Jogos cooperativos: o que são e exemplos

Pedro Menezes

Os jogos cooperativos são práticas que geram um ambiente de coletividade e ajuda entre os participantes. Seus objetivos focam na resolução de tarefas e desafios com a participação de todos.

Esse tipo de jogo visa estabelecer relações de confiança e parceria em um clima descontraído, proporcionando o fortalecimento do grupo e a empatia entre as pessoas.

O que são jogos cooperativos?

Em sua prática, os jogos cooperativos não possuem eliminações, exclusões, vencedores e perdedores. Em geral, o modo como a tarefa se desenvolve e a interação entre os participantes tornam-se o ponto central.

Os participantes compreendem-se sempre como parceiros, e nunca como adversários. Isso, estimula a participação de todos e o respeito às diferenças.

Por não haver adversários, os jogos cooperativos evitam comportamentos como: enganar, trapacear ou de tirar vantagem do outro para conseguir o seu próprio sucesso.

O desafio consiste na superação de medos, inseguranças e da dificuldade de agir e pensar coletivamente.

Os jogos cooperativos cumprem um importante papel de didático e servem como uma metáfora da vida, onde muitas vezes é necessário unir forças para alcançar uma determinada meta.

10 tipos de jogos cooperativos para Educação Física (e não só)

São inúmeros exemplos possíveis. Qualquer forma lúdica ou simbólica de cumprimento de uma meta coletiva pode ser compreendido como um jogo colaborativo.

Sendo assim, separamos alguns exemplos que podem se reproduzidos ou inspirar novas atividades.

Hoje em dia, os jogos cooperativos têm uma grande visibilidade e tornaram-se tendência na área de Educação Física.

Isso ocorre por conta de diversos estudos que mostram as vantagens dos jogos cooperativos em relação aos jogos competitivos tradicionais.

1. Esporte Cooperativo

Objetivo geral: Descentralizar a perspectiva da competição no esporte e desenvolver relações empáticas e solidárias.

Material necessário: os mesmos utilizados para a prática desportiva comum: bolas, cones, marcações de espaço, quadras, etc.

Nesse tipo de prática, toma-se como base uma modalidade esportiva qualquer (vôlei, basquete, futebol, queimado, etc.) e readaptam-se algumas regras para favorecer a cooperação:

  • Rodízio - o marcador do ponto passa para a outra equipe. Podem ser estabelecidos outros critérios para esse rodízio entre as equipes (tempo ou quando a bola sair, por exemplo).
  • Todos passam - o ponto só é validado se todos da equipe participarem da jogada.

2. Lençolbol

Objetivo geral: Exercitar a contribuição coletiva para a resolução de uma tarefa.

Objetivo específico: Controlar e arremessar a bola ao cesto.

Material necessário: Lençol (ou outro tecido), bola e cesto.

No Lençolbol, os integrantes da equipe seguram as extremidades de um lençol e controlam uma bola em cima desse lençol.

A equipe deve executar uma tarefa: encestar a bola ou realizar um determinado percurso.

3. Vôlei Infinito

Objetivo geral: Desenvolver a participação e o êxito coletivo em detrimento do êxito pessoal ou de um pequeno grupo em função do todo.

Objetivo específico: Manter a bola em jogo com a participação de todos os jogadores e desenvolver fundamentos do vôlei (manchete e toque).

Material necessário: Bola, quadra de vôlei e cronômetro.

O vôlei infinito é como um jogo normal de voleibol. Entretanto, o objetivo não é fazer pontos na equipe adversária, e sim, manter a bola no alto realizando o maior número de passes possíveis.

Para isso, pode ser estabelecido um limite de tempo pré-estabelecido, como meta do número de passes e/ou passes por jogador. O mesmo pode ser feito com o futevôlei.

4. Caneta na garrafa

Objetivo geral: Exercitar a colaboração de todos para a resolução de uma tarefa comum.

Objetivo específico: Fazer com que a caneta entre no gargalo da garrafa.

Material necessário: Rolo de barbante, caneta e uma garrafa pet.

O barbante deve ser dividido em pedaços iguais de, mais ou menos, dois metros de comprimento, um por participante.

As pontas dos pedaços devem ser unidas e amarradas no centro. Nessa junção entre as partes, deve ser amarrado um pequeno pedaço de barbante (de aproximadamente 30 cm) preso a uma caneta.

A garrafa deve ser posta no chão e com as cordas esticadas, a equipe deve colocar a caneta dentro da garrafa. O mesmo pode ser feito com os alunos de olhos fechados ou de costas para a garrafa. Nesse caso, as instruções para o movimento deve ser dado por um dos colegas.

5. O Troféu

Objetivo geral: Exercitar a destreza, a sincronia e o trabalho em equipe.

Objetivo específico: Conduzir a bola equilibrada na madeira pelo percurso determinado.

Material necessário: Bola e pedaços de madeira (ou cabos de vassoura).

Cada participante da equipe recebe um pedaço de madeira. Por não ser possível equilibrar a bola em apenas uma madeira, a equipe deve se organizar para que a junção das madeiras de todos os integrantes forme uma base para conduzir a bola.

A tarefa faz com que a equipe tenha que planejar seus movimentos conjuntamente para manter a bola em equilíbrio.

6. Desenho às cegas

Objetivo geral: Exercitar a comunicação, dar e receber orientações e instruções.

Objetivo específico: Reproduzir um desenho sem conhecê-lo e de olhos vendados, seguindo apenas as orientações do companheiro.

Material necessário: Caneta ou lápis, papel e vendas para os olhos.

Para a atividade, devem-se formar duplas. Cada dupla recebe uma folha de papel, caneta ou lápis e uma venda (pode pedir para os participantes, simplesmente fecharem os olhos).

Um integrante da dupla deve fechar ou ter olhos vendados, o outro recebe um desenho, que deverá ser reproduzido por seu companheiro vendado.

Os desenhos variam seu grau de complexidade de acordo com a idade dos participantes. Podem ser trazidos e distribuídos pelo professor/mediador ou desenhados no quadro para os participantes videntes.

Cabe ao integrante vidente dar orientações para a reprodução do desenho pelo companheiro vendado. Ao final, as duplas compartilham o resultado com a turma e invertem-se os papéis.

7. Caneta coletiva

Objetivo geral: Exercitar a destreza, sincronia entre pessoas e o trabalho em equipe.

Objetivo específico: Realizar um desenho ou escrita com uma caneta com fios controladas pela equipe.

Material necessário: Caneta ou pincel atômico, fita adesiva (opcional) e barbantes, pequenas cordas ou fios de malha.

Cada caneta deve ser amarrada por diversos fios de cerca de 30 cm, de acordo com a quantidade de componentes do grupo.

Cada integrante deve segurar e esticar seu fio de forma a manter a caneta suspensa no centro sobre uma folha de papel. Para facilitar, a folha pode ser presa à mesa com fita adesiva.

O professor/mediador deve pedir um desenho ou mensagem a ser escrita. O grupo deve controlar a caneta e realizar o desenho sobre a folha de papel.

Ao final, compartilha-se o resultado e são discutidos os desafios para a realização da tarefa.

8. Revista Maluca

Objetivo geral: Exercitar a criatividade e a comunicação.

Objetivo específico: Montar manchetes criativas e engraçadas a partir de palavras encontradas e rearranjadas de jornais.

Material necessário: Jornais e revistas, papéis, tesoura e cola.

A tarefa começa na formação de grupos de 3 a 6 integrantes, o material é distribuído entre os grupos, é proposto pelo professor/mediador a formação de novas manchetes engraçadas e criativas a partir de palavras encontradas em jornais e revistas.

A atividade é uma espécie de puzzle (quebra-cabeça) a partir do material recebido. Pode ser proposta a criação de desenhos que ilustrem as manchetes.

Ao final, as revistas criadas pelos diferentes grupos é apresentado para todos.

9. Gincana

Objetivos gerais: Desenvolver habilidades motoras e psíquicas e a percepção de características individuais e sua atuação em conjunto.

Material necessário e objetivos específicos: Dependem dos tipos de tarefas a serem realizadas. Podem ser utilizados os métodos de outros jogos cooperativos.

As gincanas são um modo de estabelecer a cooperação e o trabalho em equipe. Cabe aos professores ou mediador elaborar uma série de tarefas que devem ser realizadas coletivamente.

É importante que haja uma variedade de requisitos para o desenvolvimento da tarefa. Isto é, tarefas físicas favorecem aqueles que possuem esse tipo de habilidade, mas podem desprivilegiar outros.

As gincanas podem envolver uma série de atividades isoladas ou mesmo em um percurso pré-definido contando com a utilização de diversas práticas cooperativas.

10. Sala de escapada (escape room)

Objetivo geral: Trabalhar coletivamente, gerir conflitos, valorizar habilidades e conhecimentos particulares.

Objetivo específico: Resolver problemas e desafios que conduzam ao êxito comum ("escapar da sala").

Material necessário: Sala ou ambiente fechado; material para decoração temática: cartazes, faixas, objetos, etc.; cadeados, cofres e afins.

O escape room é um jogo que tem chamado a atenção dos jovens. É uma releitura da tradicional caça ao tesouro.

O jogo consiste na tentativa de desvendar uma série de enigmas para que a equipe possa escapar da sala em um tempo previamente determinado.

A vantagem desse tipo de atividade é que, além da facilidade de engajamento de jovens e adultos, permite a utilização de uma ou mais áreas do conhecimento.

A diversidade dos enigmas pode fazer com que diferentes habilidades dos participantes sejam exigidas.

Cabe ao professor ou mediador, criar um ambiente do qual os participantes devam "escapar". Pode ser importante criar uma história inicial que contextualize a equipe naquele ambiente.

As diversas questões e desafios devem ser resolvidos em ordem para que possam resultar no sucesso da equipe.

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Pedro Menezes
Pedro Menezes
Licenciado em Filosofia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e Mestrando em Ciências da Educação pela Universidade do Porto (FPCEUP).