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Exercícios sobre interpretação de poemas para Ensino Médio (com gabarito)

Márcia Fernandes
Márcia Fernandes
Professora de Língua Portuguesa e Literatura

A interpretação de poemas é uma habilidade essencial no Ensino Médio. Ao ler um poema, é preciso considerar não apenas o que é dito, mas como é dito e em que contexto histórico e literário se insere.

Os exercícios a seguir reúnem questões de interpretação de poemas com gabarito, baseadas em autores consagrados da literatura brasileira e portuguesa, e ajudam a desenvolver a leitura crítica e a preparação para provas, vestibulares e o ENEM.

Leia o poema a seguir e responda às questões 1 e 2.

Poema em linha reta, Fernando Pessoa

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

(...)

Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe — todos eles príncipes — na vida…

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os ouço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?

Ó príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos — mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que tenho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

Questão 1

No poema, o eu lírico afirma: "eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído". Qual é a função dessa afirmação no contexto do poema?

A) Expressar orgulho por não ter sido traído.

B) Denunciar a hipocrisia das pessoas ao seu redor.

C) Mostrar que o ridículo é resultado da traição amorosa.

D) Ressaltar a superioridade moral de quem nunca errou.

Gabarito explicado

Alternativa certa: B) Denunciar a hipocrisia das pessoas ao seu redor.

O eu lírico destaca que, mesmo sem ter sofrido grandes traições, sente-se constantemente ridículo e vil. Isso evidencia a hipocrisia e artificialidade das pessoas ao seu redor, que aparentam perfeição e nunca confessam falhas humanas.

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Questão 2

O verso "Ó príncipes, meus irmãos / Arre, estou farto de semideuses!" revela:

A) Admiração pelos amigos ideais.

B) Indiferença em relação aos outros.

C) Alegria com a simplicidade das relações humanas.

D) Frustração diante de pessoas que aparentam perfeição.

Gabarito explicado

Alternativa certa: D) Frustração diante de pessoas que aparentam perfeição.

O eu lírico está cansado de encontrar apenas pessoas perfeitas, irreais, que nunca revelam suas falhas. A expressão “semideuses” indica idealização e distância da humanidade real.

Leia o poema a seguir e responda às questões 3 e 4.

Pronominais, Oswald de Andrade

Dê-me um cigarro
Diz a gramática
Do professor e do aluno
E do mulato sabido
Mas o bom negro e o bom branco
Da Nação Brasileira
Dizem todos os dias
Deixa disso camarada
Me dá um cigarro

Questão 3

O poema sugere que:

A) A linguagem popular possui legitimidade e significado próprio.

B) Apenas a gramática define o que é correto.

C) O bom negro e o bom branco devem obedecer à norma culta.

D) A língua deve ser rigidamente controlada.

Gabarito explicado

Alternativa certa: A) A linguagem popular possui legitimidade e significado próprio.

O poema valoriza a oralidade e diversidade linguística. Ao valorizar a forma “Me dá um cigarro”, o autor defende que a linguagem popular também comunica bem e tem valor, mesmo não seguindo a norma culta. Assim, a gramática não é a única forma legítima de usar a língua.

Questão 4

Ao afirmar “Dê-me um cigarro / Diz a gramática” e, em seguida, “Me dá um cigarro”, o poema estabelece uma crítica que se relaciona ao contexto do Modernismo brasileiro porque:

A) Reforça o distanciamento entre língua escrita e literatura.

B) Defende a imposição rígida da norma culta.

C) Valoriza a linguagem coloquial como expressão da identidade nacional.

D) Desconsidera completamente a importância da gramática.

Gabarito explicado

Alternativa certa: C) Valoriza a linguagem coloquial como expressão da identidade nacional.

O Modernismo buscava romper com modelos tradicionais e valorizar a fala brasileira real, cotidiana. O poema defende a legitimidade da língua falada, sem negar a existência da norma, mas questionando sua exclusividade.

Leia o poema a seguir e responda à questão 5.

Quadrilha, Carlos Drummond de Andrade

João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.

Questão 5

O poema "Quadrilha" apresenta a seguinte sequência: João amava Teresa que amava Raimundo… O efeito desse encadeamento de amores revela:

A) O caráter cíclico e absurdo das relações humanas.

B) Uma narrativa linear de vida adulta.

C) A moralidade das escolhas amorosas.

D) O desfecho trágico das paixões.

Gabarito explicado

Alternativa certa: A) O caráter cíclico e absurdo das relações humanas.

A sequência de pessoas que amam quem não as ama cria uma situação repetitiva e sem solução. Isso gera um efeito de ironia e absurdo, mostrando que as relações humanas nem sempre seguem uma lógica clara ou têm um final feliz.

Leia o poema a seguir e responda às questões 6 e 7.

Catar feijão, João Cabral de Melo Neto

Catar feijão se limita com escrever:
joga-se os grãos na água do alguidar
e as palavras na folha de papel;
e depois, joga-se fora o que boiar.
Certo, toda palavra boiará no papel,
água congelada, por chumbo seu verbo:
pois para catar esse feijão, soprar nele,
e jogar fora o leve e oco, palha e eco.

Ora, nesse catar feijão entra um risco:
o de que entre os grãos pesados entre
um grão qualquer, pedra ou indigesto,
um grão imastigável, de quebrar dente.
Certo não, quando ao catar palavras:
a pedra dá à frase seu grão mais vivo:
obstrui a leitura fluviante, flutual,
açula a atenção, isca-a como o risco.

Questão 6

O poema compara o ato de “catar feijão” com “catar palavras”. Isso evidencia:

A) Uma metáfora que relaciona trabalho manual e criação poética.

B) Que a poesia é fácil de produzir.

C) Uma crítica ao trabalho rural.

D) Um elogio à agricultura tradicional.

Gabarito explicado

Alternativa certa: A) Uma metáfora que relaciona trabalho manual e criação poética.

O poeta compara escrever um poema a catar feijão porque, nos dois casos, é preciso escolher com cuidado. Assim como se retiram os grãos ruins, o poeta seleciona as palavras certas, mostrando que a poesia exige trabalho, atenção e escolha consciente.

Questão 7

O efeito do poema de João Cabral é:

A) Alegria e leveza absoluta.

B) Reflexão sobre o trabalho da escrita e a importância da precisão.

C) Confusão e dificuldade de compreensão.

D) Humor e ironia com a linguagem cotidiana.

Gabarito explicado

Alternativa certa: B) Reflexão sobre o trabalho da escrita e a importância da precisão.

O poema leva o leitor a refletir sobre como a poesia é construída. Ele mostra que escrever não é algo automático, mas um processo que exige precisão, revisão e esforço, valorizando o trabalho cuidadoso do poeta.

Leia o poema a seguir e responda à questão 8.

Humildade, Cora Coralina

Senhor, fazei com que eu aceite
minha pobreza tal como sempre foi.

Que não sinta o que não tenho.
Não lamente o que podia ter
e se perdeu por caminhos errados
e nunca mais voltou.

Dai, Senhor, que minha humildade
seja como a chuva desejada
caindo mansa,
longa noite escura
numa terra sedenta
e num telhado velho.

Que eu possa agradecer a Vós,
minha cama estreita,
minhas coisinhas pobres,
minha casa de chão,
pedras e tábuas remontadas.

E ter sempre um feixe de lenha
debaixo do meu fogão de taipa,
e acender, eu mesma,
o fogo alegre da minha casa
na manhã de um novo dia que começa.

Questão 8

A enumeração de elementos simples — “minha cama estreita, / minhas coisinhas pobres, / minha casa de chão” — contribui para:

A) Reforçar a ideia de resignação forçada.

B) Criar um tom de lamento e sofrimento.

C) Valorizar a simplicidade como fonte de dignidade e gratidão.

D) Denunciar a exclusão social de forma agressiva.

Gabarito explicado

Alternativa certa: C) Valorizar a simplicidade como fonte de dignidade e gratidão.

A enumeração não tem tom de queixa, mas de agradecimento. O poema constrói uma visão positiva da simplicidade, associando-a à humildade consciente e serena, característica da poética de Cora Coralina.

Continue praticando:

Exercícios de interpretação de texto para 1º ano do Ensino Médio (com gabarito)

Exercícios de interpretação de texto para 2º ano do Ensino Médio (com gabarito)

Exercícios de interpretação de texto para 3º ano do Ensino Médio (com gabarito)

Márcia Fernandes
Márcia Fernandes
Professora, produz conteúdos educativos desde 2015. Licenciada em Letras pela Universidade Católica de Santos (habilitação para Ensino Fundamental II e Ensino Médio) e formada no Curso de Magistério (habilitação para Educação Infantil e Ensino Fundamental I).