Soneto

Daniela Diana

Soneto é uma estrutura literária de forma fixa composta por catorze versos, dos quais dois são quartetos (conjunto de quatro versos) e dois tercetos (conjunto de três versos).

Foi provavelmente criado pelo poeta e humanista italiano Francesco Petrarca (1304-1374).

A palavra soneto (do italiano “sonetto”) significa pequeno som ao referir-se à sonoridade produzida pelos versos.

Tipos de Soneto

O soneto petrarquiano ou regular é o mais experimentado. No entanto, Willian Shakespeare (1564-1616) criou o soneto inglês, composto de 3 quartetos (estrofes de quatro versos) e 1 dístico (estrofe de dois versos).

Há também o soneto monostrófico, o qual apresenta uma única estrofe composta pelos catorze versos. E o soneto estrambótico, aquele que conta com versos ou estrofes adicionais.

Estrutura do Soneto

Os sonetos são geralmente produções literárias de conteúdo lírico formados, nessa ordem, por dois quartetos e dois tercetos.

No interior da estrutura do soneto, faz se necessário observar alguns conceitos básicos:

  • estrofe
  • verso
  • métrica
  • rima

Estrofe e Verso

Importante ressaltar que o verso corresponde a frase ou palavra que compõem cada linha de uma poesia. Enquanto a estrofe é o conjunto de versos de uma das seções do poema.

Assim, de acordo com o número de versos que compõem uma estrofe, elas são classificadas em:

  • 1 verso: Monóstico
  • 2 versos: Dístico
  • 3 versos: Terceto
  • 4 versos: Quarteto ou Quadra
  • 5 versos: Quintilha
  • 6 versos: Sextilha
  • 7 versos: Septilha
  • 8 versos: Oitava
  • 9 versos: Nona
  • 10 versos: Décima
  • Mais de dez versos: estrofe irregular

Saiba mais sobre o tema com a leitura:

Métrica

A métrica é medida do verso a qual corresponde ao número de sílabas poéticas.

No caso do soneto, os versos são geralmente decassílabos, ou seja, compostos de 10 sílabas poéticas, classificados em:

  • Versos Heroicos: sílabas tônicas nas posições 6 e 10.
  • Versos Sáficos: sílabas tônicas se encontram nas posições 4, 8 e 10.

Observe que as sílabas poéticas ou métricas diferem das sílabas gramaticais. A “escansão” é o termo utilizado para indicar a contagem dos sons dos versos. Ela é desenvolvida por três regras básicas:

  1. Quando há duas ou mais vogais átonas ou tônicas no final de uma palavra e do começo de outra, elas se fundem, formando uma só sílaba poética, por exemplo: A-ma-da ar-te (4 sílabas poéticas)
  2. Os ditongos são palavras de uma só sílaba poética, por exemplo: meu, céu, viu.
  3. A contagem das sílabas é feita até a última sílaba tônica do verso, por exemplo: “De- tu-do ao- meu- a-mor- se-rei a-ten-to” (verso decassílabo, donde a última palavra do verso “atento” possui sua sílaba tônica no “ten”, e por isso, a última “to” não é contada)

Assim, além dos versos decassílabos, as formas mais conhecidas são:

  • Redondilha Menor: 5 sílabas métricas
  • Redondilha Maior ou Heptassílabo: 7 sílabas poéticas
  • Eneassílabo: 9 sílabas poéticas
  • Hendecassílabo: 11 sílabas poéticas
  • Dodecassílabo ou Versos Alexandrinos: 12 sílabas poéticas

Rima

A rima é a concordância de sons estabelecida entre as palavras do poema.

No soneto petrarquiano o posicionamento das rimas nos catorze versos, apresentam a composição: abba abba cdc (cde) dcd (cde)

Os quartetos são formados por rimas entrelaçadas ou opostas, de forma que o primeiro verso rima com o quarto, e o segundo com o terceiro.

Sonetistas Brasileiros

Alguns autores brasileiros que se destacaram na produção de sonetos:

Sonetistas Portugueses

Em Portugal, o soneto foi uma forma literária introduzido pelo escritor Sá de Miranda, no século XVI, quando voltou Itália.

Alguns poetas que se destacaram com a produção de sonetos foram:

Soneto de Fidelidade

Um dos mais emblemáticos exemplos do soneto moderno brasileiro está presente na música popular brasileira (MPB).

Ele foi escrito em 1960 pelo escritor e músico Vinícius de Moraes: Soneto da Fidelidade:

De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

Daniela Diana
Daniela Diana
Licenciada em Letras pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) em 2008 e Bacharelada em Produção Cultural pela Universidade Federal Fluminense (UFF) em 2014. Amante das letras, artes e culturas, desde 2012 trabalha com produção e gestão de conteúdos on-line.