Adjunto adnominal e complemento nominal: qual a diferença?

Carla Muniz
Escrito por Carla Muniz
Professora licenciada em Letras

O adjunto adnominal e o complemento nominal são dois conceitos que costumam confundir muitos estudantes. Para diferenciá-los, basta observar as particularidades de cada um:

Adjunto adnominal Complemento nominal
É um termo acessório da oração, logo, é dispensável. É um termo integrante da oração, logo, é indispensável.
Tem a função de caracterizar, determinar, explicar, modificar ou restringir. Tem a função de completar um sentido.
Ocorre sob a forma de artigo, adjetivo, numeral, pronome ou locução adjetiva. Ocorre sob a forma de substantivos, pronomes, numerais e orações subordinadas substantivas completivas nominais.
Regra geral, não é acompanhado por preposição. É sempre acompanhado de preposições.
Tem impacto direto em substantivos (concretos ou abstratos). Tem impacto direto em substantivos abstratos, adjetivos e advérbios.
Tem função de agente; executa a ação. Tem função de paciente; sofre a ação.

Preparamos uma seleção com 6 exercícios de concurso e vamos ajudar você a distinguir um adjunto adnominal de um complemento nominal através dos gabaritos comentados por nossos professores especialistas.

Questão 1

(TRE-PA/2011) - adaptada

Partidos são fundamentais para a consolidação da democracia e o permanente desenvolvimento da cidadania e devem existir – de verdade – em bases cotidianas. (L.56-59)

Os termos destacados no período acima classificam-se, respectivamente, como

a) adjunto adnominal e adjunto adnominal.
b) complemento nominal e complemento nominal.
c) adjunto adnominal e complemento nominal.
d) complemento nominal e adjunto adnominal.
e) objeto indireto e objeto indireto.

Alternativa correta: b) complemento nominal e complemento nominal.

Observe que, em ambos os casos, os termos sublinhados apresentam uma função passiva, ou seja, sofrem as ações.

Em “da democracia”, “democracia” sofre a ação de ser consolidada. Já em “da cidadania”, “cidadania” sofre a ação de ser desenvolvida. Um adjunto adnominal teria função ativa.

Outro fator que indica que os termos sublinhados são complementos nominais é o fato de ambos complementarem o sentido das palavras que sucedem. Observe que, sem eles, a frase não teria muito sentido:

"Partidos são fundamentais para a consolidação e o permanente desenvolvimento."

Ao lermos a frase acima, provavelmente nos perguntaríamos: consolidação de que? desenvolvimento de que? Essas questões são respondidas pelo complemento nominal.

Com isso, podemos concluir também, que “da democracia” e “da cidadania” são indispensáveis para a compreensão do sentido. Ambos são termos integrantes da oração e, logo, são complementos nominais.

Os adjuntos adnominais têm função ativa. Além disso, eles constituem termos acessórios da oração, ou seja, são dispensáveis.

Questão 2

(FUNCAB/2013) - adaptada

A função sintática do segmento destacado em “O combate À VIOLÊNCIA é uma necessidade geral [...]” encontra correta classificação na alternativa:

a) objeto direto.
b) objeto indireto.
c) complemento nominal.
d) adjunto adnominal.
e) aposto.

Alternativa correta: c) complemento nominal.

Na frase acima, alguns fatos são indicativos de que o segmento destacado é um complemento nominal.

  • A palavra “violência” tem função passiva na frase. Ela sofre a ação de ser combatida. A função de um adjunto adnominal é sempre ativa.
  • O uso de “à violência” se faz necessário para que o sentido da frase seja compreensível. Se lêssemos “O combate é uma necessidade geral [...]”, provavelmente nos perguntaríamos “Que combate?”. Isso mostra que o segmento em destaque é um termo integrante da oração. Os adjuntos adnominais, por sua vez, são termos acessórios, ou seja, são dispensáveis em uma frase.

Questão 3

FGV/2013)

Os sebos

Outro dia resolvi peregrinar por alguns sebos do Centro da cidade. Há quanto tempo! O hábito de frequentar sebos remonta à minha juventude, quando ingressei na universidade. O Jornal do Commercio publicava, aos domingos, em pequenos anúncios, relações de livros e revistas, que tinham sido adquiridos por eles. Segunda‐feira, às sete da manhã, eis‐me em frente à loja do sebo que me interessava. A casa, daquelas bem antigas, só abria às oito, mas, uma hora antes, se formava, na calçada, uma pequena fila de bibliófilos. Abria muito cedo sim, porque o dono sabia da ansiedade daqueles madrugadores. Situava‐se numa daquelas ruas próximas à Praça Tiradentes. Se eu chegasse em segundo lugar, corria o risco sério de o primeiro da fila querer exatamente a obra que eu tanto sonhava ter em minha biblioteca, que acolhia os primeiros livros. Frustração, por que passei algumas vezes, horrível. Um dia de lamentações pela perda. Já era quase minha, afinal! A aflição em querer adivinhar qual obra interessava ao meu possível concorrente era muito forte. Que vontade de perguntar logo que ele declinasse o nome do autor cobiçado. Era um jovem, e meus companheiros de expectativa, bem mais velhos. A época, outra, também impunha respeito aos mais velhos. Muitos livros importantes, para aquele tempo, foram sendo adquiridos assim pelo estudante de Letras.

(Carlos Eduardo Falcão Uchoa)

Uma das maneiras de mostrar‐se a diferença entre o adjunto adnominal e o complemento nominal é a comparação entre a função de agente (adjunto adnominal) e a de paciente (complemento nominal). Essa estratégia pode ser empregada no seguinte caso:

a) “...alguns sebos do Centro da cidade”.
b) “...uma pequena fila de bibliófilos”.
c) “...relações de livros e revistas...”.
d) “...meus companheiros de expectativa...”
e) “...eis‐me em frente à loja do sebo que me interessava”.

Alternativa correta: c) “...relações de livros e revistas...”.

a) ERRADA. “Sebo” é um substantivo concreto.

b) ERRADA. “Fila” é um substantivo concreto.

c) CORRETA. A comparação entre a função de agente e a função de paciente é usada para diferenciar o "adjunto adnominal" do "complemento nominal" quando há um substantivo abstrato precedendo o termo a ser analisado. Na alternativa c), esse substantivo abstrato é representado pela palavra “relações”.

Uma dica para identificar a resposta correta é fazer a conversão da frase para a voz passiva: "Livros e revistas são relacionados."

Observe que “livros e revistas” sofrem a ação: são relacionados, ou seja, são pacientes.

d) ERRADA. “Companheiros” é um substantivo concreto.

e) ERRADA. “Loja” é um substantivo concreto.

Questão 4

(Idecan/2013) - adaptada

Observe o trecho "Máquinas fotográficas eram artigos de luxo." Assinale a alternativa na qual o trecho em destaque tem classificação sintática igual a do item sublinhado no período anterior.

a) Ela comprou um celular.
b) Ela não se lembra de seu passado.
c) Os dados foram divulgados em setembro.
d) A máquina com defeito foi trocada na loja.
e) Atualmente, as possibilidades de registro são maiores.

Alternativa correta: d) A máquina com defeito foi trocada na loja.

a) ERRADA. “um celular” é objeto direto.

b) ERRADA. “de seu passado” é objeto indireto.

c) ERRADA. “em setembro” é adjunto adverbial de tempo.

d) CORRETA. No trecho disponibilizado, “de luxo” caracteriza; explica; determina os tipos de artigos. Isso é indicativo de adjunto adnominal. Das alternativas dadas, observe que “com defeito” também tem a função de caracterizar. Uma coisa “com defeito” é algo “defeituoso” (adjetivo).

e) ERRADA. “de registro” é complemento nominal. Observe que a sua função é paciente, ou seja, ele sofre a ação; pode-se compreender que o registro sofreu a ação de ser possibilitado por alguém.

Questão 5

(IABAS/2016) O termo destacado em "Depois, um silêncio cheio DE LEMBRANÇAS instalou-se entre nós." exerce, no contexto, a função sintática de:

a) objeto direto.
b) predicativo do objeto.
c) adjunto adnominal.
d) objeto indireto.
e) complemento nominal.

Alternativa correta: e) complemento nominal.

Observe que se a frase fosse “Depois, um silêncio cheio instalou-se entre nós.", provavelmente não entenderíamos o seu sentido. Um silêncio cheio de que coisa?

O complemento nominal tem a função de complementar o sentido de uma frase. Ele é um termo integrante da oração, ou seja, é indispensável. Sem ele, o sentido se perde.

O adjunto adnominal, por sua vez, é dispensável. Ele tem o papel de caracterizar um substantivo, no entanto, a sua ausência não compromete a compreensão da frase.

Questão 6

(TJ-SP/2017) Na Nova Gramática do Português Contemporâneo , os autores Celso Cunha e Lindley Cintra explicam que o adjunto adnominal “é o termo de valor adjetivo que serve para especificar ou delimitar o significado de um substantivo, qualquer que seja a função deste.” Tal definição está corretamente exemplificada com a expressão destacada em:

a) Um ano depois do casamento, Fadinha estava outra vez bonita…
b) O caso é que ambos foram muito felizes. Ainda vivem.
c) ... absolutamente nada da beleza célebre de outrora.
d) ... com todo o corpo cruelmente invadido pela medonha erupção
e) ... depois de ter estado suspensa entre a vida e a morte.

Alternativa correta: c) ... absolutamente nada da beleza célebre de outrora.

a) ERRADA. “outra vez” é adjunto adverbial de tempo.

b) ERRADA. “muito” é adjunto adverbial de intensidade e “felizes” é predicativo do sujeito.

c) CORRETA. “de outrora” caracteriza o substantivo “beleza”. A função de um adjunto adnominal é caracterizar, determinar, restringir, explicar o termo ao qual se refere.

Um outro indicativo de que a expressão destacada é um adjunto adnominal é o fato de ela ser um termo acessório da oração. O sentido de “beleza célebre” é compreensível mesmo sem o adjunto adnominal. Ou seja, ele atribui uma característica que é, na verdade, dispensável.

d) ERRADA. “pela medonha erupção” é agente da passiva.

e) ERRADA. “entre a vida e a morte” é adjunto adverbial de modo.

Para saber mais sobre adjunto adnominal e complemento nominal, não deixe de conferir os textos abaixo:

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Carla Muniz
Escrito por Carla Muniz
Professora, lexicógrafa, tradutora, produtora de conteúdos e revisora. Licenciada em Letras (Português, Inglês e Literaturas) pelas Faculdades Integradas Simonsen, em 2002.