Burguesia

Juliana Bezerra

O termo “burguesia” designa a classe social dominante do sistema capitalista e está formada por proprietários de bens ou capitais.

A burguesia surge no fim da Idade Média, com a expansão do comércio e das cidades medievais.

A palavra tem origem em “burgos”, que significava “fortaleza” ou “pequenas cidades”.

O conceito de burguesia foi mudando com o tempo: na Idade Média eram os comerciantes; e durante a Revolução Industrial, os banqueiros e empresários.

Surgimento da burguesia

No final da Idade Média, a Europa passava por modificações nos campos político, econômico, social e cultural.

Nesse período aconteceu o declínio do sistema feudal e a quantidade de terra deixou de ser um sinal de riqueza. A partir de agora, seria a quantidade de dinheiro que faria uma pessoa ser considerada rica.

Ao mesmo tempo, a política mudava. Os senhores feudais deixam de ter poder e este passa ao rei (absolutismo), no processo de formação das monarquias nacionais. Até a religião sofre mudanças com a eclosão da reforma protestante.

Neste novo período, surge um grupo de pessoas que se dedicarão, especialmente, ao comércio e às transações comerciais. O local de trabalho serão as cidades, chamadas de burgos e, por isso, quem vive ali será conhecido como “burguês”.

O burguês defendia valores que eram estranhos à sociedade medieval como a liberdade pessoal, livre comércio, direitos religiosos e civis.

Ao mesmo tempo, a Europa vive o chamado “Renascimento Comercial” através das Cruzadas, e da expansão ultramarina dos séculos XV e XVI.

Tudo isso possibilitou ampliar as relações comerciais, bem como desenvolver o comércio interno das cidades impulsionado pelas feiras.

De tal modo, o crescimento das cidades foi um fator importante para a formação da burguesia. Os burgueses se reuniam nas “Guildas” ou “Corporações de Oficio” que consistiam nas associações de profissionais que defendiam o interesse dos seus membros.

A partir do fortalecimento do comércio, a nobreza, antiga detentora do poder, vai perdendo espaço para a burguesia. Os servos, que antes trabalhavam para a nobreza e o clero, vislumbraram no comércio ascensão social, econômica e política.

Assim, a classe burguesa se consolida e começa a exigir espaço na política. Isto se dá através de várias revoluções, nas quais podemos destacar a Revolução Francesa, em 1789 e a Revolução Industrial, que ocorre nos séculos XVIII e XIX.

Burguesia e proletariado

Na teoria marxista, desenvolvida pelos alemães Karl Marx (1818-1883) e Friedrich Engels (1820-1895), a burguesia e o proletariado representam duas classes sociais com interesses contrários.

A burguesia é a classe dominante do sistema capitalista, pois detém o poder e os meios de produção. Já o proletariado representa a classe dominada, pois o único que lhe resta é vender sua força de trabalho à burguesia.

Desta maneira, burgueses e proletariados estariam sempre em luta e seria isso que provocaria as mudanças na sociedade.

Veja também: Marxismo

Burguesia mercantil

O termo “Burguesia Mercantil” designa aqueles que adotaram as ideias mercantilistas ou seja: acúmulo de capital, balança favorável e metalismo. essas ideias.

Este grupo surge a partir do século XV, na Europa, e foi uma das consequências do Renascimento Comercial, Cultural e Urbano.

O sistema feudal foi decaindo, seja pelo aumento da população, pelas novas tecnologias e pela busca de produtos orientais. Sendo assim, aos poucos, o sistema feudal foi substituído por um capitalismo primitivo, o mercantilismo.

Os burgueses buscavam o enriquecimento e a mobilidade social, algo que era impossível dentro da sociedade feudal, onde o nascimento determinava o lugar de cada um.

Veja também: Renascimento Comercial

Burguesia industrial

A Burguesia Industrial, como o próprio nome indica, representa uma das classes sociais surgidas com a Revolução Industrial no século XVIII.

Esse grupo foi muito importante nesse período, pois foi a burguesia que possibilitou o emprego de máquinas para aumentar a produção. Isso aconteceu na medida em que investiram na compra de máquinas e matérias primas, bem como na contratação dos empregados.

No entanto, o lucro obtido pelas primeiras indústrias foram conseguidos graças a exploração dos operários em longas jornadas de trabalho.

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Juliana Bezerra
Juliana Bezerra
Bacharelada e Licenciada em História, pela PUC-RJ. Especialista em Relações Internacionais, pelo Unilasalle-RJ. Mestre em História da América Latina e União Europeia pela Universidade de Alcalá, Espanha.