O que é a Quarta Revolução Industrial: uma explicação simples (com exemplos)

Lucas Pereira
Lucas Pereira
Professor de História

Quarta Revolução Industrial é o nome dado ao atual estágio da indústria e das relações produtivas na humanidade. Essa etapa teve início nos primeiros anos do século XXI, época de imensa popularização da internet e de avanços dos algoritmos e inteligências artificiais.

Ainda que o conceito cause debates entre pensadores, muitos economistas defendem a ideia de que vivemos esse novo período na história humana. Para eles, a indústria e a sociedade apresentam rupturas com estágios anteriores da industrialização, portanto, não são mais um mero desdobramento da Terceira Revolução Industrial.

Características da Quarta Revolução Industrial

Também chamada de Indústria 4.0, a Quarta Revolução Industrial tem como uma de suas características centrais a tendência à automação completa das indústrias. Isso seria possível através do desenvolvimento das inteligências artificiais (IA) e da enorme capacidade de processamento de dados em tempo real.

Essa é uma importante diferença entre a Indústria 4.0 e as indústrias da Terceira Revolução Industrial. Afinal, ainda que o estágio anterior já aplicasse a automação das indústrias e saberes da informática, ainda não havia condições técnicas para coletar dados e tomar decisões baseadas em IA conjuntamente com humanos.

Já na Quarta Revolução Industrial, isso é possível e cada vez mais realizado. É o que chamamos de indústria inteligente. Essa realidade resulta do desenvolvimento dos algoritmos, dos avanços da inteligência artificial e do compartilhamento de informações através da Internet das Coisas (IoT, na sigla em inglês), por exemplo.

A indústria inteligente, ilustrada como a Quarta Revolução Industrial, é resultado da integração de avanços técnicos que se desenvolvem mutuamente. Isso quer dizer que ela não é resultado de uma única tecnologia inovadora em específico, mas sim das interconexões de técnicas e campos do saber que se desenvolvem mutuamente.

Outra característica da Indústria 4.0 é o ritmo de sua evolução técnica, considerada ainda mais acelerada que as etapas anteriores. Atualmente, considera-se que as tecnologias se desenvolvem em ritmo exponencial. Isso seria resultado, sobretudo, do mundo profundamente conectado que vivemos.

Por exemplo, no século XIX, durante a Segunda Revolução Industrial, a eletricidade foi um dos principais avanços. Contudo, sua disseminação foi relativamente lenta, sendo que até hoje 1,3 bilhões de pessoas não têm acesso a ela no mundo, mesmo depois de quase dois séculos desde sua invenção.

Por sua vez, celulares modernos e ferramentas de pesquisas na internet, produtos e técnicas ligadas à Quarta Revolução Industrial, se espalharam rapidamente num intervalo de tempo muito menor.

Isso também seria resultado de uma redução nos custos ligados às empresas digitais, devido aos avanços técnicos recentes. Em outras palavras, os custos para desenvolver uma empresa digital atualmente são muito menores que em décadas anteriores, além de exigir um número relativamente reduzido de profissionais para seu funcionamento.

Todas essas inovações e características fazem as relações produtivas na humanidade vivenciarem um novo período, a Quarta Revolução Industrial.

E, além de afetar a indústria e a produção, ela tem implicações e impactos em todos os setores da atividade humana, como a política, a medicina e a educação, por exemplo, trazendo consigo novos dilemas e desafios.

Exemplos de tecnologias da Quarta Revolução Industrial

Como exemplos de tecnologias da Quarta Revolução Industrial, destacam-se os avanços ocorridos em áreas como

  • inteligência artificial (IA)
  • robótica
  • internet das coisas (IoT)
  • veículos autônomos
  • impressão em 3D
  • nanotecnologia
  • biotecnologia
  • big data
  • blockchain
  • ciência dos materiais
  • armazenamento de energia
  • e mesmo na computação quântica.

O progresso em cada um destes campos ocorre de maneira interconectada, compartilhando suas inovações com outras áreas tecnológicas e permitindo um avanço sistêmico da produtividade humana.

E, além de ser aplicado à produção industrial, esses avanços também provocam transformações profundas em outras atividades humanas, como a medicina, a educação, a economia, as finanças e até mesmo nas relações cotidianas das pessoas.

Consequências e desafios da Quarta Revolução Industrial

A Indústria 4.0 impactou profundamente o mercado de trabalho e a sociedade contemporânea. Muitas profissões deixaram de existir diante dos novos avanços da tecnologia, bem como novos postos e demandas surgiram, especialmente ligados à tecnologia.

Além disso, as novas potencialidades colocam novos desafios trabalhistas, como a formação de um mercado de trabalho globalizado. Por exemplo, atualmente é possível concorrer a empregos e contratar funcionários de outras partes do mundo, colocando desafios às estruturas trabalhistas nacionais e à proteção das empresas e do trabalhador.

Igualmente, as inovações da Quarta Revolução Industrial trazem também grandes desafios éticos e sociais.

Em primeiro lugar, há uma questão ética ligada à privacidade individual dos usuários. Se por um lado as tecnologias atuais buscam coletar o máximo de dados para ampliar sua capacidade de prever o comportamento humano, por outro, as pessoas têm sua privacidade cada vez mais violada.

Outra questão cara à Quarta Revolução Industrial é a segurança de dados. Com a crescente importância dos bancos de dados na Indústria 4.0, o vazamento de informações sensíveis dos usuários se torna um risco cada vez mais frequente.

Socialmente, a Quarta Revolução Industrial também encara a questão da desigualdade. O mundo permanece marcado por uma enorme concentração de renda numa diminuta parcela da população, o que dificulta a exploração integral das capacidades ligadas às novas tecnologias. É preciso reflexão e ação pública para que os novos processos produtivos não agravem o problema mundial da desigualdade.

Isso também dialoga com outra questão fundamental: o alcance da influência e do poder das grandes empresas de tecnologias. Atualmente, questionam-se os limites éticos de sua capacidade de pautar, e até mesmo moldar, os debates públicos e processos eleitorais, especialmente quando uma empresa atua em favor de determinado ponto de vista ou orientação política.

Finalmente, outros problemas graves ligados à Quarta Revolução Industrial dizem respeito às questões de sustentabilidade ambiental e ao esgotamento dos recursos naturais e à disseminação de notícias falsas, por exemplo.

Fases da Revolução Industrial

Em História, considera-se que há quatro fases da Revolução Industrial. São elas:

Primeira Revolução Industrial (1760-1850): Iniciada com a invenção da máquina a vapor por James Watt. Concentrou-se na Inglaterra, na indústria têxtil, e teve o carvão como principal combustível. A ferrovia surgiu como um novo meio de transporte.

Segunda Revolução Industrial (1850-1900): A industrialização se espalha pela Europa, para o Japão e para a América do Norte. O petróleo e a eletricidade passam a ser as principais fontes de energia. A siderurgia e o setor petroquímico têm rápido desenvolvimento, assim como os barcos a vapor e as invenções nas telecomunicações, como o telégrafo, o telefone e o rádio. Tem seu fim nas primeiras décadas do século XX.

Terceira Revolução Industrial (1950-1980): Iniciado no período pós-Segunda Guerra Mundial, é marcada pela flexibilização da produção, pela crescente importância dos computadores, da eletrônica e da robótica. A automação industrial ganha espaço, e formam-se novos centros industriais mundiais, como a China, a Coreia do Sul e a Índia.

Quarta Revolução Industrial (2010-atualmente): Estágio atual das relações produtivas humanas. Busca-se a automação completa da produção (indústrias inteligentes) num mundo cada vez mais digital e conectado. Caracterizado pela integração de áreas em acelerado desenvolvimento, como a inteligência artificial, os algoritmos, a internet das coisas (IoT), big data, a impressão 3D e a nanotecnologia, por exemplo.

Leia também:

Referências Bibliográficas

ARRUDA, José Jobson de A. e PILETTI, Nelson. Toda a História. São Paulo: Ática, 2007.

FREITAS NETO, José Alves de e TASINAFO, Célio Ricardo. História Geral e do Brasil. São Paulo: Harbra, 2006.

SCHWAB, Klaus. A quarta revolução industrial. São Paulo: Edipro, 2016.

Lucas Pereira
Lucas Pereira
Bacharel e Licenciado em História pela Universidade Estadual de Campinas (2013), com mestrado em Ensino de História pela mesma instituição (2020). Atua como professor de História na educação básica e em cursos pré-vestibulares desde 2013. Desde 2016, também desenvolve conteúdos educativos na área de História.