Corporações de Ofício


As “Corporações de Ofício” são associações que surgiram no final da Idade Média, a partir do século XII na Europa. Oriundas das antigas Guildas, as quais reuniam profissionais de diversas áreas, as Corporações de Ofício tinham o objetivo de regulamentar as profissões e o processo produtivo artesanal, evitar a concorrência, bem como garantir a segurança de seus membros.

Eram formadas hierarquicamente por Mestres (donos das oficinas que possuíam os maiores conhecimentos no ramo), Oficiais ou Companheiros (trabalhadores remunerados e mais experientes) e os Aprendizes (trabalhadores não remunerados no início da profissão). Ainda que as Corporações de Ofício surgiram em prol do desenvolvimento econômico, haviam também as corporações de cunho religioso (também chamadas de Confrarias), político e social.

Para saber mais: Idade Média e Guildas Medievais

Contexto Histórico

Durante o último período da Idade Média, denominado de Baixa Idade Média (século X ao século XV), a Europa passava por diversas transformações sociais, políticas, econômicas e científicas, sobretudo, com o declínio do sistema feudal e o crescimento comercial e urbano (intensificado pelas Cruzadas e a expansão das rotas marítimas comerciais).

Denominado de Renascimento Comercial e Urbano, houve um grande crescimento das atividades comerciais, oriundas dos trabalhadores que viviam numa sociedade estamental (sem mobilidade social) e agrária, os feudos, e passaram a comercializar os excedentes nos arredores das cidades.

Dessa forma, com o deslocamento de muitos trabalhadores para os burgos (antigas cidades medievais amuralhadas), o sistema feudal e agrário logo foi substituído por um capitalismo primitivo e urbano, fortalecidos pelo surgimento de uma nova classe social: a burguesia.

A classe de burgueses era formada por diversos tipos de trabalhadores (comerciantes, artesãos, alfaiates, sapateiros, ferreiros, carpinteiros, marceneiros, artistas, mercadores) os quais estavam imbuídos de ideais mercantilistas, tal qual o acúmulo de metais preciosos (metalismo), o monopólio e o controle estatal. Note que o surgimento da moeda também foi um fator importante para o desenvolvimento da economia europeia, antes baseada na troca.

De tal modo, com o desenvolvimento das atividades produtivas e consequentemente a intensificação do comércio, houve a necessidade de organizar e regulamentar essas atividades. Assim, os trabalhadores de determinadas profissões se reuniam em Associações (espécie de associações sindicais) com o intuito de privilegiar os interesses da classe, de forma a melhorar o desenvolvimento da atividade laboral desde a distribuição dos produtos, garantir a qualidade e o preço dos mesmos, bem como lidar com o mercado e seus concorrentes externos.

Para saber mais: Renascimento, Burguesia e Mercantilismo