Unicórnio

Juliana Bezerra

O unicórnio é uma figura mitológica originária do Oriente.

Sua história, provavelmente, foi trazida por mercadores que faziam a rota do Oriente com a Europa.

Origem

A figura do unicórnio não pertence a nenhuma mitologia em particular, mas foi incorporada ao imaginário medieval europeu e usada para explicar conceitos do cristianismo.

O unicórnio se trataria de um cavalo com um chifre, que poderia ser espiral ou liso, barbicha de bode e casco dividido. A pelagem é de cor branca ou prateada, e suas patas possuíam pelos lisos e abundantes.

Teria um temperamento dócil e passava seus dias pastando tranquilamente, sem causar nenhum mal a ninguém.

Unicórnio
Um unicórnio em seu habitat natural

Seus chifres e pelos teriam propriedades curativas e eram cobiçados por caçadores. No entanto, como seria um equino extremamente veloz e forte, sua captura era praticamente impossível.

Porém, o único meio de caçá-lo seria com a ajuda de uma virgem, pois o unicórnio se sentia atraído por uma criatura tão inocente como ele mesmo. Somente desta maneira, o animal se tornaria uma presa fácil para seus captores.

Significado

O mito do unicórnio foi utilizado na religião cristã, nas artes e na psicologia. Atualmente, o unicórnio foi recuperado pelas empresas de entretenimento, livros de literatura infanto-juvenil e até na linguagem business.

Vejamos abaixo como cada uma dessas áreas utiliza a figura do unicórnio.

O unicórnio e a dama
Tapeçaria 'O unicórnio e a Dama', do séc. XIII, exposta no museu da Idade Média, em Paris

Cristianismo

Pela sua pureza, o unicórnio era associado à virgindade de Maria. Igualmente, era usado para personificar a encarnação de Deus em Jesus.

O unicórnio, no entanto, pode simbolizar o mal e, neste sentido, aparece retratado como uma besta selvagem em algumas traduções bíblicas .

Ateísmo

Por sua parte, ateus usam a imagem do 'unicórnio rosa invisível' a fim de criticar de maneira bem-humorada as religiões teístas e suas crenças.

Psicologia

O psicanalista Carl Jung (1875-1961) usou o arquétipo do cavalo com chifres para ilustrar tanto a pureza como a luxúria. Desta forma, o unicórnio representa a dualidade e a oposição.

Como o unicórnio não tem sexo definido, ele simboliza a androgenia e a indefinição de um gênero sexual. Da mesma maneira, ao ser atraído por virgens e possuir um chifre, significaria a atração dos homens por uma mulher intocada.

Literatura

O unicórnio é uma figura mitológica que surge em várias estórias da literatura infanto-juvenil como na obra "Alice no país das Maravilhas" (1865) de Lewis Carrol. Também encontramos esses seres mitológicos na série de romances de fantasia "As Crônicas de Nárnia", publicada entre 1950 e 1956.

As obras de J. K. Rowling, "Harry Potter", publicadas entre 1998 e 2007, também fazem referências a esses seres fantásticos. Todas elas tiveram adaptações para o cinema.

Negócios

A empresária americana Aileen Kee (1970) buscou na figura mitológica do unicórnio, um símbolo para caracterizar startups com atributos especiais. Desde então, o cavalo com chifres tornou-se ícone das novas empresas bem-sucedidas.

Curiosidades

  • O cantor e compositor cubano Sílvio Rodriguez (1946) criou a canção 'Unicórnio Azul' cuja letra é um lamento pela desaparecimento do seu unicórnio azul. Este pode ser interpretado de várias maneiras como a perda de inspiração, o amor e até mesmo, a tampa de uma caneta.
  • Em 2010, um movimento intitulado 'seapunk' conquistou as redes sociais e cantores pops, influenciando a cultura de massas. A estética do unicórnio colorido se espalhou pelo mundo inspirando artistas, maquiagem, fantasias e roupas.

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Juliana Bezerra
Juliana Bezerra
Bacharelada e Licenciada em História, pela PUC-RJ. Especialista em Relações Internacionais, pelo Unilasalle-RJ. Mestre em História da América Latina e União Europeia pela Universidade de Alcalá, Espanha.