Neurotransmissores

Carolina Batista

Os neurotransmissores são compostos químicos secretados pelas células do sistema nervoso, os neurônios, responsáveis por transmitir as informações necessárias para diversas partes do corpo.

Por serem comunicados pelas sinapses, esses mediadores químicos são encontrados geralmente em vesículas pré-sinápticas.

São exemplos de neurotransmissores a adrenalina, o glutamato e o gama-aminobutírico “GABA”.

Tipos de neurotransmissores

A maioria dos neurotransmissores podem ser agrupados em três classes:

  • Aminoácidos
  • Aminas
  • Peptídeos

Os neurotransmissores podem ser moléculas pequenas, como aminoácidos e aminas, ou moléculas grandes, como os peptídeos.

Aminoácidos e aminas têm em comum a presença de átomos de nitrogênio em suas estruturas. O armazenamento desses neurotransmissores é feito nas vesículas sinápticas e delas são liberados.

Já os peptídeos são longas cadeias formadas pela união de aminoácidos. O armazenamento e a liberação desses neurotransmissores ocorre nos grânulos secretores.

Confira a seguir uma tabela com os principais neurotransmissores.

Aminoácidos Aminas Peptídeos
Ácido γ-aminobutírico (GABA) Dopamina (DA) Neuropeptídeo Y
Glutamato (Glu) Adrenalina Somatostatina
Glicina (Gli) Serotonina (5-HT) Substância P

Além dos tipos vistos anteriormente, existem também os neurotransmissores do tipo acetilcolina, purinas, gases e lipídios.

Como atuam e a função dos neurotransmissores

Sua ação basicamente é se combinar com uma célula-alvo e a ação resulta em transmissão, modulação e amplificação das informações entre neurônios.

As células possuem receptores específicos para cada tipo de neurotransmissor. A maneira que um neurotransmissor influencia um neurônio pode ser classificada em:

  • Excitatória: criação de um sinal elétrico no neurônio receptor;
  • Inibitória: restrição de um potencial de ação no neurônio receptor;
  • Modulatória: regulação da população de neurônios.

Neurotransmissores excitatórios e inibitórios atuam rapidamente entre o espaço de dois neurônios e são diferenciados pelo receptor que se ligam, ou seja, dependem de qual receptor foi ativado. Além disso, a excitação ou a inibição, podem ocorrer também em uma fibra muscular ou uma célula glandular.

Os neuromoduladores geram respostas mais lentas que os neurotransmissores excitatórios e inibitórios.

Neurotransmissores: síntese, armazenamento e liberação

Os neurotransmissores são mensageiros químicos na transmissão sináptica química, ou seja, atuam na comunicação intercelular.

Nesse processo, que ocorre em milissegundos, os neurotransmissores são sintetizados, armazenados em vesículas sinápticas, liberados das terminações nervosas em uma região chamada de fenda sináptica.

Após isso, os neurotransmissores se ligam às proteínas receptoras nas células-alvo. O tecido que recebeu a informação por meio do neurotransmissor fica excitado, inibido ou modificado.

Saiba mais sobre a sinapse.

Principais neurotransmissores

Os neurotransmissores apresentam diversas funções para o corpo, sendo que os mais importantes são:

Acetilcolina (Ach)

Sintetizada pelo sistema nervoso central e nervos parassimpáticos, a acetilcolina foi o primeiro neurotransmissor descoberto, e está relacionada com os movimentos dos músculos, aprendizado e memória.

A falta de acetilcolina no corpo pode desencadear diversas doenças neurológicas tal qual a doença de Alzheimer (doença do esquecimento).

Saiba mais sobre a acetilcolina.

Adrenalina

Também chamado de “epinefrina”, a adrenalina é derivada da noroadrelina (norepinefrina), sintetizada na medula adrenal (glândulas suprarrenais) e em algumas células do sistema nervoso central.

Esse hormônio neurotransmissor está relacionado à excitação, sendo liberado como um mecanismo de defesa do corpo em diversas situações que envolvem medo, stress, perigo ou fortes emoções.

Saiba mais sobre a adrenalina.

Noradrenalina (NA)

Também chamada de norepinefrina, a noradrenalina é um neurotransmissor excitatório tal qual a adrenalina. Ela atua na regulação do humor, aprendizado e memória, promovendo assim, disposição, uma vez que está relacionada à excitação física e mental.

Se os níveis dessa substância estiverem alterados no corpo pode levar ao aumento da frequência cardíaca e da pressão arterial. Quando reduzidos pode levar a depressão e ao aumento do estresse.

Saiba mais sobre a noradrenalina.

Endorfina

Considerado o “hormônio do prazer”, essa substância é produzida no cérebro pela glândula hipófise e está relacionada a melhoria do humor e da memória, funcionamento do sistema imunológico, controle da dor e do fluxo de sangue. Destarte, a falta de endorfina pode levar ao estresse, depressão e ansiedade.

Saiba mais sobre a endorfina.

Serotonina (5HT)

Sintetizada pelo sistema nervoso central e quando liberada no corpo promove a sensação de bem-estar e satisfação. Além disso, esse calmante natural controla o sono, regula o apetite e a energia. Desse modo, é conhecido como “substância do prazer”, e a falta desse hormônio neurotransmissor no corpo pode desencadear depressão, estresse, ansiedade, dentre outros problemas.

Saiba mais sobre a serotonina.

Dopamina (DA)

Hormônio liberado pelo hipotálamo, associado à sensação de bem-estar e dos controles motores do corpo. As alterações dos níveis de dopamina no corpo pode desencadear diversas doenças, por exemplo, a doença de Parkinson e a esquizofrenia. Enquanto o Mal de Parkinson é resultante da falta desse neurotransmissor, a esquizofrenia é o contrário, ou seja, pode ser gerada pelo excesso de dopamina no corpo.

Saiba mais sobre a dopamina.

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Carolina Batista
Carolina Batista
Técnica em Química pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Pernambuco (2011) e Bacharelada em Química Tecnológica e Industrial pela Universidade Federal de Alagoas (2018).