, os dois empregos estão corretos.

Veja também: Crase: quando usar (com exemplos)

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Referências Bibliográficas

ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS. Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP). Rio de Janeiro: Academia Brasileira de Letras. Disponível em: VOLP — Academia Brasileira de Letras. Acesso em: 1 set. 2026.

BECHARA, Evanildo. Moderna gramática portuguesa. 39. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2019.

BRASIL. Decreto nº 6.583, de 29 de setembro de 2008. Promulga o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, assinado em Lisboa, em 16 de dezembro de 1990. Brasília, DF: Presidência da República, 2008. Disponível em: Decreto nº 6.583/2008 — Presidência da República. Acesso em: 1 set. 2026.

CUNHA, Celso; CINTRA, Luís F. Lindley. Nova gramática do português contemporâneo. 7. ed. Rio de Janeiro: Lexikon, 2017.

Luzia Julidori
Luzia Julidori
Professora de Língua Portuguesa e Literatura, licenciada em Letras, pós-graduada em Gestão Educacional e mestranda em Educação pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP). Atua há mais de 20 anos na Educação Básica, com experiência no ensino de Língua Portuguesa, Literatura e produção textual.

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