Filosofia Política

Juliana Bezerra

Filosofia política é uma vertente da filosofia cujo objetivo é estudar as questões a respeito da convivência entre o ser humano e as relações de poder.

Também analisa temas a respeito da natureza do Estado, do governo, da justiça, da liberdade e do pluralismo.

A política, na filosofia, deve ser entendida num sentido amplo, que envolve as relações entre os habitantes de uma comunidade e seus governantes e não apenas como sinônimo de partidos políticos.

Definição de Filosofia Política

A filosofia política ocidental surgiu na Grécia antiga e dizia a respeito sobre a convivência dos habitantes dentro das cidades-estado gregas. Estas eram independentes e muitas vezes rivais entre si.

Tais cidades contemplavam as mais variadas formas de organização política como a aristocracia, democracia, monarquia, oligarquia e, até, a tirania.

À medida que as cidades foram crescendo, o termo política passou a ser aplicado a todas as esferas onde o poder estava envolvido.

Assim, num sentido amplo, existe política desde aqueles que habitam aldeias, como aqueles que moram em estados-nacionais.

Curiosidade

A palavra política é de origem grega (pólis) e significa cidade.

Principais Filósofos Políticos

Inúmeros autores se dedicaram à filosofia política, porém destacaremos os mais importantes como Aristóteles, Nicolau Maquiavel e Jean-Jacques Rousseau.

Aristóteles

Filosofo grego Aristóteles
Aristóteles descreveu a política como um meio pelo qual a coletividade chega à felicidade

Entre as obras mais influentes da filosofia política está a "Política", de Aristóteles.

O pensamento de Aristóteles aponta que a natureza humana é a justificativa para o homem viver em grupo e esta é uma das características principais que torna homens e mulheres seres humanos.

A finalidade da vida humana é ser feliz e fazer os outros felizes. Desta maneira, Aristóteles aponta que o "homem é um animal político", no sentido que ele vive em comunidade.

É importante lembrar que, para Aristóteles, a política era um desdobramento da ética e sem esta não era possível fazer política.

A teologia cristã apropriou-se do pensamento de Aristóteles e o utilizou largamente, conciliando o pensamento cristão com o a filosofia aristotélica.

Essa corrente é percebida nas obras de Santo Agostinho, que enfatiza o Estado como instrumento de aplicação da moral; e São Tomás de Aquino, cuja filosofia escolástica dominou o pensamento europeu por muitos séculos.

Nicolau Maquiavel

Nicolau Maquiavel
Nicolau Maquiavel, autor de "O Príncipe" , inaugura uma forma distinta de pensar a política

O rompimento do entendimento europeu sobre a filosofia política se dá a partir da obra de Nicolau Maquiavel (1469-1527). Em "O Príncipe" e "Os Discursos", o filósofo pondera que o bem e o mal são apenas meios de chegar ao fim.

Dessa maneira, os atos dos governantes não são bons ou maus por si mesmos. Eles devem ser analisados tendo em conta o objetivo final que teriam.

Maquiavel desvincula a política da moral, da ética e da religião cristã. O objetivo é estudar a política pela política e afastar outras áreas que possam afetar seu resultado.

Iluminismo

Rousseau
Rousseau defendia que a soberania política vinha do povo

O Iluminismo impõe uma nova ordem do pensamento ao privilegiar a reflexão científica. O Absolutismo é questionado gerando uma série de obras que visam ponderar sobre a origem dos governos e da política.

Neste período, a Europa passa a viver uma espécie de era do ouro da filosofia política, com trabalhos de John Locke (1632 -1704), posteriormente, Voltaire (1694-1778) e Jean Jacques Rousseau (1712-1778).

Jean-Jacques Rousseau

Jean-Jacques Rousseau está entre os autores de destaque dessa época. Sua obra, "O Contrato Social", publicada em 1762, é uma das mais influentes obras de filosofia política.

Nela, Rousseau argumenta que os seres humanos fazem uma espécie de contrato social com os governantes. Em troca de deixarem a liberdade - o estado natural - alguém superior se encarregará de fazer leis e fiscalizá-las. Somente desta maneira, os seres humanos poderão viver em paz e prosperar.

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Juliana Bezerra
Juliana Bezerra
Bacharelada e Licenciada em História, pela PUC-RJ. Especialista em Relações Internacionais, pelo Unilasalle-RJ. Mestre em História da América Latina e União Europeia pela Universidade de Alcalá, Espanha.