Política da Boa Vizinhança

Juliana Bezerra

A Política de Boa-Vizinhança foi uma política exterior estadunidense para a América Latina implementada durante o governo de Franklin D. Roosevelt.

Esta estratégia consistia em abandonar a intervenção militar nos países do continente americano e substituí-la pela diplomacia e aproximação cultural.

Origem da Política da Boa Vizinhança

A política da Boa Vizinhança tinha como objetivo mudar a imagem intervencionista dos Estados Unidos para a de um “bom vizinho”.

Por isso, ao invés de se atribuírem o direito de intervir militarmente nos países latino-americanos, os Estados Unidos preferiram utilizar a diplomacia.

Desta maneira, os americanos garantiam o fornecimento de matérias-primas e mercado para seus produtos, pois a Europa se encontrava em crise por causa da Crise de 1929.

Também desejavam diminuir a influência da Alemanha no continente e assim assegurar uma zona de aliados nesta área que lhes era tão perto geograficamente.

Desta maneira, um grupo de empresários, passa a formular uma estratégia de aproximação política para a América Latina, que será adotada pelo governo de Franklin Delano Roosevelt (1933-1945).

A política da Boa Vizinhança mirou, especialmente, em Cuba, Venezuela, México, Argentina e Brasil.

A Política de Boa Vizinhança e o Brasil

Getúlio Vargas e Franklin Roosevelt se encontram em Natal, RN
Getúlio Vargas e Franklin Roosevelt se encontram em Natal (RN), em janeiro de 1943, para decidir a participação do Brasil na Segunda Guerra Mundial

A política de Boa Vizinhança norte-americana coincidiu com o governo de Getúlio Vargas no Brasil.

Apesar de o governo Vargas ter inclinações fascistas e nacionalistas, a corrente pró-americana acabou prevalecendo.

Getúlio Vargas negociou com os americanos empréstimos a fim de modernizar o parque industrial brasileiro. Em troca, garantiu a entrada de produtos estadunidenses e fornecimento de matéria-prima.

Do mesmo modo, em termos de política externa, o Brasil, num primeiro momento se declarou neutro diante da guerra e, depois, participou do conflito.

Importante lembrar que aqueles que simpatizavam com o nazismo e o fascismo no Brasil foram perseguidos, assim como foram proibidas as escolas que ensinavam em língua estrangeira.

Política da Boa Vizinhança e Cultura

Cartaz do filme de Walt Disney
Cartaz do filme de Walt Disney, "Saludos Amigos", de 1942, apresentava a América Latina aos americanos

O lado mais visível da política da Boa Vizinhança é o cultural.

O Brasil foi visitado por grandes nomes da cultura americana como ator e diretor Orson Welles (1915-1985) e Walt Disney (1901-1966). Este criaria o personagem Zé Carioca, um papagaio brasileiro, que seria o anfitrião do Pato Donald no Rio de Janeiro no filme “Aquarela do Brasil”, com música de Ary Barroso (1903-1964).

Por sua vez, vários artistas brasileiros como Carmem Miranda (1909-1955) e o músico Heitor Villa-Lobos (1887-1959) foram aos Estados Unidos para colaborar na indústria cinematográfica.

Também o cineasta Luiz Carlos Barreto (1928) foi para Hollywood trabalhar como uma espécie de consultor, a fim de ver se os filmes realizados não "ofendiam" aos latinos.

Carmem Miranda

A grande estrela da época foi a cantora e atriz Carmem Miranda. A artista já era um fenômeno da música brasileira e conseguiu conquistar os americanos participando de musicais na Broadway e inúmeros filmes em Hollywood.

Critica-se que ela contribuiu para o estereótipo do latino-americano que canta, dança e se veste de maneira exótica.

Consequências da Política da Boa Vizinhança

Os anos de política da Boa Vizinhança deixaram uma marca profunda na cultura brasileira, pois os Estados Unidos passaram a ser a referência cultural do país.

Até os hábitos alimentares foram modificados com a inclusão de bebidas como milk-shake, refrigerantes, hambúrgueres e outras especialidades da cozinha norte-americana no cotidiano brasileiro.

A política da Boa Vizinhança terminou após o fim da Segunda Guerra, em 1946. A América Latina não era a prioridade dos americanos, pois já estava considerada como suficientemente conquistada em termos políticos e econômicos.

O continente só voltaria a ser alvo de preocupação após a Revolução Cubana, pois havia o temor que a região passasse para esfera de influência da União Soviética.

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Juliana Bezerra
Juliana Bezerra
Bacharelada e Licenciada em História, pela PUC-RJ. Especialista em Relações Internacionais, pelo Unilasalle-RJ. Mestre em História da América Latina e União Europeia pela Universidade de Alcalá, Espanha.