Apócope

Carla Muniz

A apócope é a supressão de um fonema ou de uma sílaba no fim de determinada palavra.

Assim, podemos dizer que ocorre apócope quando acontece a perda de uma ou mais letras no fim de um vocábulo.

Regras de uso

Como regra geral, podemos dizer que sofrem apócope os adjetivos ou advérbios utilizados antes de substantivos masculinos no singular.

Exemplos:

  • El piso de Fabián es el primero. (O andar do Fabián é o primeiro.)
  • Fabián vive en el primer piso. (Fabián mora no primeiro andar.)

Observe que nas frases acima, tanto primero quanto primer têm o mesmo significado: primeiro.

No entanto, primer é uma palavra apocopada, ou seja, é uma apócope, pois é utilizada antes de um substantivo masculino no singular: piso (andar).

Confira as explicações abaixo para conhecer algumas das principais palavras onde ocorre apócope e os casos que constituem exceção.

Algún e alguno

As palavras algún e alguno têm o mesmo significado: algum.

Algún é a forma apocopada de alguno e é utilizada antes de substantivos masculinos no singular.

Veja abaixo exemplos de uso de ambas as formas.

Exemplos:

  • No hay motivo alguno para hablar así. (Não há motivo algum para falar assim.)
  • ¿Hay algún motivo para hablar así? (Há algum motivo para falar assim?)
  • ¿Tienes algún diccionario de español para prestarme? (Você tem algum dicionário de espanhol para me emprestar?)
  • En mi casa no hay diccionario alguno. (Na minha casa não há dicionário algum.)

Buen e bueno

As palavras buen e bueno têm o mesmo significado: bom.

Buen é a forma apocopada de bueno e é utilizada antes de substantivos masculinos no singular.

Veja abaixo exemplos de uso de ambas as formas.

Exemplos:

  • Juan es un profesor bueno. (Juan é um professor bom.)
  • Juan es un buen profesor. (Juan é um bom professor.)
  • Has tenido un buen desempeño. (Você teve um bom desempenho.)
  • Tu desempeño fue bueno. (Teu desempenho foi bom.)

Cualquier e cualquiera

As palavras cualquier e cualquiera têm o mesmo significado: qualquer.

Podemos classificar essas duas palavras como um caso de exceção no que diz respeito à apócope.

Cualquier é a forma apocopada de cualquiera e é utilizada antes de substantivos masculinos ou femininos no singular.

Já a palavra cualquiera é utilizada depois de substantivos masculinos ou femininos no singular.

Veja abaixo exemplos de uso de ambas as formas.

Exemplos:

  • Elige un libro cualquiera. (Escolhe un livro qualquer.)
  • Puedes elegir cualquier libro. (Você pode escolher qualquer livro.)
  • He comprado una camisa cualquiera. (Comprei uma camisa qualquer.)
  • Puedes usar estos pantalones con cualquier camisa. (Você pode usar essa calça com qualquer camisa.)

Como você pode observar nos exemplos acima, cualquier e cualquiera podem ser utilizados com substantivo masculino (libro) e com substantivo feminino (camisa).

Gran e grande

As palavras gran e grande têm o mesmo significado: grande.

Podemos classificar essas duas palavras como um caso de exceção no que diz respeito à apócope.

Gran é a forma apocopada de grande e é utilizada antes de substantivos masculinos ou femininos no singular.

Já a palavra grande é utilizada depois de substantivos masculinos ou femininos no singular.

Veja abaixo exemplos de uso de ambas as formas.

Exemplos:

  • Recibió una gran cantidad de dinero. (Recebeu uma grande quantidade de dinheiro.)
  • Recibió una cantidad grande de dinero. (Recebeu uma quantidade grande de dinheiro.)
  • España es un gran país. (A Espanha é um grande país.)
  • España es un país grande. (A Espanha é um país grande.)

Mal e malo

As palavras mal e malo têm o mesmo significado: mau/mal.

Mal é a forma apocopada de malo e é utilizada antes de substantivos masculinos no singular.

Veja abaixo exemplos de uso de ambas as formas.

Exemplos:

  • Alberto es un director malo. (Alberto é um mal diretor.)
  • Alberto es un mal director. (Alberto é um mal diretor.)
  • Él es un vecino malo. (Ele é um vizinho mau.)
  • Él es un mal vecino. (Ele é um mal vizinho.)

apócope espanhol

Ningún e ninguno

As palavras ningún e ninguno têm o mesmo significado: nenhum.

Ningún é a forma apocopada de ninguno e é utilizada antes de substantivos masculinos no singular.

Veja abaixo exemplos de uso de ambas as formas.

Exemplos:

  • No tengo problema ninguno. (Não tenho problema nenhum.)
  • No tengo ningún problema. (Não tenho nenhum problema.)
  • Vive sin amigo ninguno. (Vive sem amigo nenhum.)
  • Vive sin ningun amigo. (Vive sem nenhum amigo.)

Primer e primero

As palavras primer e primero têm o mesmo significado: primeiro.

Primer é a forma apocopada de primero e é utilizada antes de substantivos masculinos no singular.

Veja abaixo exemplos de uso de ambas as formas.

Exemplos:

  • Fue el atleta que llegó primero. (Foi o atleta que chegou primeiro.)
  • Fue el primer atleta en llegar. (Foi o primeiro atleta a chegar.)
  • Hoy es día primero de mayo. (Hoje é dia primeiro de maio.)
  • El primer de mayo es un día festivo. (Primeiro de maio é feriado.)

Posesivos

Antes de substantivos masculinos no singular, deve-se usar a forma apocopada dos possessivos.

Forma plenaApócope
Mío (meu); Mía (minha)Mi (meu/minha)
Tuyo (teu); Tuya (tua)Tu (teu/tua)
Suyo (seu); Suya (sua)Su (seu/sua)

Observe que a apócope dos pronomes não varia em gênero. A mesma forma é utilizada para o masculino e o feminino.

No entanto, existe variação de número.

SingularPlural
Mi (meu/minha)Mis
Tu (teu/tua)Tus
Su (seu/sua)Sus

Exemplos:

  • Este reloj es mío. (Este relógio é meu.)
  • Este es mi reloj. (Esté é o meu relógio.)
  • No me gusta este coche. El tuyo es mejor. (Não gosto deste carro. O teu é melhor.)
  • ¿Dónde está tu hermano? (Onde está o teu irmão?)
  • ¿Este bolígrafo es mío o tuyo? (Esta caneta é minha ou tua?)
  • Sus libros están conmigo. (Seus livros estão comigo.)

Tercer e tercero

As palavras tercer e tercero têm o mesmo significado: terceiro.

Tercer é a forma apocopada de tercero e é utilizada antes de substantivos masculinos no singular.

Veja abaixo exemplos de uso de ambas as formas.

Exemplos:

  • Luis Miguel fue el tercero en presentarse. (Luis Miguel foi o terceiro a se apresentar.)
  • El tercer cantante a presentarse fue Luis Miguel. (O terceiro cantor a se apresentar foi Luis Miguel.)
  • Llegó en tercer lugar. (Chegou em terceiro lugar.)
  • Fue el tercero en llegar. (Foi o terceiro a chegar.)

Un e uno

As palavras un e uno têm o mesmo significado: um.

Un é a forma apocopada de uno e é utilizada antes de substantivos masculinos no singular.

Veja abaixo exemplos de uso de ambas as formas.

Essa regra também é válida para palavras que terminem com o numeral um, como é o caso da palavra, ventiuno(vinte e um).

Exemplos:

  • De todos mis primos, sólo me llevo bien con uno. (De todos os meus primos, só me dou bem com um.)
  • Tengo un primo colombiano. (Tenho um primo colombiano.)
  • El total de alumnos de esta escuela es de ventiuno. (O total de alunos desta escola é de vinte e um.)
  • Tengo ventiún años. (Tenho vinte e um anos.)

Vídeo sobre apócope

Assista o vídeo abaixo e saiba mais sobre apócope e os usos de algún/alguno, buen/bueno, mal/malo, ningún/ninguno, primer/primero, tercer/tercero, un/uno, dentre outros.

Resumo sobre apócope

Confira abaixo um mapa mental que vai ajudar você a internalizar o uso da apócope em espanhol.

mapa mental apócope espanhol

Exercícios sobre apócope

O Toda Matéria separou exercícios de provas e concursos públicos para ajudar você a treinar os seus conhecimentos sobre a apócope em espanhol.

1. (UECE/2013)

texto prova

En “gran montículo” (línea 45) la forma “gran” está apocopada. Apunta el otro caso de apócope empleado correctamente.

a) Nos vemos muy a menudo.
b) Se fue a San Domingo.
c) Aquí hace muy frío.
d) Sólo me han dado cien.

Alternativa correta: a) Nos vemos muy a menudo.

Muy é a apócope de mucho. Ambas as palavras significam muito.

Muy é um advérbio de intensidade utilizado antes de adjetivos, advérbios e locuções adverbiais.

A menudo é uma locução adverbial que significa muitas vezes, frequentemente.

2. (UECE/2011)

Descubren una extraña especie de animal con “dientes de sable”

“Uno lo ve y no lo cree, parece un animal imposible, como hecho de partes de diferentes criaturas. Es como descubrir un unicornio”. Juan Carlos Cisneros, paleontólogo de la Universidad Federal de Piauí, en Ininga, Brasil, reconoce que se quedó de piedra cuando, con la ayuda de sus colegas, descubrió en una hacienda del estado brasileño de Río Grande del Sur parte del cráneo y otros restos de un animal que la ciencia no había descrito jamás. Se trata, según los investigadores, de una nueva especie de herbívoro terápsido, pariente de los mamíferos modernos, que vivió en el Pérmico hace de 260 a 265 millones de años, antes incluso de que aparecieran los dinosaurios. Su aspecto es de lo más insólito. Tiene el tamaño de un perro grande, algo robusto, pero lo que más llama la atención son sus dientes. Además de tener una especie de muelas en el paladar, lo que ya es una rareza, ostentaba un par de caninos de 12 centímetros que salían permanentemente de su boca, como ocurre con los tigres dientes de sable. La investigación aparece publicada en la revista Science. El equipo de Cisneros bautizó a la extraña criatura como Tiarajudens eccentricus. “’Tiarajud’ corresponde al nombre del lugar donde fue encontrado, ‘dens’ significa dientes y ‘eccentricus’, Extraño”, explica a ABC el paleontólogo, experto en vertebrados. El equipo encontró el lado izquierdo del cráneo y diferentes huesos, todos también del lado izquierdo del cuerpo. Los investigadores no saben como murió el animal, pero como los huesos aparecieron articulados, muy cerca unos de otros, creen que algún evento lo sepultó rápidamente y pudo llegar así hasta nuestros días. Lo que más llama la atención del Tiarajudens son sus curiosos dientes. “Tenía muelas en el cielo de la boca, algo que no se ha visto en ningún otro animal”, señala Cisneros. Los dientes anchos, con coronas amplias, hechas para masticar plantas fibrosas, indican que se trata de un herbívoro. Por si esto fuera poco, la criatura lucía unos caninos enormes, del tamaño de un crayón o un lápiz de cera, que nacían en el cráneo y quedaban siempre en el exterior, aunque el animal tuviera la boca cerrada. “Resultan muy extraños en un ser que se alimenta de vegetales. Posiblemente pudieron servir para defenderse de sus depredadores, como ocurre con el jabalí o el hipopótamo, para luchar entre los machos en competencia por una hembra o para defender el territorio”, indica su descubridor. El Tiarajudens convivía con otros herbívoros que no masticaban, los pareiasaurios, algunos depredadores dinocéfalos y con anfibios gigantes del tamaño de un cocodrilo. Completaban un curioso zoológico. Su hábitat era desértico, con dunas y pequeños lagos, muy diferente al Brasil actual y más parecido, por ejemplo, a Namibia. Juan Carlos Cisneros está seguro de que se trata de una nueva especie, y no de algún animal ya conocido con una anomalía. ”Son demasiadas características nuevas”, insiste. El único ser con el que ha encontrado alguna semejanza es con una criatura llamada “cabeza rara”, descubierta hace diez años en Sudáfrica.

José Manuel Nieves Periódico: ABC – España 13/05/2010 (Adaptado)

La forma apocopada “muy” completa correctamente la siguiente frase

a) Pepe trabaja más que el hermano y gana __________ menos.
b) Confieso que te quiero __________.
c) __________ me alegro con tu visita.
d) Le he dicho todo __________ en serio.

Alternativa correta: d) Le he dicho todo __________ en serio.

Muy é a apócope de mucho. Ambas as palavras significam muito.

Muy é um advérbio de intensidade utilizado antes de adjetivos, advérbios e locuções adverbiais.

En serio é uma locução adverbial que significa a sério.

3. (URCA/2012)

Completa las frases siguientes con los posesivos correspondientes:

a) Lorena, ______ joyas son muy preciosas.
b) ____ compañeros brasileños son muy amables.
c) Pablo, María, ¿son _________ estás maletas azules?
d) El libro del escritor catalán Juan Marsé es ______ .
e) ______ madre es la mejor persona del mundo.

La alternativa correcta con los posesivos es:

a) suyas, míos, vuestros, nuestro, mi
b) sus, mis, vuestras, mío, mi
c) sus, míos, suas, mi, mía
d) las suyas, tuyos, vuestras, tuyo, tuya
e) tuyas, tuyos, nuestras, mío, la mía

Alternativa correta: b) sus, mis, vuestras, mío, mi.

Para preencher as frases acima é importante recapitular que os possessivos em espanhol podem ser utilizados em sua forma plena ou apocopada.

As formas apocopadas são utilizadas quando precedem um substantivo.

Vamos analisar o preenchimento de cada frase:

Na frase a), a palavra imediatamente a seguir à lacuna é um substantivo. Com isso, já ficamos sabendo que devemos utilizar uma apócope.

A única apócope disponibilizada como primeira opção é a palavra “sus” (seus/suas). Assim, as únicas alternativas que se mantém válidas são as letras b) e c).

Observe que as apócopes dos possessivos em espanhol são comuns de dois gêneros, ou seja, usa-se a mesma forma para o masculino e para o feminino. (Mis amigos; mis amigas).

Na frase b), assim como ocorre na frase a), a lacuna a ser preenchida antecede um substantivo (compañeros). Isso é um indicativo de que devemos utilizar uma apócope.

Lembre-se que apenas as alternativas b) e c) continuaram válidas. Das duas, apenas a b) apresenta uma apócope (mis).

Nesse ponto do exercício já sabemos que a alternativa b) é a reposta correta. No entanto, vamos continuar a análise das frases seguintes.

Na frase c), o discurso é direcionado a duas pessoas (Pablo e María) e se refere à palavra “maletas” (substantivo feminino).

A lacuna a ser preenchida não é seguida por um substantivo e com isso, a palavra a completar a frase não pode ser uma apócope.

Na frase d), observe que a lacuna corresponde à última palavra da frase. Assim, a palavra a ser utilizada não pode ser uma apócope pois não há nenhum substantivo a seguir.

Por fim, veja que a lacuna da letra e) antecede o substantivo “madre”. A palavra a completar a frase deve ser uma apócope.

4. (UNIFAE-PR/2000)

Completa la siguiente oración con los indefinidos correctos:

A: ¿Hay _________ aquí que pueda ayudarme?
B: Lo siento, ahora no hay ________. Si quiere espere hasta que llegue ________ empleado.

a) alguien – ningún – alguno
b) alguno – alguien – alguno
c) nadie – alguien – algún
d) algún – nadie – algún
e) alguien – nadie – algún

Alternativa correta: e) alguien – nadie – algún

Observe que na primeira lacuna, a pergunta é geral e não específica.

Assim sendo, as alternativas b) e d) ficam descartadas, afinal, as palavras “algún” (algum) e “alguno” (algum) são obrigatoriamente acompanhadas por um substantivo.

A alternativa c) também não se adéqua principalmente no que diz respeito ao sentido da frase. A palavra “nadie” significa “ninguém”. Se a pergunta fosse “Há ninguém aqui que me possa ajudar?”, ela não teria sentido.

Com isso, apenas as alternativas a) e e) continuam válidas (alguien = alguém).

Agora vamos analisar o preenchimento da segunda lacuna.

Tendo em conta que apenas podemos prosseguir com as alternativas a) e e), temos duas opções: “ningún” (nenhum) e “nadie” (ninguém).

Lembre-se que “ningún” precisa estar acompanhado de um substantivo (Ex.: ningún amigo = nenhum amigo).

Além de a frase não ter nenhum substantivo, o próprio sentido ficaria comprometido com o uso de “ningún” para preencher a lacuna.

Dito isso, a palavra mais adequada é “nadie”: “Lo siento, ahora no hay nadie.” (Sinto muito, agora não há ninguém.)

Aqui, já ficamos sabendo que a resposta correta do exercício é a alternativa e). No entanto, vamos analisar o preenchimento da última lacuna.

As alternativas disponibilizadas como opção são as palavras “algún” e “alguno”.

“Algún” é apócope de “alguno”. Ambas as palavras significam “algum” e o que diferencia o uso de cada uma é que “algún” é usado antes de substantivo masculino no singular.

Observe que a lacuna antecede um substantivo masculino no singular (empleado = funcionário).

Por esse motivo, a palavra correta para preencher a última lacuna é “algún”:

"Si quiere espere hasta que llegue algún empleado." (Se quiser, espere até que chegue algum funcionário.)

Carla Muniz
Carla Muniz
Professora, lexicógrafa, tradutora, produtora de conteúdos e revisora. Licenciada em Letras (Português, Inglês e Literaturas) pelas Faculdades Integradas Simonsen, em 2002.