Aliteração

Daniela Diana

A aliteração é uma figura de linguagem, mais precisamente uma figura de som (ou de harmonia).

É definida pela repetição de fonemas consonantais num enunciado. Isso significa que esses sons podem ser parecidos ou iguais e, geralmente, estão localizados no início ou no meio da palavra.

A aliteração produz um efeito sonoro interessante, marcando o ritmo e sugerindo alguns sons semelhantes às palavras que compõem o texto.

Sendo assim, a aliteração é um recurso linguístico muito utilizado nos textos poéticos para enfatizar determinado som oferecendo maior expressividade ao texto.

Além da aliteração, as figuras de som mais importantes são: assonância, paronomásia e onomatopeia.

Aliteração e Assonância

Muito comum haver confusão entre as duas figuras de som: aliteração e assonância. Mas elas apresentam diferenças.

Enquanto a aliteração é a repetição de sons consonantais (consoantes), a assonância é a repetição de sons vocálicos (vogais).

Exemplos:

  • Aliteração: “Chove chuva, chove sem parar” (Jorge Bem Jor): repetição das consoantes “ch”.
  • Assonância: “Essa desmesura de paixão, é loucura do coração” (Djavan): repetição das vogais “ão”.

Curioso notar que elas podem ser utilizadas no mesmo enunciado, por exemplo:

“Berro pelo aterro, pelo desterro/Berro por seu berro, pelo seu erro/Quero que você ganhe, que você me apanhe/Sou o seu bezerro gritando mamãe.” (Caetano Veloso)

No exemplo acima temos tanto a assonância das vogais “e”, quanto as aliterações causadas pelos efeitos sonoros das consoantes “rr”.

Exemplos de Aliteração

Confira abaixo alguns trechos que utilizam a aliteração.

  • Vozes veladas, veludosas vozes,/Volúpias dos violões, vozes veladas/Vagam nos velhos vórtices velozes/Dos ventos, vivas, vãs, vulcanizadas.” (Cruz e Souza) – repetição da consoante “v”.
  • “Leva-lhe o vento a voz, que ao vento deita.” (Luís de Camões) – repetição da consoante “v”.
  • “O rato roeu a roupa do rei de Roma.” (provérbio popular) – repetição da consoante “r”.
  • “Quem com ferro fere com ferro será ferido.” (provérbio popular) – repetição da consoante “f”.
  • “O sabiá não sabia que o sábio sabia que o sabiá não sabia assobiar.” (provérbio popular) – repetição da consoante “s”.

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Daniela Diana
Daniela Diana
Licenciada em Letras pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) em 2008 e Bacharelada em Produção Cultural pela Universidade Federal Fluminense (UFF) em 2014. Amante das letras, artes e culturas, desde 2012 trabalha com produção e gestão de conteúdos on-line.