Amensalismo

Lana Magalhães

Amensalismo é a relação ecológica que ocorre quando um organismo libera substâncias tóxicas que inibem o crescimento ou a reprodução de outros organismos.

Também chamada de Antibiose, é caracterizada como uma relação interespecífica desarmônica.

No amensalismo, existem duas espécies envolvidas: a espécie que libera a substância tóxica, chamada de inibidora e a espécie prejudicada, chamada de amensal.

Para a espécie inibidora, a relação é neutra, não obtém nenhuma vantagem ou prejuízo. Enquanto, a espécie amensal tem seu desenvolvimento ou reprodução prejudicados por conta das substâncias liberadas pela espécie inibidora.

Exemplos de Amensalismo

Fungos

Os fungos do gênero Penicillium liberam substâncias que podem impedir a proliferação de bactérias e até mesmo causar a sua morte. Entretanto, o fungo não tem nenhum benefício com essa relação.

Um exemplo do cotidiano e relacionado com os seres humanos é o uso de antibióticos.

Os antibióticos são medicamentos bastante utilizados para combater infecções de bactérias e outros micro-organismos. O antibiótico mais comum é a penicilina, substância produzida pelo fungo Penicillium notatum.

Animais de grande porte

Um exemplo comum da relação ecológica de amensalismo na natureza, é a simples passagem de animais de grande porte pelo solo. Um elefante pode, por exemplo, amassar um gafanhoto sob os seus pés. A população de gafanhotos é afetada, mas o elefante não.

Maré vermelha

É um fenômeno que ocorre quando há grande concentração de algas marinhas do grupo dinoflagelados no ambiente. Essas algas liberam uma substância tóxica, que se concentra em manchas vermelhas nos mares e provoca a morte de diversos animais marinhos.

Saiba mais sobre a maré vermelha.

Alelopatia

Apesar de muitas vezes estar relacionada com o amensalismo, a alelopatia beneficia uma das espécies.

Neste caso, uma espécie é prejudicada, enquanto a outra é beneficiada.

A alelopatia consiste na inibição de uma espécie vegetal por outra, através da liberação de substâncias produzidas pelo seu metabolismo secundário.

Substâncias alelopáticas podem afetar: a absorção de nutrientes, o crescimento, a fotossíntese, a síntese de proteínas, a permeabilidade da membrana e a atividade enzimática.

As substâncias alelopáticas podem ser liberadas pelas plantas das seguintes formas:

  • Lixiviação dos tecidos: as substâncias tóxicas solúveis em água são lixiviadas da parte aérea e das raízes, bem como pela chuva ou orvalho e levadas até o solo onde são absorvidas.
  • Volatilização de compostos aromáticos: as toxinas são liberadas de forma volátil, através das folhas, flores, caules e raízes. Assim, podem ser absorvidos por outras plantas através do vapor ou condensados no orvalho.
  • Exsudação pelas raízes: as substâncias são liberadas através das raízes e podem inibir o crescimento de outras espécies próximas a ela.

Ao prejudicar outras espécies, a espécie alelopática obtém vantagem ao poder utilizar os recursos do ambiente.

Uma espécie que apresenta que apresenta alelopatia é o eucalipto (Eucalyptus globulus).

Amensalismo e Comensalismo

O comensalismo ocorre quando uma espécie utiliza os restos da alimentação de outra, sem prejudicá-la. Como exemplo, pode-se citar as hienas que aproveitam os restos de caças deixados pelos leões.

Ao contrário do amensalismo, o comensalismo é uma relação interespecífica harmônica.

No comensalismo, uma das espécies é beneficiada com a relação, sem prejudicar a outra.

E como vimos, no amensalismo, uma das espécies é prejudicada, enquanto a outra não obtém nenhuma vantagem ou prejuízo.

Saiba mais sobre o Comensalismo.

Amensalismo e Parasitismo

No parasitismo, uma espécie vive à custa de outra, causando prejuízos, geralmente sem levar à morte. Um exemplo são as lombrigas que habitam o intestino humano.

Em comum ao amensalismo, o parasitismo é uma relação interespecífica desarmônica.

Porém, no parasitismo, a espécie que ocasiona o prejuízo às outras, obtém vantagens. Enquanto que no amensalismo, a espécie que ocasiona o prejuízo não é beneficiada.

Saiba mais sobre o Parasitismo.

Lana Magalhães
Lana Magalhães
Licenciada em Ciências Biológicas (2010) e Mestre em Biotecnologia e Recursos Naturais pela Universidade do Estado do Amazonas/UEA (2015). Doutoranda em Biodiversidade e Biotecnologia pela UEA.