Teatro Vicentino

Daniela Diana

O teatro vicentino é o nome dado aos textos teatrais produzidos pelo dramaturgo português Gil Vicente durante o período denominado Humanismo (1434-1527).

O teatro vicentino tem início em 1502, quando ele apresentou sua peça o “Monólogo do vaqueiro”, também chamado de “Auto da visitação”.

Posto que a maior parte de suas peças possuem teor satírico, vale lembrar uma das mais célebres frases do dramaturgo: “Rindo se castigam os costumes”.

Lembre-se que o humanismo determina uma fase de transição entre o trovadorismo e o classicismo. Ou seja, é o momento que marca o fim da Idade Média e o início da Idade Moderna.

As principais características do humanismo é a valorização do ser humano, com o advento do pensamento antropocêntrico (homem no centro do mundo) no período renascentista.

Quem foi Gil Vicente?

Gil Vicente (1465-1536) nasceu em Guimarães, cidade no norte de Portugal, sendo um dos nomes mais importantes do humanismo português.

Foi poeta, no entanto, se destacou no teatro com a produção de diversas peças, sobretudo os autos e as farsas.

É por isso, considerado o “Pai do Teatro Português” e de sua obra, merecem destaque: Auto da Visitação, O Velho da Horta, Auto da Barca do Inferno e a Farsa de Inês Pereira.

Características do Teatro Vicentino

  • Retrato da sociedade portuguesa
  • Teatro de costumes
  • Crítica social
  • Obra de caráter universal
  • Influência do antropocentrismo
  • Contexto do renascimento
  • Presença de temas de cultura popular
  • Personagens caricaturadas e alegóricas
  • Perfil psicológico das personagens
  • Presença de humor e comicidade
  • Elementos alegóricos e místicos
  • Caráter moralizante e satírico
  • Temas pastoris, cotidianos, profanos e religiosos

Exemplo

Para compreender melhor a linguagem utilizada pelo dramaturgo, segue abaixo um trecho de uma de suas obras mais emblemáticas:

Auto da Barca do Inferno

“DIABO À barca, à barca, houlá!
que temos gentil maré!
- Ora venha o carro a ré!
COMPANHEIRO Feito, feito!
Bem está!
Vai tu muitieramá,
e atesa aquele palanco
e despeja aquele banco,
pera a gente que virá.
À barca, à barca, hu-u!
Asinha, que se quer ir!
Oh, que tempo de partir,
louvores a Berzebu!
- Ora, sus! que fazes tu?
Despeja todo esse leito!
COMPANHEIRO Em boa hora! Feito, feito!
DIABO Abaixa aramá esse cu!”

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Daniela Diana
Daniela Diana
Licenciada em Letras pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) em 2008 e Bacharelada em Produção Cultural pela Universidade Federal Fluminense (UFF) em 2014. Amante das letras, artes e culturas, desde 2012 trabalha com produção e gestão de conteúdos on-line.