Cultura inca

Juliana Bezerra

A cultura inca é o resultado da fusão dos costumes de várias civilizações andinas.

Vários povos se fixaram num território entre a cordilheira dos Andes e o Oceano Pacífico e se mantiveram isolados devido às condições geográficas.

Contudo haviam domesticado o algodão, utilizavam a cerâmica, bem como a lã da alpaca e da vicunha. Igualmente, seu alimento sagrado era o milho e estima-se que havia cerca de 200 espécies distintas.

Quanto aos metais, empregavam o ouro, a prata e o cobre em seus adornos e objetos sagrados.

Povos incas

A mais antiga civilização existente nos Andes centrais é a Caral (3000 e 1800 a. C.) contemporânea de povos como os egípcios, indianos ou chineses.

Ali também se desenvolveram os Mochicas, Chavín, Nazca, Inca, Lambayeque-Chimu, Paracas, entre tantos outros.

Religião inca

A religião inca era politeísta e aos deuses eram dedicados sacrifícios, festas e templos. Como todas as sociedades agrícolas, seus mitos, a maneira de contar o tempo e de se relacionar com o mundo estavam baseados na natureza.

Por isso, assim como os animais e as plantas, o ser humano cumpria o ciclo vital: nascer, crescer, reproduzir e morrer.

Para o povo inca existiam três mundos que eram independentes, mas se comunicavam:

Hanan Pacha (mundo de cima): onde está a informação para a agricultura através das estrelas, nuvens, sol e ventos. As aves e as águas da chuva faziam a comunicação entre os demais mundos.

Kai Pacha (mundo do meio): ali viviam os seres humanos e os animais e era o espaço onde acontecia a vida através da união dos líquidos. Exemplo: a água da chuva vinha do mundo de cima e fertilizava a terra, que proporcionaria o alimento. Os grandes felinos, como o puma, são os símbolos deste mundo.

Uku Pacha (mundo subterrâneo): onde brota a vida vegetal e onde a vida animal volta a nascer. A terra é o lugar onde germinam as sementes, mas é a última morada dos seres humanos e animais. A serpente é o bicho que representa Uku Pacha.

Os mundos também se comunicavam através de fluidos como a chicha (bebida fermentada feita de milho), água e sangue.

A concepção de mundo da civilização inca se baseava na dualidade: noite/dia, homem/mulher, úmido/seco. Embora opostos, estes elementos se complementavam e esta dualidade é o que faz movimentar o mundo.

Sacrifícios humanos

Os incas realizavam sacríficos humanos e de animais a fim de conseguir boas colheitas e manter o equilíbrio entre os mundos.

As grandes cerimônias religiosas se iniciavam com um combate cujo objetivo era retirar a cobertura da cabeça do adversário. As vítimas eram despidas e levadas em procissão.

Durante a cerimônia, o sangue dos guerreiros capturados era oferecido aos grandes deuses em copos especialmente preparados para este fim.

Costumes incas

Para os incas, não havia distinção clara entre o mundo dos mortos e o mundo dos vivos.

Por isso, como em outras culturas da Antiguidade, era costume enterrar os mortos com objetos que seriam úteis nesta viagem.

O corpo era colocado em posição fetal e envolvido com um tecido em espiral indicando que ele estava retornando para a terra e tornando-se uma semente que germinaria.

Da mesma forma, as múmias ancestrais incas eram desenterradas e participavam das reuniões mais importantes da comunidade sentadas junto aos mais velhos.

Sociedade inca

Os incas conseguiram dominar tantos povos graças à sua habilidade militar e política.

Um dos princípios era o da reciprocidade: os incas exigiam tributos e trabalho compulsório nas obras públicas, mas davam terras para o cultivo de acordo com o tamanho da família.

O sistema ético baseava-se na honradez, no trabalho e na lealdade ao ancestral, resumidos em três princípios:

  • Ama Sua – não seja ladrão
  • Ama Queylla – não seja preguiçoso
  • Ama Llulla – não seja mentiroso

O casamento era muito importante, pois significava o início de uma nova vida. Somente o Inca, o Imperador, podia ter mais de uma mulher.

A esposa do Inca assumia as funções de governadora enquanto o marido estivesse na guerra.

Arte inca

A arte inca estava presente nos objetos empregados para render culto aos deuses e também para enfeitar os sacerdotes e dirigentes no momento das cerimônias religiosas.

O material empregado, as estampas e as cores também revelavam a posição do indivíduo que a vestisse dentro da sociedade inca.

Tecidos incas

Uma das artes mais elaboradas dos incas são os tecidos usados de maneira cerimonial. Tanto as estampas como as cores eram escolhidas de acordo com a função para o qual estava destinado o tecido.

Um exemplo é o “manto do dragão”, da cultura paracas, que envolvia o corpo antes de ser enterrado.

Em sua superfície encontramos o dragão inca: cabeça de felino, corpo de serpente e duas patas como as aves. Está bordado em amarelo (o mundo de cima), o verde (o mudo do meio) e o negro (o mundo de abaixo) e o vermelho (o sangue, o líquido vital).

Cerâmicas incas

A cerâmica foi um material largamente empregado pelos povos incas seja para fazer utensílios domésticos, seja para serem usados em cerimônias religiosas. As vasilhas sagradas - huacos, em quéchua - eram importantes, pois estavam ligadas à água, um elemento essencial para a vida.

Poderiam ser antropomórficas (forma de humanos) ou zoomórficas (animais), símbolos representando o ciclo da vida como a espiral, a água (parada ou em movimento).

Cerâmica inca
Cerâmicas da cultura mochica. Fonte: Wikipédia

Adornos incas

Os adornos – braceletes, munhequeiras, tapa orelhas, peitorais, colares – eram usados nas cerimônias públicas e feitos de metais preciosos como o ouro, a prata e o cobre.

Esses objetos eram gravados com símbolos místicos como os animais que representavam os três mundos, isto é, aves, felinos e a serpente.

Música inca

Provavelmente nunca saberemos como soava a música inca. Apenas podemos adivinhar como era o som de distintos instrumentos feitos de materiais como a cerâmica e madeira, como este apito:

Sabia que temos outros textos sobre os incas? Leia também:

Referências Bibliográficas

El arte mochica del antiguo Perú. Oro, mitos y rituales. Exposição Caixa Forum. 2015.

Museu Larco. Lima, Peru. Consulta 17.09.2020.

Juliana Bezerra
Juliana Bezerra
Bacharelada e Licenciada em História, pela PUC-RJ. Especialista em Relações Internacionais, pelo Unilasalle-RJ. Mestre em História da América Latina e União Europeia pela Universidade de Alcalá, Espanha.