Epopeia

Daniela Diana

A epopeia (ou poema épico) é um extenso poema narrativo heroico que faz referência a temas históricos, mitológicos e lendários.

Uma das principais características dessa forma literária, que pertence ao gênero épico, é a valorização de seus heróis bem como de seus feitos.

O termo epopeia, deriva do termo grego “épos” que significa narrativa em versos de fatos grandiosos centrados na figura de um herói ou de um povo.

O poeta grego Homero (século IX ou VIII a.C.) foi o fundador da poesia épica a quem se atribui as obras-primas a “Ilíada” e a “Odisseia”. Além dessas obras, um grande exemplo de epopeia é a obra “Os Lusíadas” do escritor português de Luís de Camões.

Já no Brasil, merece destaque os poemas épicos “Caramuru”, de Santa Rita Durão (1722-1784), e “O Uruguai”, de Basílio da Gama (1741-1795), ambos escritores pertencentes ao Arcadismo no Brasil.

Elementos da Epopeia

Os elementos essenciais das narrativas épicas são:

  • Narrador: quem narra a história.
  • Enredo: sucessão dos acontecimentos.
  • Personagens: principais e secundárias.
  • Tempo: época em que decorrem os fatos.
  • Espaço: local ou locais dos episódios.

Estrutura da Epopeia

A epopeia é um longo poema épico, que apresenta uma estrutura fixa, o qual é dividido em cinco partes:

  • Proposição (ou exórdio): introdução da obra com apresentação do herói e do tema.
  • Invocação: parte da epopeia em que o herói pede auxílio e inspiração as divindades.
  • Dedicatória: a epopeia sempre é dedicada a alguém.
  • Narração: narração dos feitos heroicos.
  • Epílogo: encerramento da obra.

Exemplos de Epopeia

Segue abaixo os mais proeminentes exemplos de epopeia e alguns trechos da obra:

A Epopeia de Gilgamesh

Também chamado de “Épico de Gilgamesh”, essa obra de autoria anônima e escrita provavelmente entre os séculos XX a.C.- X a.C., é um antigo poema da Mesopotâmia que relata o dilúvio em acádio.

É considerada uma das primeiras obras da literatura mundial, que reúne cerca de doze placas de argila com escrita cuneiforme, donde cada uma contém aproximadamente 300 versos.

“Gilgamesh correu o mundo, mas, até chegar a Uruk, não encontrou quem pudesse opor-se à força de seus braços. Entretanto, os homens de Uruk murmuravam em suas casas: "Gilgamesh toca o sinal de alarme para se divertir; sua arrogância, de dia ou de noite, não conhece limites. Não há pai a quem tenha sobrado um filho, pois Gilgamesh os leva todos, até mesmo as crianças; e, no entanto, um rei deveria ser um pastor para seu povo. Sua luxúria não poupa uma só virgem para seu amado; nem a filha do guerreiro nem a mulher do nobre; no entanto, é este o pastor da cidade, sábio, belo e resoluto."”

A Ilíada e A Odisseia do poeta grego Homero

A Ilíada descreve os acontecimentos da “Guerra de Troia”, que teria ocorrido no século XIII a.C., e ainda, as aventuras entre os guerreiros gregos e troianos.

Já a Odisseia, descreve a aventura do herói “Ulisses”, em sua volta para a ilha de Ítaca, após a Guerra de Troia.

Ilíada

“Canta-me, ó deusa, do Peleio Aquiles
A ira tenaz, que, lutuosa aos Gregos,
Verdes no Orco lançou mil fortes almas,
Corpos de heróis a cães e abutres pasto:
Lei foi de Jove, em rixa ao discordarem
O de homens chefe e o Mirmidon divino.
Nume há que os malquistasse? O que o Supremo
Teve em Latona. Infenso um letal morbo
No campo ateia; o povo perecia,
Só porque o rei desacatara a Crises.
Com ricos dons remir viera a filha
Aos alados baixéis, nas mãos o cetro
E a do certeiro Apolo ínfula sacra”

Odisseia

"Canta, ó Musa, o varão que astucioso,
Rasa Ílion santa, errou de clima em clima,
Viu de muitas nações costumes vários.
Mil transes padeceu no equóreo ponto,
Por segurar a vida e aos seus a volta;
Baldo afã! pereceram, tendo insanos
Ao claro Hiperiônio os bois comido,
Que não quis para a pátria alumiá-los.
Tudo, ó prole Dial, me aponta e lembra."

A Eneida do poeta romano Virgílio

Escrita em latim no século I a.C. esse grande poema épico de 12 capítulos, narra os feitos de Eneias, um troiano que é salvo dos gregos em Troia e se torna ancestral dos romanos.

“As armas e o Varão insigne canto,
Que sendo fugitivo, pelo fado,
Primeiro das regiões da antiga Tróia
Chegou à Itália e praias de Lavino;
Ele nas terras foi mui perseguido
E por força dos Deuses no mar alto,
Por amor do furor lembrado sempre
Da fera Juno: também muitas cousas
Sofreu na guerra, até que edificasse
A Cidade e metesse em Lácio os Deuses,
Donde procede a geração Latina,
Donde os Padres Albanos e altos muros
Da famosa, soberba e altiva Roma.”

Os Lusíadas do escritor português Camões

Publicada em 1572, esse longo poema épico foi inspirado nas obras clássicas de Homero que narram as conquistas do povo grego. Por sua vez, os Lusíadas vêm relatar as conquistas dos portugueses na época das grandes navegações.

Canto I

"As armas e os Barões assinalados
Que da Ocidental praia Lusitana
Por mares nunca de antes navegados
Passaram ainda além da Taprobana,
Em perigos e guerras esforçados
Mais do que prometia a força humana,
E entre gente remota edificaram
Novo Reino, que tanto sublimaram."

Daniela Diana
Daniela Diana
Licenciada em Letras pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) em 2008 e Bacharelada em Produção Cultural pela Universidade Federal Fluminense (UFF) em 2014. Amante das letras, artes e culturas, desde 2012 trabalha com produção e gestão de conteúdos on-line.