Zenão

Pedro Menezes

Zenão de Eleia foi um dos grandes filósofos pré-socráticos da filosofia antiga grega. Discípulo de Parmênides, Zenão contribuiu para o pensamento filosófico formulando diversos paradoxos para comprovar as falhas nas teses contrárias ao pensamento de seu mestre.

A escola eleática originada com Parmênides afirma a imutabilidade e a impossibilidade da perspectiva de Heráclito que afirma que tudo está em constante movimento.

Biografia de Zenão

Zenão de Eleia
Zenão de Eleia mostrando as portas da verdade e da falsidade para seus discípulos

Zenão nasceu em 488 a.C. na cidade de Eleia, localizada na Magna Grécia, atual Itália.

Pertenceu a Escola Eleática, local em que desenvolveu seu pensamento. Foi discípulo de Parmênides (510-470 a.C.), defendendo a filosofia de seu mestre sobre os estudos do ser, da razão e da lógica. Para o filósofo grego Aristóteles, ele foi o criador do método dialético.

Além da filosofia, Zenão foi professor e se envolveu com a política. Se posicionou contra um dos tiranos que governava a cidade e assim, foi preso, torturado em praça pública e morto. Nesse evento, ele se recusou a delatar seus colegas, falecendo em 430 a.C.

Obras

Atualmente, podemos encontrar alguns trechos de suas obras mais destacadas:

  • Discussões
  • Contra os Físicos
  • Sobre a Natureza
  • Explicação Crítica de Empédocles

Principais Ideias

O filósofo elaborou diversos paradoxos, sendo que o mais importante é aquele que ficou conhecido como “Paradoxo de Zenão”, sem dúvida seu principal pensamento.

Esse conceito estava relacionado com a impossibilidade do movimento defendido por Heráclito. Para isso, Zenão utiliza como metáfora, uma corrida de Aquiles contra uma tartaruga.

Na mitologia grega, Aquiles foi um herói grego muito veloz. No entanto, no Paradoxo de Zenão, ele perderia a corrida para a tartaruga a partir da racionalização e divisão do movimento.

A imagem abaixo que representa o paradoxo defendido por Zenão.

Aquiles vs. Tartaruga - Paradoxo de Zenão
Paradoxo de Zenão - Aquiles jamais alcançaria a tartaruga se sempre tivesse que percorrer primeiro a metade do caminho restante.

Com isso, ele quis demonstrar a inexistência do movimento bem como do espaço, do tempo e da velocidade.

A partir da lógica, ele comprovou o equívoco das coisas, o que nos leva a uma conclusão errônea, que por sua vez, parece ser verdadeira.

Ou seja, a ilusão geraria esse pensamento errôneo sobre o mundo. Assim, procurou demostrar o absurdo e a falsidade gerada pelas impressões humanas.

A partir da dialética, ele criou diversos argumentos demostrando a inexistência do movimento. Foi contra o pensamento desenvolvido pelos pitagóricos, em que a multiplicidade do ser e do mundo fora explicada através dos números.

Sendo assim, Zenão acreditava na unidade do ser em detrimento da pluralidade. Nas palavras do filósofo: “O verdadeiro é apenas o um, todo o resto é não-verdadeiro”.

Saiba mais sobre o tema com a leitura dos artigos:

Zenão de Cítio

Muito comum haver confusão entre Zenão de Eleia e Zenão de Cítio. Ambos são filósofos gregos da filosofia antiga, no entanto, Zenão de Cítio (336-263 a.C.) foi o fundador do estoicismo, teoria filosófica inspirada na natureza.

Segundo ele, a felicidade é encontrada por meio da compreensão sobre a natureza e o homem. Nas palavras do filósofo: “O sentido da vida consiste estar de acordo com a natureza.”

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Pedro Menezes
Pedro Menezes
Licenciado em Filosofia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e Mestrando em Ciências da Educação pela Universidade do Porto (FPCEUP).