Pré-história

Juliana Bezerra

A Pré-história é o período mais longo da História da humanidade.

Começou a cerca de 2.500.000 anos e terminou com o surgimento da escrita por volta de 3.000 a.C. na Mesopotâmia, com os sumérios.

De acordo com a utilização da tecnologia entre os hominídeos, a Pré-História é dividida em Idade da Pedra e Idade dos Metais.

Pré-história: definição

O termo "Pré-história" surgiu no século XIX quando historiadores europeus começaram a classificar os povos de acordo com seu desenvolvimento tecnológico. Para eles, uma das provas que um grupo era "avançado" seria a capacidade de ter escrita.

Segundo este pensamento, o ser humano só teria "história" a partir do momento que conseguiu escrever fatos de sua vida através de um alfabeto. Tudo que viesse antes da criação da escrita é considerado "pré-história".

O problema é que vários povos criaram civilizações extraordinárias como os incas e astecas, na América, e não tinham escrita.

Divisão da Pré-História

Para fins de estudo são feitas duas grandes divisões na Pré-História: Idade da Pedra (Paleolítico e Neolítico) e Idade dos Metais.

Os primeiros humanos teriam surgido no Paleolítico por volta de 300 ou 350 mil anos a.C.

Paleolítico (2.500.000 a.C. - 10.000 a.C.)

A palavra paleolítico vem do grego e significa "pale", antigo e "lithos", pedra. Assim, significa "pedra antiga" e é um período conhecido também como Idade da Pedra Lascada.

O período Paleolítico subdivide-se em Paleolítico, Mesolítico (transição) e Neolítico.

Nesta época, havia vários antepassados do gênero homo. Porém, todos eram nômades, ou seja, viajavam de um lado para o outro, buscando animais e frutas para se alimentarem. Por isso eram chamados de caçadores-coletores.

Viviam em pequenos grupos familiares que era compostos por um número suficiente de pessoas que eram capazes de se alimentar e não atrapalhar o deslocamento do bando. Refugiavam-se em cavernas e vestiam-se com as peles dos animais que caçavam

Aos poucos, algumas espécies aprenderam a talhar pedras e a fazer o fogo. Outro fato foi a domesticação de certas espécies de lobos que acabaram tornando-se os antepassados dos atuais cães.

Neolítico (10.000 a.C. - 3.000 a.C.)

A palavra "Neolítico" tem origem grega: "neo", novo e "lithos", pedra. Assim, significa “pedra nova”, pois nesse período, os homens começam a polir as pedras tornando-as mais eficientes.

Nesta época, a temperatura da Terra começa a aumentar e o clima muda. Muitas zonas se tornam desertas e vários exemplares da mega-fauna deste período como os mamutes e tigres dente-de-sabre são extintos.

A principal mudança neste período é o surgimento da agricultura e da criação de animais fazendo com que os homens passem de nômades a sedentários.

Da mesma forma, devido a escassez de caça, o homem começa a se estabelecer na beira dos rios, especialmente na zona que chamamos de crescente fértil, compreendida entre os rios Tigres e Eufrates.

Os homens preferiam ficar na beira dos rios, pois assim garantiam o abastecimento de água, para regar as plantas e saciar as crias.

Como precisaram cuidar dos cultivos e dos animais, passaram a viver de maneira estável em um determinado lugar. Neste momento, cabras, ovelhas e porcos são domesticados. Também conseguem cultivar as primeiras plantas como trigo, grão de bico, lentilhas e ervilha.

Com a fixação do homem na terra, surge o sentido de propriedade. Se sobravam alimentos, trocavam-se nas tribos vizinhas e daí surge o comércio.

O Neolítico é um período extremamente rico em inventos, pois se criam objetos feitos de cerâmica, a roda e o tecido.

Veja também: Período Neolítico ou Idade da Pedra Polida

Idade dos Metais (3.300 a.C. - 1.200 a.C.)

A Idade dos Metais compreende o momento no qual o homem passa a dominar as técnicas de extração e transformação dos metais.

O primeiro metal a ser explorado foi o cobre, posteriormente o bronze e, finalmente, o ferro. Com o emprego deste material, as ferramentas tornam-se mais resistentes e eficientes.

Durante a Idade dos Metais foram criado instrumentos fundamentais para o desenvolvimento econômico: o arado e a vela. À medida que a produção de alimentos crescia e as armas eram mais eficientes, os povoados se transformaram em cidades, e surgiram líderes políticos e religiosos.

A sociedade passou a ser dividida por funções produtivas e classes sociais, onde havia distinções de moradia e acesso aos bens.

Como as outras fases, a Idade dos Metais não ocorreu de forma simultânea em todas as partes do globo.

Veja também: Idade dos Metais

Homem Pré-histórico

Os primeiros hominídeos surgiram a 2.5 milhões de anos, provavelmente no leste da África.

Assim como existem várias espécies de primatas havia muitas espécies de hominídeos. No momento, ainda não se sabe de qual delas o homem moderno descende.

No entanto, uma dessas espécies começou a se diferenciar dos outros primatas quando conseguiu andar sobre os dois pés. Esta foi chamada de Australopitecos, vivia em platôs no leste da África onde abundava o alimento e moravam em ninhos no alto das árvores. Provavelmente, tiveram que abandoná-las quando os mantimentos deixaram de ser obtidos com facilidade.

Sobre as duas pernas, este hominídeo pôde caminhar distâncias mais longas e alcançar lugares tão remotos como a Ásia e a Europa.

Alguns indivíduos, por volta de 1,300.000 de anos, começam a talhar pedras, o que aumentou a eficiência na caça e na construção de objetos úteis para a sobrevivência. Estes são conhecidos como o Homo habilis.

À medida que o homem aumenta sua capacidade de interagir com o meio ambiente e com seus semelhantes, seu cérebro também cresceu.

Desde há cerca de 350 000 até há 29 000 anos, surge o "homem de Neanderthal", que será uma das espécies mais próximas do Homo sapiens. Os Neandertais preocupavam-se com os membros mais frágeis do grupo, possuíam senso artístico e, talvez, religioso.

Não se sabe, até agora, qual o motivo de sua desaparição, mas está comprovado que as duas espécies conviveram.

Atualmente, só existe uma espécie de Homo, o Homo sapiens que surgiu na África há 300 mil anos e se espalhou por todo o mundo.

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Juliana Bezerra
Juliana Bezerra
Bacharelada e Licenciada em História, pela PUC-RJ. Especialista em Relações Internacionais, pelo Unilasalle-RJ. Mestre em História da América Latina e União Europeia pela Universidade de Alcalá, Espanha.