Romance Indianista

Daniela Diana

O Romance Indianista marca a busca na literatura por um herói nacional. O índio foi eleito como a figura de maior representatividade, considerando que o branco era tido como o colonizador europeu, e o negro, como escravo africano.

Assim, o índio foi considerado como único e legítimo representante da América. Dessa maneira, o romance brasileiro encontrou no índio a expressão da nacionalidade autêntica, de amor exacerbado à terra e defesa do território.

Em sua singularidade, o índio foi usado como símbolo de bravura e honra. Incorporar a tradição indígena à ficção era a autêntica expressão de nacionalidade, impulsionando contribuições na prosa e na poesia.

Antecedentes

Entre os muitos fatores que contribuíram para a implantação do indianismo na literatura brasileira está a "tradição literária" do período colonial. Ela foi introduzida pela literatura de informação e literatura de catequese sendo retomada por Basílio da Gama e Santa Rita Durão.

Por parte da Europa, foi a Teoria do Bom Selvagem, de Rousseau, que exerceu influência direta no pensamento literário brasileiro da época.

Outro fator importante foi a adaptação que os escritores brasileiros românticos fizeram da figura idealizadora do herói.

Como o Brasil não teve Idade Média, seu "herói medieval" passou a ser o índio, o habitante do período pré-cabralino.

Autores como Padre Anchieta, Basílio da Gama e Gonçalves Dias já haviam difundido em sua obra a importância da singularidade do índio.

Foi, contudo, José de Alencar, o escritor de maior expressão dessa fase do romantismo brasileiro.

As obras O Guarani (1857), Iracema (1865) e Ubirajara (1874) exaltam o sentimento de nacionalidade por meio do índio como herói e ícone guerreiro.

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Principais Características

  • Nacionalismo
  • Estética nativista
  • Exaltação da natureza
  • Idealização do índio como figura nacional, europeizado e quase medieval
  • Temas históricos
  • Resgate de lendas
  • Contato do índio com o europeu colonizador

José de Alencar

O cearense José Martiniano de Alencar (1829-1877) é considerado o mais importante representante do Romance Indianista.

A crítica considera que é um estilo criado por ele, que também é chamado de patrono da literatura brasileira.

Filho de um padre, José de Alencar recebeu muito cedo influências que o levara à exaltação do sentimento nacionalista. É patrono da cadeira 23 da Academia Brasileira de Letras por escolha de Machado de Assis (1839 - 1908).

A obra de José de Alencar também é marcante em romances históricos e romances regionalistas.

No Romance Indianista, a primeira obra a ser lançada foi O Guarani, um folhetim semanal que era divulgado em um jornal uma vez por semana.

O folhetim causava uma corrida às bancas todas as semanas. Demonstrava o sentimento de literatura nacionalista do autor, que defendia o modo de pensar e escrever do brasileiro.

Romance IndianistaCapa de O Guarani, escrito em 1857

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Daniela Diana
Daniela Diana
Licenciada em Letras pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) em 2008 e Bacharelada em Produção Cultural pela Universidade Federal Fluminense (UFF) em 2014. Amante das letras, artes e culturas, desde 2012 trabalha com produção e gestão de conteúdos on-line.