Principais teóricos do absolutismo europeu: quem foram e o que defendiam
Teóricos do Absolutismo são pensadores que desenvolveram teorias para justificar o poder absoluto dos reis. Para eles, o monarca deveria concentrar todos os poderes do Estado, sem precisar prestar contas à população.
Esse modelo político é chamado de absolutismo. Ele foi dominante na Europa durante o chamado Antigo Regime, período que vai aproximadamente do século XVI ao XVIII.
Os principais teóricos do absolutismo foram Jean Bodin, Thomas Hobbes, Jacques Bossuet e Nicolau Maquiavel.
Nicolau Maquiavel (1469–1527)
Niccolò di Bernardo dei Machiavelli, conhecido por Maquiavel, é considerado um dos precursores do pensamento político moderno. Sua obra mais famosa, O Príncipe (1513), discute o poder político de forma inovadora para a época.
Para Maquiavel, o governante deve separar a moral política da moral religiosa. Isso significa que, para preservar o poder e a ordem, o príncipe pode agir de maneiras que a ética religiosa reprovaria.
É nesse sentido que a frase "os fins justificam os meios" ficou associada ao seu pensamento, embora ele não a tenha dito exatamente essa frase.
Uma das reflexões mais conhecidas do livro é sobre se o governante deve preferir ser amado ou temido. Para Maquiavel, o ideal seria os dois, mas, dada a natureza humana, o temor tende a ser mais eficaz que a afeição.
Seu pensamento surgiu em um contexto de intensa instabilidade, pois a Itália estava dividida em principados rivais e sofria com invasões estrangeiras. Diante disso, Maquiavel valorizava um poder central forte, capaz de garantir ordem e proteção.
Jean Bodin (1530–1596)
Jean Bodin foi um dos principais defensores do absolutismo francês. Para ele, o rei não deveria se submeter a nenhuma lei ou poder externo, pois sua autoridade estava acima de tudo.
Bodin argumentava que o poder ilimitado do monarca dava coesão ao Estado, evitando conflitos e divisões internas.
Na prática, o rei poderia criar, revogar e aplicar leis conforme seu próprio julgamento, pois era o guardião da ordem pública.
Para explicar essa ideia, Bodin comparava o Estado a uma família: assim como o patriarca decide e protege os seus familiares, o rei exerceria papel semelhante perante sua população, a quem caberia plena obediência.
Sua obra principal foi Os Seis Livros da República (1576). Bodin escreveu esse trabalho em plena época das Guerras de Religião francesas, conflitos violentos entre católicos e protestantes que dividiam o país.
Thomas Hobbes (1588–1679)
Thomas Hobbes foi um teórico do absolutismo nascido na Inglaterra. Sua obra principal, O Leviatã (1651), leva o nome de um monstro poderoso da tradição bíblica, metáfora escolhida por Hobbes para representar o Estado.
Para Hobbes, o ser humano tem uma natureza essencialmente egoísta e conflituosa. Sem a coerção do Estado, a vida seria, em suas próprias palavras, "solitária, pobre, sórdida, brutal e curta". Ou seja, um estado de guerra de todos contra todos.
Diante disso, os homens optam por firmar um contrato social: abrem mão de parte de sua liberdade natural e aceitam a autoridade do soberano em troca de ordem e proteção.
Para Hobbes, esse pacto só funciona se o soberano tiver poder absoluto. Afinal, como ele mesmo escreveu, "pactos sem espada não são mais que palavras."
Seu pensamento surgiu num contexto de grande instabilidade: a Guerra Civil Inglesa. Diante do caos dessa guerra, a defesa de um poder central forte era, para ele, uma necessidade racional.
Jacques Bossuet (1627-1704)
Jacques-Bénigne Bossuet foi um bispo e teólogo francês que se tornou um dos principais defensores do absolutismo. Sua justificativa para o poder absoluto do rei era essencialmente religiosa.
Para Bossuet, o poder do monarca vinha diretamente de Deus. O rei não respondia aos homens, mas sim apenas ao divino. Questionar ou resistir à autoridade real seria, portanto, o mesmo que questionar a vontade de Deus.
Essa ideia ficou conhecida como direito divino dos reis e foi amplamente utilizada para legitimar o absolutismo na França, especialmente durante o reinado de Luís XIV, o chamado "Rei Sol", para quem Bossuet serviu como tutor do filho herdeiro.
Sua obra mais conhecida foi Política Resultante da Sagrada Escritura, publicada postumamente em 1709.
Seu pensamento surgiu em um contexto de consolidação da monarquia francesa. Após décadas de guerras religiosas e conflitos internos, a ideia de um rei ungido por Deus oferecia uma justificativa poderosa para a centralização do poder.
Comparação entre os principais teóricos do absolutismo
| Teórico | Período | Local | Obra principal | Argumento central sobre o absolutismo |
|---|---|---|---|---|
| Nicolau Maquiavel | 1469–1527 | Florença (na atual Itália) | O Príncipe (1513) | Governar exige decisões duras, separadas da moral religiosa. |
| Jean Bodin | 1530–1596 | França | Os Seis Livros da República (1576) | Um poder central forte evita conflitos e mantém o Estado unido. |
| Thomas Hobbes | 1588–1679 | Inglaterra | O Leviatã (1651) | Os homens são egoístas por natureza e precisam de um soberano forte para conseguir em paz. |
| Jacques Bossuet | 1627–1704 | França | Política Resultante da Sagrada Escritura (1709) | Porque o poder do rei vem de Deus e não pode ser questionado |
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Referências Bibliográficas
BOSSUET, Jacques-Bénigne. Política Resultante da Sagrada Escritura. São Paulo: É Realizações, 2014.
FREITAS NETO, José Alves de e TASINAFO, Célio Ricardo. História Geral e do Brasil. São Paulo: Harbra, 2006.
HOBBES, Thomas. Leviatã: ou, Matéria, forma e poder de um estado eclesiástico e civil. São Paulo: Editora Nova Cultural, 1996.
MAQUIAVEL, Nicolau. O Príncipe. 4. ed. São Paulo: Nova Cultural, 1997.
PEREIRA, Lucas. Principais teóricos do absolutismo europeu: quem foram e o que defendiam. Toda Matéria, [s.d.]. Disponível em: https://www.todamateria.com.br/principais-teoricos-do-absolutismo-europeu-quem-foram-e-o-que-defendiam/. Acesso em: