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Exercícios sobre a Revolta dos Malês (com gabarito explicado)

Lucas Pereira
Lucas Pereira
Professor de História

A Revolta dos Malês, ocorrida em Salvador em 1835, foi um dos mais importantes levantes de escravizados do período regencial brasileiro. Liderado por africanos muçulmanos, o movimento expressou a resistência à escravidão, à perseguição religiosa e às desigualdades da época. Nestes exercícios, você poderá revisar as principais causas, características e consequências da revolta. As questões contam com gabarito explicado para ajudar na compreensão do tema.

Questão 1

A Revolta dos Malês (1835) é um dos movimentos mais estudados dentre as chamadas Revoltas Regenciais. Sobre esse levante ocorrido em Salvador, assinale a alternativa que descreve corretamente suas características:

a) Trata-se de um movimento iniciado na elite conservadora da cidade, descontente com a aprovação do Ato Adicional em 1834.

b) Foi um movimento organizado por escravos e trabalhadores, inspirado na Revolução Francesa. Seus objetivos envolviam a abolição da escravidão e a independência da Bahia.

c) O movimento eclodiu devido à enorme desigualdade social na Bahia e à aprovação da chamada Lei dos Prefeitos, que centralizou ainda mais o poder nas mãos da elite local.

d) Escravos e forros de origem muçulmana protagonizaram essa revolta, que envolveu tanto o combate à escravidão da forma como era praticada quanto a busca por maior liberdade religiosa.

Gabarito explicado

a) Incorreta. O movimento teve um caráter popular e escravizado. A elite baiana, na verdade, era o alvo da insurreição.

b) Incorreta. O movimento não se inspirou na Revolução Francesa, afirmação mais pertinente à Conjuração Baiana (1798).

c) Incorreta. A "Lei dos Prefeitos" é um elemento político ligado à Balaiada, no Maranhão, e não ao contexto urbano de Salvador.

d) Correta. Os Malês (termo derivado de imale, muçulmano em iorubá) combatiam a imposição do catolicismo e a violência da escravidão.

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Questão 2

Entre as principais causas ligadas à Revolta dos Malês, é correto elencar:

a) A elevação do preço do açúcar no mercado internacional, o que reduziu a produção de alimentos em detrimento da cana-de-açúcar. Isso provocou uma grave crise de fome na região.

b) A criação da Guarda Nacional, que exigia o alistamento de trabalhadores livres para as fileiras de combate.

c) A perseguição religiosa e a violência do sistema escravista vigente, que oprimia a grande parcela de escravos residentes na Bahia do século XIX.

d) O sucesso das Independências do Haiti e dos Estados Unidos, episódios que inspiraram esse movimento separatista e liberal na Bahia.

Gabarito explicado

a) Incorreta. Crises de fome e preços de açúcar motivaram outros levantes, como a Conjuração Baiana, mas não foram o estopim principal desta revolta especificamente.

b) Incorreta. A Guarda Nacional causou tensões na Sabinada e na Farroupilha, mas o foco dos Malês era a libertação dos cativos.

c) Correta. A Bahia do século XIX concentrava muitos africanos letrados em árabe, cuja alfabetização permitiu a organização da revolta sob o pretexto de perseguição à sua fé e cultura.

d) Incorreta. O medo da "haitianização" existia entre os brancos, mas os Malês tinham um projeto teocrático próprio, sem as bases liberais da independência dos EUA.

Questão 3

O Período Regencial (1831-1840) foi marcado pela eclosão de uma série de episódios violentos de norte a sul do país, sendo que o combate a tais movimentos envolveu a adoção de diferentes estratégias. No caso da Revolta dos Malês, o movimento foi debelado através da(o):

a) Violenta repressão das autoridades regenciais, facilitada pela delação do movimento pouco antes de seu início.

b) Prisão dos líderes do movimento, o que foi suficiente para interromper o início das batalhas planejadas pelos rebeldes.

c) Aumento da tolerância religiosa em Salvador, visando desmobilizar os participantes da Revolta ao ter sua fé reconhecida pelo Estado.

d) Deposição do Presidente da Província da Bahia, que pacificou grande parte dos organizadores da Revolta dos Malês.

Gabarito explicado

a) Correta. O plano foi descoberto após a denúncia de libertos às autoridades, o que permitiu que as tropas do governo cercassem os rebeldes antes do previsto.

b) Incorreta. Pelo contrário, houve combate intenso nas ruas de Salvador.

c) Incorreta. Ao contrário do afirmado, o Estado endureceu a vigilância sobre os costumes africanos e muitos foram deportados.

d) Incorreta. A resposta oficial foi estritamente militar e punitiva.

Questão 4

Na tentativa de aumentar suas chances de sucesso, os organizadores da Revolta dos Malês planejaram secretamente uma data ideal para o início da Revolta. Sobre tal estratégia, os revoltosos:

a) Marcaram o início da Revolta na data da decretação da Derrama, cobrança de impostos forçada que provocava elevada insatisfação na população local.

b) Almejavam que a revolta ocorresse no fim do Ramadã, período de celebração religiosa muçulmana, numa data que também coincidia com uma importante celebração religiosa católica.

c) Organizaram-se para que a Revolta ocorresse no Domingo de Páscoa, data de celebração católica e sem importância para o mundo islâmico.

d) Pretendiam se aproveitar da data da troca do governador local, recém-indicado pela Regência de Diogo Feijó.

Gabarito explicado

a) Incorreta. A Derrama foi o gatilho planejado para a Inconfidência Mineira em 1789, não tendo relação com 1835.

b) Correta. A escolha da Lailat al-Qadr (Noite da Glória) visava aproveitar a energia espiritual do Ramadã e a distração dos brancos nas festas católicas.

c) Incorreta. Embora o calendário cristão fosse usado como disfarce, a data não era o Domingo de Páscoa, mas sim uma celebração ligada ao Rosário.

d) Incorreta. O calendário político da Regência não foi o fator decisivo para a escolha da data, mas sim o calendário lunar islâmico.

Questão 5

"As roupas usadas pelos rebeldes, os abadás, também foram usadas como prova de pertencimento à “sociedade malê”. Sobre esses abadás, assim falou o escravo Bento: ʼNa sua terra são ornadas com elas as gentes grandes, as quais se entendem rei e seus fidalgosʼ. Nesse depoimento registra-se a etiqueta do vestuário na hierarquia da antiga pátria, a distinguir os poderosos dos homens comuns. Aquele tipo de indumentária seria, em 1835, representativo do status de chefe do movimento."

(Revolta dos Malês. Impressões Rebeldes. Disponível em: https://www.historia.uff.br/impressoesrebeldes/revolta/revolta-dos-males/. Acesso em: 8 mar. 2026.)

De acordo com o texto e seus conhecimentos sobre a Revolta dos Malês, o uso dos abadás demonstra que:

a) Os revoltosos buscavam se mimetizar à cultura europeia para passar despercebidos pelas autoridades de Salvador.

b) O movimento possuía uma organização interna própria, na qual o vestuário servia para identificar lideranças e manter hierarquias de origem africana.

c) O uso dessas vestimentas era obrigatório para todos os escravos da Bahia, independentemente de participarem ou não da revolta.

d) As roupas eram inspiradas no estilo barroco católico, demonstrando o desejo de conversão dos malês ao cristianismo.

Gabarito explicado

a) Incorreta. O uso do abadá era uma afirmação de identidade e fé, e não uma tentativa de se misturar à elite branca ou aos seus costumes.

b) Correta. O abadá branco, além de ser uma vestimenta ritual islâmica, servia como um uniforme que diferenciava os combatentes e suas lideranças.

c) Incorreta. O abadá era restrito aos membros da comunidade Malê (muçulmana).

d) Incorreta. O movimento era declaradamente islâmico e o abadá é uma peça de origem africana e religiosa, sem relação com o estilo artístico barroco católico.

Questão 6

Após o sufocamento da Revolta dos Malês, as autoridades baianas e a elite imperial brasileira intensificaram o controle sobre a população de origem africana. Sobre as consequências desse movimento, é correto afirmar que:

a) Houve um endurecimento da repressão e da vigilância, motivado pelo medo da "haitianização" (temor de que ocorresse no Brasil uma revolução de escravos como a do Haiti).

b) A revolta resultou na imediata proibição do tráfico interprovincial de escravos para evitar a comunicação entre diferentes grupos rebeldes.

c) O governo regencial decidiu conceder liberdade religiosa plena aos africanos em Salvador como estratégia para acalmar futuros levantes.

d) A principal consequência foi o perdão total aos líderes do movimento, visando evitar novos conflitos armados na capital baiana.

Gabarito explicado

a) Correta. O medo de que o exemplo da Revolução Haitiana se repetisse no Brasil fez com que a repressão fosse brutal, atingindo até africanos que não participaram do levante.

b) Incorreta. O tráfico interprovincial continuou existindo e até cresceu décadas depois.

c) Incorreta. Pelo contrário, as autoridades passaram a perseguir qualquer sinal de religiosidade não católica, confiscando livros e manuscritos em árabe.

d) Incorreta. A punição foi exemplar, sendo que lideranças foram condenadas à morte, ao chicoteamento público ou à prisão com trabalhos forçados.

Questão 7

"O levante fracassou por diversas razões (...). O mais grave, para eles, porém, foi que seus inimigos eram muitos e se uniram: toda a população livre da Bahia — branca e mulata, rica ou miserável — se articulou, por laços de interesse, solidariedade ou medo, contra a insurreição africana. A rebelião foi derrotada. Mas a derrota nunca significou o fim da luta pela liberdade, como uma utopia próxima da realidade."

(SCHWARCZ, Lilia M; STARLING, Heloisa M. Brasil: uma biografia. São Paulo: Companhia das Letras, 2015 p. 257)

A partir da leitura do trecho acima, conclui-se que um dos principais motivos para o fracasso da Revolta dos Malês foi:

a) A superioridade numérica dos rebeldes africanos, que acabou gerando confusão tática durante os combates em Salvador.

b) A falta de interesse dos escravos em obter a liberdade, preferindo manter as condições de trabalho da época.

c) O isolamento dos revoltosos africanos, que enfrentaram uma união de diversos setores da sociedade livre, motivados pelo medo de uma insurreição negra generalizada.

d) O apoio das tropas inglesas ao governo brasileiro, que garantiu armas modernas para a repressão do movimento muçulmano.

Gabarito explicado

a) Incorreta. Os rebeldes eram minoria numérica em comparação às forças militares e à população livre que se armou para combatê-los.

b) Incorreta. O objetivo central do movimento era justamente a conquista da liberdade e o combate ao sistema escravista praticado até então.

c) Correta. Como aponta o texto, o medo de uma "guerra racial" uniu brancos e mulatos livres que, em outras situações, seriam rivais políticos.

d) Incorreta. A repressão foi feita exclusivamente por forças locais e regenciais brasileiras, como a Guarda Nacional e o Exército, sem intervenção estrangeira.

Questão 8

Atualmente, historiadores apontam que a Revolta dos Malês não pode ser entendida apenas como um evento brasileiro, mas como um reflexo de dinâmicas ocorridas no continente africano. Sobre essa ligação, assinale a alternativa correta:

a) Os rebeldes baianos eram liderados por chefes de comunidades situadas na atual África do Sul. Entre seus interesses, tais líderes buscavam expandir o cristianismo entre os demais cativos no Brasil.

b) O movimento foi uma tentativa de restaurar as estruturas políticas do Império Mali na América, replicando suas lógicas de poder e laços sociais característicos.

c) A revolta foi organizada por escravos que desconheciam as táticas militares, uma vez que na África não haviam tido contato com guerras. Isso explica o fracasso do movimento.

d) Parte dos revoltosos eram veteranos de guerras ocorridas no continente africano, trazendo para a Bahia experiências políticas e religiosas ligadas à expansão do Islã.

Gabarito explicado

a) Incorreta. Os Malês vinham principalmente da África Ocidental (região da Nigéria e Benin atuais), e não do Sul, e eram muçulmanos, não cristãos.

b) Incorreta. Embora o nome "Malê" lembre o Império Mali, os revoltosos eram majoritariamente etnias Nagô e Haussá, com foco em sua realidade religiosa atual na Bahia.

c) Incorreta. Pelo contrário, a organização do levante foi extremamente sofisticada justamente porque muitos participantes tinham experiência militar prévia.

d) Correta. Muitos dos escravizados trazidos para a Bahia na época eram prisioneiros de guerra das "Jihads" (guerras santas) que ocorriam na África Ocidental.

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Lucas Pereira
Lucas Pereira
Bacharel e Licenciado em História pela Universidade Estadual de Campinas (2013), com mestrado em Ensino de História pela mesma instituição (2020). Atua como professor de História na educação básica e em cursos pré-vestibulares desde 2013. Desde 2016, também desenvolve conteúdos educativos na área de História.