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Guerra Fria: o que foi, suas causas e consequências (resumo)

Lucas Pereira
Lucas Pereira
Professor de História

A Guerra Fria foi um período de disputa política, econômica e ideológica entre dois blocos de países: os capitalistas, liderados pelos Estados Unidos, e os socialistas, liderados pela União Soviética.

Esta disputa teve início após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), mais precisamente em 1947. Neste ano, o presidente americano Harry Truman fez um discurso no Congresso americano, afirmando que os Estados Unidos poderiam intervir para proteger a "liberdade dos povos" quando ameaçada nas diferentes partes do mundo.

Esta época ficou assim conhecida porque ambas as potências nunca se enfrentaram diretamente num conflito bélico.

O fim da Guerra Fria é marcado pela dissolução e fim da URSS, em 1991. Os Estados Unidos saíram vencedores deste conflito.

Neste conteúdo você encontra:

Início da Guerra Fria (1947) e suas causas

Em 1947, visando combater o comunismo e a influência soviética, o presidente dos Estados Unidos, Harry Truman, fez um importante discurso no Congresso americano.

Nesse discurso, afirmou que os Estados Unidos apoiariam as nações livres que desejassem resistir a tentativas de dominação externa. Essa dominação se referia ao crescimento da União Soviética e à expansão de sua influência sobre novos territórios.

No mesmo ano, o secretário de Estado norte-americano George Marshall propôs o Plano Marshall, que previa a ajuda econômica aos países da Europa Ocidental. O plano tinha como objetivo reconstruir os países destruídos pela Segunda Guerra Mundial e, ao mesmo tempo, alinhá-los à influência capitalista e norte-americana.

Na prática, o Plano Marshall buscava evitar que novas revoluções socialistas levassem os EUA a perder áreas de influência para a URSS.

Como resposta, a União Soviética criou o Kominform, organismo responsável por fortalecer os partidos comunistas europeus, além de afastar tais países da influência norte-americana.

Além disso, em 1949, a União Soviética propõe o Comecon, um programa de cooperação econômica voltado para os países socialistas.

A divisão entre os países europeus alinhados aos Estados Unidos e aqueles ligados à União Soviética ficou conhecida como “cortina de ferro”.

Expansão da Guerra Fria

Ao fim da Segunda Guerra Mundial, a Europa ficou dividida em duas partes. Essa divisão correspondia aos avanços de tropas soviéticas e americanas durante a Segunda Guerra.

A parte oriental ficou sob influência da União Soviética. Com apoio dos soviéticos, partidos comunistas locais assumiram o poder e estabeleceram as chamadas democracias populares na Romênia, Bulgária, Hungria, Polônia e Checoslováquia.

Na Europa Oriental, apenas a Iugoslávia e a Albânia estabeleceram regimes socialistas com maior independência da União Soviética.

Por outro lado, a parte ocidental, ocupada principalmente por tropas inglesas e norte-americanas, ficou sob a influência dos Estados Unidos. Nessa área, consolidaram-se democracias liberais, com exceção das ditaduras na Espanha e em Portugal.

As duas superpotências buscavam ampliar suas áreas de influência no mundo, intervindo direta ou indiretamente nos assuntos internos destes países.

OTAN e o Pacto de Varsóvia

A Guerra Fria provocou a formação de duas alianças político-militares:

  • A Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN);
  • O Pacto de Varsóvia.

A OTAN, fundada em 1949, era composta inicialmente por Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, França, Islândia, Bélgica, Países Baixos, Luxemburgo, Dinamarca, Noruega, Portugal e Itália. Mais tarde juntaram-se Alemanha Ocidental, Grécia e Turquia.

Em 1955, em represália, a União Soviética criou o Pacto de Varsóvia, para impedir o avanço capitalista em sua área de influência. No ano de sua fundação faziam parte URSS, Albânia, Alemanha Oriental, Bulgária, Tchecoslováquia, Hungria, Polônia e Romênia.

Os dois pactos tinham em comum o compromisso de mútua proteção entre seus membros, pois entendiam que a agressão a um deles atingiria a todos.

O Pacto de Varsóvia desapareceu entre 1990 e 1991, em consequência do fim dos regimes socialistas do Leste europeu. Do outro lado, a OTAN perdeu o significado que lhe deu origem.

Disputas na Guerra Fria

No início dos anos 60, a construção do Muro de Berlim, em 1961; e a crise dos mísseis, em 1962, provocaram o aumento das tensões internacionais.

Muro de Berlim (1961)

A construção do Muro de Berlim, em 1961, dividiu a cidade de Berlim entre Berlim Ocidental (capitalista) e Berlim Oriental (socialista).

O objetivo era impedir a saída de profissionais e trabalhadores qualificados que deixavam a socialista Alemanha Oriental em busca de melhores condições de vida na capitalista Berlim Ocidental.

O muro tornou-se um dos principais símbolos da Guerra Fria, representando a divisão do mundo entre ambos os blocos.

Crise dos Mísseis (1962)

A crise dos mísseis teve origem na pretensão soviética de instalar bases e lançamento de mísseis em Cuba. Se isto se concretizasse, seria uma ameaça constante para os Estados Unidos.

Pela proximidade de Cuba com os Estados Unidos, os mísseis poderiam atingir o território norte-americano em poucos minutos, abalando o equilíbrio entre as superpotências.

A reação americana se fez imediata, através de um bloqueio naval sobre Cuba, o único país da América que havia adotado o regime socialista. A situação aumentou as tensões, pois havia o risco real de um conflito militar de grandes proporções.

As negociações foram tensas, mas os soviéticos desistiram de colocar os mísseis em Cuba. Em troca, os Estados Unidos fizeram o mesmo nas suas bases na Turquia, seis meses depois.

Corrida espacial

Outra característica da Guerra Fria foi a Corrida Espacial, iniciada no final da década de 50.

Muito dinheiro, tempo e pesquisa foram investidos pela URSS e pelos EUA para saber quem dominaria a órbita terrestre e o espaço.

Os soviéticos saíram na frente, em 1957, com o satélite Sputnik, mas os americanos avançaram posteriormente e realizaram a primeira chegada do homem à Lua, em 1969.

A corrida espacial não incluía somente o objetivo de levar pessoas ao espaço. Também fazia parte do projeto desenvolver armas de longo alcance, como mísseis intercontinentais e escudos espaciais.

Linha do tempo da Guerra Fria

linha do tempo da Guerra Fria

O fim da Guerra Fria (1991)

Historiadores atribuem o fim da Guerra Fria ao fim da União Soviética, em 1991. Esse evento foi antecedido por outro marco importante do período: a Queda do Muro de Berlim, em 1989.

O conflito ideológico foi encerrado graças às negociações estabelecidas entre os governos de Ronald Reagan (EUA) e Mikhail Gorbachev (URSS), na década de 80.

A queda do Muro de Berlim foi o marco visível que simbolizou o enfraquecimento dos regimes socialistas no Leste europeu. Após sua derrubada, os regimes socialistas aos poucos entraram em colapso. Em outubro de 1990, as duas Alemanhas foram finalmente unificadas.

Da mesma forma, o fim da URSS, em 1991, inaugurou um novo período da história mundial, marcado pela ampliação da influência do capitalismo em diversas regiões do globo.

Consequências da Guerra Fria

Na economia, o fim da Guerra Fria impulsionou a expansão do capitalismo para diferentes partes do mundo.

As disputas ideológicas das décadas anteriores perderam força, e o capitalismo passou a se afirmar como o principal modelo econômico.

Nesse contexto, ganhou destaque o neoliberalismo, que defende a redução da intervenção do Estado na economia.

Com a desintegração da União Soviética, surgiram quinze novos países. Na Europa, ocorreram a separação da Tchecoslováquia e os conflitos que marcaram a desintegração da Iugoslávia.

As instituições lideradas pela União Soviética desapareceram. O Pacto de Varsóvia chegou ao fim entre 1990 e 1991, em consequência do colapso dos regimes socialistas do Leste europeu.

Com o fim da Guerra Fria, a própria OTAN deixou de ter como principal objetivo o confronto com a União Soviética. Passou então a atuar em outras frentes, como intervenções militares e ações ligadas à segurança internacional.

Alguns resquícios da Guerra Fria no mundo atual são a separação da Coreia do Norte e do Sul, a existência de ogivas nucleares americanas em bases da Alemanha e a tensão nas relações entre a Rússia e os Estados Unidos.

Vídeo explicando a Guerra Fria (em resumo)

Guerra Fria - Toda Matéria Ver no YouTube

Para praticar: Questões sobre Guerra Fria

Leia também:

Referências Bibliográficas

FREITAS NETO, José Alves de e TASINAFO, Célio Ricardo. História Geral e do Brasil. São Paulo: Harbra, 2006.

HOBSBAWM, Eric J. A era dos Extremos: o breve século XX - 1914-1991. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.

VIEIRA, Neide Paiva - Guerra Fria: Desafio, Confrontos e Historiografia - Caderno Pedagógico. Maringá: Secretária de Educação do Estado do Paraná, 2008.

Documentário:

Um Século de Guerras - A Cortina de Ferro (Guerra Fria). Produção: Nugus/Martin Productions Ltd. Reino Unido. Ano: 1993. Disponível no canal Museu do Vizao. Consultado 25.06.2020.

Lucas Pereira
Lucas Pereira
Bacharel e Licenciado em História pela Universidade Estadual de Campinas (2013), com mestrado em Ensino de História pela mesma instituição (2020). Atua como professor de História na educação básica e em cursos pré-vestibulares desde 2013. Desde 2016, também desenvolve conteúdos educativos na área de História.