Guerra de Secessão


A “Guerra de Secessão” ou “Guerra Civil Americana” foi uma guerra civil ocorrida nos Estados Unidos da América entre 1861 e 1865, envolvendo os Estados do Norte (União) e os Estados do Sul (Estados Confederados da América) pela emancipação ou unificação do país, donde as forças da União sagraram-se vitoriosas e levaram a cabo o modelo que faria dos Estados Unidos da América a maior potência industrial no final do século XIX.

Com efeito, esta foi a primeira guerra moderna em que as trincheiras, rifles de repetição, encouraçados e submarinos, bem como balões de reconhecimento aéreo foram utilizados em larga escala para guerrear.

Principais Causas e Consequências

A principal causa do conflito está ligada à questão escravista, donde o Norte defendia a abolição da escravatura e o Sul era contrário a tal medida. Contudo, desde os tempos coloniais, “Norte” e “Sul” tiveram um desenvolvimento socioeconômico distinto e marcado pelas diferenças geográficas entre as Treze Colônias britânicas.

Assim, enquanto no Norte o clima frio e o solo rochoso criaram uma tendência ao comércio, a manufatura e ao desenvolvimento regional, no Sul, o clima quente e o solo fértil favoreceram a agricultura, desenvolvida sob o sistema de Plantation (grandes propriedades monocultoras com mão de obra escrava e produção voltada ao mercado externo), favorecendo um estilo de vida rural e aristocrático.

Não obstante, enquanto a região Norte se industrializava cada vez mais, o Sul se tornava mais e mais agropecuário. Inevitavelmente, isso levou a colisão dos interesses das duas regiões, representadas pela política econômica protecionista e abolicionista da União e aquela liberalista praticada pelos latifundiários escravistas e aristocratas confederados.

Como nenhum país reconheceu a legitimidade dos novos Estados Confederados da América, a derrota foi inevitável e seguida por uma forte recessão político-econômica no Sul, que teve suas residências, campos, fábricas e estabelecimentos comerciais destruídos pelos exércitos do Norte e com isso perdeu a maior parte de sua influência política nos Estados Unidos.

Por outro lado, a região Norte foi muito beneficiada pela Guerra de Secessão, onde, devido à vocação industrial, houve uma grande expansão do setor, especialmente na linha naval e bélica, além do desenvolvimento da infra-estrutura, com a construção de estradas de ferro, linhas de telégrafo e a urbanização da região centro-oeste dos Estados Unidos. Como a União venceu a guerra, o modelo industrialista se tornou hegemônico e guiou o desenvolvimento econômico do país até os dias de hoje.

Principais Características

De partida, vale citar que os exércitos da União, sob o comando do General Ulisses Grant, contavam com soldados mais bem equipados e em maior número, posto que a região Norte fosse mais industrializada e povoada.

Entretanto, os sulistas, sob o comando do General Robert Lee, possuíam maior tradição militar, melhores soldados e comandantes mais experimentados, o que os tornava um adversário difícil de derrotar. Não obstante, União e Confederação começaram a guerra utilizando voluntários, mas logo aderiram ao recrutamento forçado da população.

Por conseguinte, as baixas militares ultrapassam os 600 mil mortos e 400 mil feridos, entre ambos os lados. A maioria dessas baixas (cerca de três quintos) foi causada por doenças contraídas devido á falta de higiene alimentar e médica.

Outra característica marcante foi a realidade dos soldados durante a guerra. De forma geral, eram mal pagos e mal equipados (geralmente armados com um rifle de tiro único, roupas feitas de lã crua e, muitas vezes, não usavam calçados), especialmente os soldados da Confederação. Sua alimentação era à base de gêneros como carnes e frutas secas, trigo e milho, muitas vezes mal preparados ou apodrecidos.

No Norte, onde viviam cerca de 22 milhões de pessoas, foi possível recrutar, durante a guerra, mais de dois milhões de soldados (180 mil afro-americanos), dos quais aproximadamente 1,12 milhão integravam o exército da União ao fim do conflito.

Não obstante, a Confederação, com pouco menos de 10 milhões de habitantes, chegou a recrutar mais de um milhão de soldados, dos quais apenas 500 mil permaneceram até o fim da guerra.

Já a marinha, podemos dizer que a União foi hegemônica do início ao fim, apesar da grande habilidade de combate dos navios do Sul. Assim, o Norte contava com 56 mil marinheiros e 626 navios, sendo 65 encouraçados. Por outro lado, a marinha confederada era bem menos expressiva e dependia da compra de navios europeus e da captura dos navios da União, pois foram capazes de construir alguns poucos navios.

Contexto Histórico: Resumo

Já em 1850, era possível perceber o clima de hostilidade entre o Norte e o Sul, quando um conjunto de atos para solucionar as divergências na formação dos Estados foram promulgados, formando o “Compromisso de 1850”; alguns anos mais tarde (1854), o Ato de Kansas-Nebraska também surge com a mesma intenção, causando uma repercussão muito negativa entre a população do Norte. Na sequência, em 1856, a população do Kansas votou contra a escravidão, contudo, os grupos escravistas não aceitaram a decisão popular.

Assim, no ano de 1858, o Partido Democrata divide-se entre os pró-abolicionistas no Norte e pró-escravidão no Sul, onde o abolicionista John Brown é condenado à morte por incitar uma rebelião em 1859.

Em 1860, os nortistas já dominam o Senado e, liderados pelo republicano Abraham Lincoln, passam a combater à escravidão nos Estados Unidos. Com isso, Lincoln vence as eleições presidenciais de 1860, desencadeando a reação do Sul.

No mesmo ano, a Carolina do Sul se retira da União, seguida por Alabama, Flórida, Geórgia, Louisiana e Mississípi. No início dos combates, Arkansas, Carolina do Norte, Tennessee, Virgínia e Texas também se desligam da União. Assim, em dezembro de 1860, surge um novo país, os Estados Confederados da América, com seu presidente eleito Jefferson Davis, do Mississippi.

A União, constituída pelos Estados da Califórnia, Connecticut, Delaware, Illinois, Indiana, Iowa, Kentucky, Maine, Maryland, Massachusetts, Michigan, Minnesota, Missouri, Nova Hampshire, Nova Jérsei, Nova Iorque, Ohio, Oregon, Pensilvânia, Rhode Island, Vermont e Wisconsin, Colorado, Dakota, Nebraska, Nevada, Novo México, Utah, Kansas e Washington, não aceita a separação, alegando o ato inconstitucional.

As hostilidades têm início em 12 de abril de 1861, quando forças confederadas atacam e conquistam o Fort Sumter, assim como vários outros fortes nos territórios reivindicados pelo Sul. Em resposta, a União prepara-se para a guerra.

A partir de 1862, executando o “Plano Anaconda”, a União impôs um cerco à Confederação por terra e por mar, bloqueando toda exportação de algodão, tabaco e alimentos, bem como a importação de material bélico para os exércitos do Sul.

Neste mesmo ano, as tropas confederadas sofrem com a derrota em Antietam e amargam a destruição de sua marinha no front ocidental. Em 1863, apesar dos esforços do General Lee, que venceu as forças da União na Virgínia, a incursão confederada no Norte acaba com a derrota sulista na Batalha de Gettysburg. Em março de 1864, o General Grant é nomeado comandante de todas as forças da União.

Percebendo a derrota eminente do Sul, o Reino Unido declara-se neutro e se afasta do conflito. Enquanto isso, no front ocidental, as tropas da União destroem toda infra-estruturar confederada à Leste, até capturarem a cidade de Richmond, capital dos Estados Confederados da América, em 10 de abril de 1865. Contudo, em 14 de abril de 1865, Lincoln é assassinado por um sulista. No final deste ano (1865) é aprovada a 13ª Emenda constitucional, abolindo a escravidão nos EUA.

Em 28 de junho de 1865, os generais confederados se rendem, dando início a um período de reconstrução que durou até 1877, quando as tropas da União deixaram o Sul. Ademais, em 1868, é promulgada a 14ª Emenda constitucional, que obriga a todos os Estados norte-americanos à acatarem igualmente a Constituição.

Curiosidade

  • A Guerra de Secessão foi a guerra que provocou o maior número de baixas na história militar dos Estados Unidos.
  • Após a guerra, os estados do sul criaram organizações racistas como a Ku Klux Klan a fim de combater a integração dos afro-americanos à sociedade americana.