Renascimento Urbano


O Renascimento Urbano representou uma das vertentes que formaram o movimento Renascentista, ao lado do Renascimento Cultural e Comercial.

Vale lembrar que o Renascimento Italiano foi um movimento econômico, artístico e cultural que dominou a mentalidade europeia durante séculos: do XIV ao século XVII. Assim, o Renascimento Urbano está associado ao florescimento e desenvolvimento das cidades medievais, os “Burgos”.

Renascimento UrbanoCidade Medieval de Carcassonne, França

Contexto Histórico: Resumo

No último período da Idade Média, denominado Baixa Idade Média (século X ao século XV), a Europa passava por diversas transformações nos campos político, econômico e social, de forma que a queda de Constantinopla, em 1493, representou o fim da Idade Média e o início da Idade Moderna.

Esse período esteve marcado pela decadência do sistema feudal, formado basicamente de dois grupos sociais: os senhores (proprietários de terras, os feudos) e os servos (trabalhavam e viviam nos feudos). A sociedade feudal era estamental, posto que não possuía mobilidade social, ou seja, se nasceu servo, morrerá servo.

Acima do senhor feudal estavam o Rei, a Nobreza e o Clero, os três grupos que detinham o poder. Dessa forma, o Rei representava o poder supremo, seguido da nobreza (importante figuras) e o Clero, associado ao poder religioso da Igreja Católica.

Esse último grupo dominante possuía claros privilégios em relação ao povo, de modo que somente eles tinham acesso aos assuntos políticos, econômicos e religiosos, bem como ao conhecimento dos livros, posto que representavam a parcela mínima que sabia ler e escrever.

Além da explosão demográfica oriunda das Cruzadas, a qual gerou uma população marginalizada que foi em busca de libertar a Terra Santa, e por fim, ficou sem emprego, terras e dinheiro, a melhoria das técnicas agrícolas (rotação de culturas, moinho hidráulico, charrua, etc.) foi um dos importantes fatores para o crescimento populacional nos feudos, o qual possuíam uma economia autossuficiente (consumo local).

Diante disso, o desenvolvimento das rotas comerciais europeias, a partir das Cruzadas (expedições de caráter religioso, econômico e militar que ocorreram entre os séculos XI e XIII) e da intensificação do comércio, sobretudo de especiarias no Mar Mediterrâneo, tornaram evidente o florescimento dos Burgos (pequenas cidades medievais fortificadas), que, anteriormente, estavam ligados ao feudo apenas como centros religiosos e militares donde habitavam os reis, nobres, bispos e alguns comerciantes.

Diante desse contexto, alguns servos, insatisfeitos com as condições rudes e estáticas do sistema feudal fugiam (ou eram expulsos pelo senhor) para os burgos, em busca de melhores condições de vida, desde o trabalho livre assalariado.

Renascimento Comercial

Observe que o Renascimento Urbano está intimamente associado ao Renascimento Comercial, na medida em que o crescimento dos burgos só começou a surgir quando o comércio se expandiu, a partir das feiras-livres (encontros para realização de comércio).

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Assim, o sistema-autossuficiente feudal, baseado nas trocas (escambo), foi substituído pelas relações comerciais (venda de produtos), fortalecidos pelo desenvolvimento das cidades e do sistema econômico (surgimento da moeda e dos bancos), na medida em que ampliaram as fontes de renda e as relações de produção.

Ademais, o caráter agrário e estamental do feudalismo deu lugar à urbanização e estrutura de classes, com mobilidade social.

Junto à isso, surge a burguesia, uma nova classe social empenhada em adquirir melhores condições de vida por meio do trabalho, formada por comerciantes, desde ferreiros, alfaiates, sapateiros, artesãos, dentre outros.

Note que o nome “burguês” e “burguesia” deriva do termo “burgos”, posto que os burgueses passaram a ser chamados assim por serem os habitantes dos burgos.

Foi nesse contexto de efervescência comercial, cultural e urbana que os artesãos criaram as “Corporações de Ofício” (organizações que reuniam pessoas que exerciam a mesma profissão), enquanto os comerciantes estabeleceram as “Guildas Medievais” (associação de pessoas de diversas profissões) e as “Hansas” (associação de comerciantes), da qual se destaca a Liga Hanseática.

Por fim, o “Movimento Comunal”, demostrou a luta dos burgueses a fim de emanciparem os burgos que ainda pertenciam aos senhores feudais.

Cidades francesas e italianas participaram do confronto, sendo denominadas de "comunas". Dessa forma, aos poucos, as cidades foram conquistando sua autonomia, pondo fim ao sistema rural do feudalismo.

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