Pressão máxima de vapor: o que é e fatores (com exemplos)

Gustavo Alves
Gustavo Alves
Professor de Química

A pressão máxima de vapor (PMV) é uma propriedade física fundamental para entender como e por que os líquidos evaporam e fervem. Ela é, essencialmente, uma medida da "vontade" de um líquido escapar para o estado gasoso.

Para compreender o conceito, imagine um copo com água deixado sobre a mesa. Se você o esquecer lá por alguns dias, a água desaparecerá, certo? Isso é a evaporação, que ocorre porque algumas moléculas da superfície da água possuem energia cinética suficiente para superar as forças intermoleculares que as prendem ao líquido e se transformar em vapor.

A pressão máxima de vapor é a pressão exercida por essas moléculas de vapor quando o sistema atinge um estado de equilíbrio com o seu líquido. Nesse ponto de equilíbrio, a quantidade de moléculas que escapa do líquido para o vapor é exatamente igual à quantidade de moléculas que retorna do vapor para o líquido.

É chamada de "máxima" porque, a uma dada temperatura, essa pressão não pode aumentar mais enquanto o líquido e o vapor estiverem em coexistência em equilíbrio. Ela é, portanto, uma característica intrínseca de cada substância pura e depende exclusivamente da temperatura.

Neste conteúdo você vai encontrar:

Como se forma o equilíbrio líquido–vapor

O equilíbrio líquido-vapor é um processo dinâmico que ocorre em um sistema fechado. Vamos visualizar o que acontece em um recipiente onde colocamos um líquido, inicialmente puro:

  1. Evaporação inicial: As moléculas do líquido estão em constante movimento. Algumas, na superfície, adquirem energia cinética suficiente para romper as forças intermoleculares e escapar para o espaço acima do líquido (o espaço de vapor). Como o recipiente está fechado, essas moléculas ficam presas lá.

  2. Condensação: À medida que mais moléculas entram na fase de vapor, a pressão do vapor no recipiente aumenta. Algumas dessas moléculas de vapor colidem com a superfície do líquido e são "capturadas" de volta, voltando ao estado líquido. Esse processo é chamado de condensação.

  3. Estabelecimento do equilíbrio: Inicialmente, a taxa de evaporação é maior do que a taxa de condensação. Mas, conforme a concentração de moléculas no vapor aumenta, a taxa de condensação também aumenta. Eventualmente, a taxa de condensação se iguala à taxa de evaporação. Nesse momento, diz-se que o sistema atingiu o equilíbrio dinâmico.

  4. Pressão de vapor de equilíbrio: A pressão exercida pelo vapor sobre o líquido quando o equilíbrio é estabelecido é a pressão máxima de vapor (PMV) naquela temperatura específica. Nesse estado de equilíbrio, a quantidade de líquido e a quantidade de vapor permanecem constantes, mas as moléculas continuam a passar de um estado para o outro na mesma proporção.

Podemos visualizar esse processo com a seguinte imagem:

equilibrio dinamico da evaporação/condensação
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Fatores que alteram a pressão máxima de vapor

Como a pressão máxima de vapor é uma medida da intensidade das forças intermoleculares em um líquido, qualquer fator que afete essas forças ou a energia cinética das moléculas alterará a PMV. Os principais fatores são:

1. Temperatura

A temperatura é o fator mais importante que influencia a pressão máxima de vapor.

  • Aumento da temperatura: Quando a temperatura de um líquido aumenta, a energia cinética média de suas moléculas também aumenta. Isso significa que uma proporção maior de moléculas terá energia suficiente para superar as forças intermoleculares e escapar para a fase de vapor. O resultado é uma taxa de evaporação mais alta, o que leva a uma concentração maior de moléculas no vapor e, consequentemente, a uma pressão máxima de vapor mais alta.

  • Relação: A relação entre a pressão máxima de vapor e a temperatura não é linear; ela é exponencial, conforme descrito pela equação de Clausius-Clapeyron. P igual a A. e à potência de numerador menos delta maiúsculo H sobre denominador R T fim da fração fim do exponencial

Podemos visualizar essa relação com um gráfico:

pressão maxima de vapor de cada substância
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2. Forças intermoleculares

A natureza das forças intermoleculares em um líquido determina a facilidade com que suas moléculas podem escapar para a fase de vapor.

  • Forças fracas: Líquidos com forças intermoleculares fracas (como forças de London em hidrocarbonetos apolares) têm moléculas que escapam facilmente. Isso resulta em uma alta pressão máxima de vapor.

  • Forças fortes: Líquidos com forças intermoleculares fortes (como ligações de hidrogênio na água ou dipolo-dipolo em substâncias polares) têm moléculas que são fortemente atraídas umas pelas outras, dificultando o escape. Isso resulta em uma baixa pressão máxima de vapor.

3. Natureza da substância

Diferentes substâncias têm diferentes forças intermoleculares e, portanto, diferentes pressões máximas de vapor a uma dada temperatura. Isso está diretamente relacionado à volatilidade da substância.

Líquidos voláteis e não voláteis

Com base na sua pressão máxima de vapor, os líquidos podem ser classificados em voláteis e não voláteis.

  • Líquidos voláteis: São líquidos que possuem pressões máximas de vapor altas a temperatura ambiente e, portanto, evaporam rapidamente. Eles geralmente têm forças intermoleculares fracas e, consequentemente, baixos pontos de ebulição.

    • Exemplos: Éter etílico, acetona, álcool etílico (etanol), gasolina.

  • Líquidos não voláteis: São líquidos que possuem pressões máximas de vapor muito baixas a temperatura ambiente e, portanto, evaporam muito lentamente. Eles geralmente têm forças intermoleculares fortes e, consequentemente, altos pontos de ebulição.

    • Exemplos: Água, glicerina, mercúrio, óleos.

Pressão de vapor e temperatura de ebulição

A temperatura de ebulição de um líquido está intrinsecamente ligada à sua pressão máxima de vapor.

  • O que é ebulição: A ebulição é um processo físico em que a pressão máxima de vapor de um líquido se iguala à pressão atmosférica externa.

  • Ponto de ebulição normal: A temperatura na qual a pressão máxima de vapor de um líquido é igual à pressão atmosférica padrão ao nível do mar (1 atm ou 101,3 kPa ou 760 mmHg) é chamada de ponto de ebulição normal da substância.

  • Efeito da pressão atmosférica: Como a ebulição depende da igualdade entre a pressão de vapor e a pressão externa, a temperatura de ebulição varia com a altitude. Em grandes altitudes, a pressão atmosférica é menor. Portanto, a pressão máxima de vapor necessária para a igualdade é alcançada a uma temperatura mais baixa, o que significa que o líquido ferve a uma temperatura menor em altitudes elevadas.

Diagrama de fases e curva de pressão de vapor

A relação entre a pressão máxima de vapor e a temperatura para uma substância pura também é representada graficamente em um diagrama de fases.

  • Diagrama de fases: Um gráfico de pressão (eixo y) versus temperatura (eixo x) que mostra as condições de pressão e temperatura em que as fases sólida, líquida e gasosa de uma substância podem coexistir em equilíbrio.

  • Curva de pressão de vapor: A linha no diagrama de fases que separa a região líquida da região gasosa representa a curva de equilíbrio líquido-vapor. Cada ponto nessa curva representa a pressão máxima de vapor do líquido em uma temperatura específica. A curva termina no ponto crítico, acima do qual as fases líquida e gasosa são indistinguíveis (fluido supercrítico).

Vamos visualizar um diagrama de fases genérico, destacando a curva de pressão de vapor:

diagrama de fases
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Pressão de vapor nas propriedades coligativas

As propriedades coligativas são propriedades das soluções que dependem apenas do número de partículas de soluto dissolvidas, e não da natureza química dessas partículas. A pressão de vapor é a base para entender essas propriedades, em especial, a tonoscopia.

  • Tonoscopia (ou abaixamento da pressão de vapor): Quando um soluto não volátil (como o sal de cozinha ou açúcar) é dissolvido em um solvente puro (como a água), a pressão máxima de vapor da solução resultante é sempre menor do que a pressão máxima de vapor do solvente puro a uma dada temperatura.

  • Explicação: Isso ocorre porque as partículas de soluto não volátil ocupam parte da superfície do líquido, reduzindo a área disponível para as moléculas do solvente escaparem para a fase de vapor. Isso diminui a taxa de evaporação, mantendo a taxa de condensação inalterada até que um novo equilíbrio seja estabelecido, resultando em uma concentração menor de moléculas de vapor e, portanto, em uma menor pressão máxima de vapor.

O abaixamento da pressão de vapor é diretamente proporcional à fração molar do soluto na solução, conforme a Lei de Raoult Psolução = Xsolvente . Ppuro. Esse fenômeno tem consequências práticas importantes:

  1. Aumento da temperatura de ebulição (ebulioscopia): Como a pressão de vapor da solução é menor do que a do solvente puro, é necessária uma temperatura mais alta para que a pressão de vapor da solução atinja a pressão atmosférica externa. Portanto, as soluções têm pontos de ebulição mais altos do que os solventes puros.

  2. Diminuição da temperatura de congelamento (crioscopia): O abaixamento da pressão de vapor também afeta o ponto de congelamento da solução, fazendo com que ele seja mais baixo do que o do solvente puro. É por isso que, em países frios, o sal é espalhado nas estradas para derreter o gelo (a solução de sal e água congela a uma temperatura menor do que a água pura).

Podemos visualizar a tonoscopia com um gráfico comparativo:

Tonoscopia
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Veja também: Exercícios sobre as propriedades coligativas (com gabarito explicado)

Referências Bibliográficas

ATKINS, Peter; DE PAULA, Julio. Físico-química. Tradução de Ricardo Bicca de Alencastro. 8. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2008. v. 1.

FELTRE, Ricardo. Química: físico-química. 6. ed. São Paulo: Moderna, 2004. v. 2.

USBERCO, João; SALVADOR, Edgard. Química: volume único. 6. ed. São Paulo: Saraiva, 2005.

Gustavo Alves
Gustavo Alves
Licenciado em Química pelo Centro Universitário ETEP e Bacharel em Química pela USP. Pós-graduado em Metodologia do Ensino de Física e Química e em Química Analítica. Professor de Química e Matemática em Ensino Médio, Técnico e pré-vestibular. Experiência em edição de livros didáticos pela Editora FTD.

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