Geonocídio em Ruanda (1994)

Juliana Bezerra

O genocídio em Ruanda foi o assassinato em massa de membros da etnia tutsi cometido por representantes da etnia hutu, ocorrido de 7 de abril de 1994 a 15 de julho de 1994.

Os hutus também mataram hutus moderados e membros da etnia twa.

Massacre de Ruanda

Em 6 de abril de 1994, o presidente de Ruanda, o hutu Juvénal Habyarimana, é assassinado em pleno voo quando voltava da Tanzânia. Horas depois, a primeira-ministra ruandesa Agathe Uwilingiyimana seria morta por hutus da Guarda Presidencial.

O atentado a Juvénal Habyarimana nunca ficou esclarecido, porém os hutus se aproveitaram e apontaram os tutsis como responsáveis.

Assim, estes dois crimes foram o pretexto para que as milícias hutus mandassem mensagens pelo rádio, clamando à população hutu que eliminassem os tutsis. Os líderes das milícias prometiam aos assassinos as propriedade das vítimas e a impunidade.

Deste modo, no dia 7 de abril de 1994, começa a caça aos tutsis em todo país. A violência foi indescritível e todo o tipo de brutalidade foi cometido contra tutsis e hutus moderados, que estavam contra a matança ou tentaram ajudar os tutsis.

Calcula-se que cerca de 800.000 a um milhão de pessoas foram mortas em cem dias, o equivalente a 70% da população tutsi.

A comunidade internacional se recusou a intervir no genocídio. Os Estados Unidos haviam se envolvido com a Somália e havia sido derrotado, por isso, não estavam dispostos a entrar em mais um conflito num país africano.

A Bélgica saiu de Ruanda após a morte de dez soldados belgas quando defendiam a primeira-ministra Agathe Uwilingiyimana. A França também se retirou de Ruanda, apesar da amizade que uniam ambos os países.

Já as Forças de manutenção da paz das Nações Unidas, os "cascos-azuis", tiveram seu efetivo reduzido de 2.700 soldados para pouco mais de duzentos. Isso aconteceu por causa das pressões dos Estados Unidos.

O massacre terminou quando a Frente Patriótica Ruandesa derrotou o Poder Hutu, em julho de 1994.

Genocídio em Ruanda
Um visitante no Memorial do Genocídio, em Kigali (Ruanda)

Diferença entre hutus e tutsis

A diferença mais significativa entre hutus e tutsis não tem a ver com características físicas ou linguísticas. A questão se relaciona com atividades econômicas e a divisão de poder.

Tradicionalmente, os hutus eram agricultores, enquanto os tutsis, se dedicavam à criação de gado, e neste sentido, os tutsis eram mais ricos que os hutus.

Igualmente, as posições mais altas dentro do reino ruandês estavam destinadas aos tutsis, embora os hutus pudessem participar como conselheiros.

Esta divisão étnica, contudo, não era impedimento para que as pessoas de ambas as etnias se casassem ou servissem o Exército juntas.

A partir de 1916, a Bélgica dominou Ruanda e, a fim de melhor controlar a população, os belgas se aproveitaram da natural divisão étnica que existia no local.

Os tutsis representavam 14% da população ruandesa, enquanto os hutus, 84%; e o restante eram composto por diversas etnias como a twa.

Na década de 20 do século XX, existiam várias teorias raciais na Europa, que buscavam provar a supremacia das raças. Com esta ideia, os belgas introduziram um novo conceito em Ruanda: havia características físicas nos tutsis que os faziam mais capazes intelectual e fisicamente que os hutus.

Portanto, aos tutsis foi dado o direito de ir à escola e ocupar cargos importantes do governo colonial, enquanto os hutus eram marginalizados. Desta maneira, foi crescendo a desconfiança e o rancor entre as etnias.

Em 1962, quando os belgas se foram e Ruanda declarou sua independência, os hutus se vingaram e passaram a ocupar o governo. Isso acarretou na fuga de vários ruandeses tutsis para os países vizinhos e ali formaram a Frente Patriótica Ruandense.

Vários atritos ocorreram entre a Frente Patriótica Ruandense, liderada por Paul Kagami, e o Poder Hutu, organização extremista hutu. Em 1994, o presidente Juvénal Habyarimana aceita assinar um tratado de paz, enfurecendo os hutus radicais.

Seu avião é abatido quando voltava da Tanzânia e os hutus sentiram-se livres para massacrar os tutsis impunemente. Sem apoio exterior, a Frente Patriótica Ruandense derrota o Poder Hutu e termina com a matança. Até hoje, os ruandenses tentam se reconciliar com seu passado recente e seguir adiante.

Juliana Bezerra
Juliana Bezerra
Bacharelada e Licenciada em História, pela PUC-RJ. Especialista em Relações Internacionais, pelo Unilasalle-RJ. Mestre em História da América Latina e União Europeia pela Universidade de Alcalá, Espanha.