Capitalismo Comercial

Juliana Bezerra

O Capitalismo Comercial ou Mercantil é considerado o pré-capitalismo, uma vez que representou a primeira fase do sistema econômico capitalista.

Ele surge no final do século XV, marcando o fim da Idade Média e o início a Idade Moderna, o qual durou até o século XVIII, quando desponta a Revolução Industrial.

O capitalismo comercial foi empregado nas colônias da América, África e Ásia, donde a metrópole buscava riquezas e produtos nas novas terras, intensificando cada vez mais as relações comerciais.

Fases do capitalismo

O Capitalismo acompanhou o desenvolvimento da sociedade e está dividido em três fases:

Características do capitalismo comercial ou mercantil

As principais características do capitalismo comercial são:

  • Surgimento da moeda como valor de troca
  • Produção de manufaturas
  • Divisão Internacional do Trabalho
  • Mercantilismo como sistema econômico
  • Balança comercial favorável (superavit)
  • Protecionismo (taxas alfandegárias)
  • Metalismo (acúmulo de metais preciosos)

Contexto histórico: resumo

A Idade Média foi um longo período que durou do século V ao XV na Europa. Nesse período o capitalismo ainda não existia, sendo o sistema feudal o regulador das relações sociais, culturais, econômicas e políticas do período.

Baseada na posse da terra, o feudalismo apresentava dois grandes grupos sociais: os senhores feudais, donos das terras que obtinham poderes absolutos sobre elas, e os servos, os indivíduos que trabalhavam nos feudos.

Esse tipo de sociedade é conhecida como sociedade estamental (dividida em estamentos), donde a mobilidade social foi praticamente inexistente. Ou seja, se a pessoa nascia nobre, morreria nobre, ou se nascia servo, viveria até o final de sua vida nessas condições.

Acima dos senhores feudais, estavam os Reis e a Igreja, portanto, os senhores estavam submetido às suas vontades e pagavam impostos à eles, entretanto, possuíam todo tipo de poder (político, econômico, social) nas suas terras.

Nesse sentido, vale atentar que a sociedade feudal era autossuficiente e não praticava o comércio, uma vez que tudo o que se produzia nas terras era destinado ao sustento das pessoas que ali viviam. Assim, as relações comerciais e a moeda como valor de troca não existiu nesse período.

Entretanto, com a expansão marítima comercial, a exploração de novas terras, o desenvolvimento do comércio (propulsionada pelas feiras livres ao redor dos burgos), o aumento da população e o surgimento de uma nova classe social (burguesia) transformariam definitivamente esse cenário feudal.

Foi nesse período que os portugueses encontraram o Brasil, o qual foi transformado inicialmente em colônia de exploração, cujos produtos extraídos da colônia eram comercializados pela metrópole. Em outras palavras, enquanto a colônia exportava matérias-primas, as metrópoles produziam e vendiam as mercadorias.

Os interesses econômicos, sociais e políticos da nova classe que surgia, a burguesia, levou a decadência do sistema feudal, os quais buscavam o enriquecimento por meio da acumulação de metais preciosos, uma das principais características do sistema econômico do mercantilismo, denominada “metalismo”.

Foi dessa forma que o sistema capitalista comercial surgiu, visando principalmente o lucro sobre as mercadorias comercializadas, mediados por uma economia centrada nas trocas comerciais com o aumento de taxas alfandegárias (protecionismo) e a busca do superávit (balança comercial favorável).

Destarte, o capitalismo comercial ou mercantil foi fortalecido por meio das trocas e vendas de escravos, manufaturas, metais preciosos, vendas de especiarias e de produtos agrícolas.

Juliana Bezerra
Juliana Bezerra
Bacharelada e Licenciada em História, pela PUC-RJ. Especialista em Relações Internacionais, pelo Unilasalle-RJ. Mestre em História da América Latina e União Europeia pela Universidade de Alcalá, Espanha.