Cuba

Juliana Bezerra

Cuba, cujo nome oficial é República de Cuba, é uma ilha localizada no Mar do Caribe.

O país exerceu um papel geopolítico crucial no século XX, pois era o único Estado socialista geograficamente mais próximo dos Estados Unidos.

Dados Gerais

  • Nome: República de Cuba
  • Capital: Havana
  • Moeda: peso cubano
  • Regime de governo: República socialista leninista-marxista unitária
  • Presidente: Miguel Diaz Canel (desde 19 de abril de 2018)
  • Idioma: espanhol
  • População: 11 milhões (2017)
  • Área: 110.861 km2
  • Densidade demográfica: 102 habitantes por km2.
  • Cidades: Havana, Santiago de Cuba, Santa Clara, Varadero.

Bandeira

Bandeira de Cuba

A bandeira cubana é feita de cinco faixas horizontais: três azuis e duas brancas. À esquerda temos um triângulo vermelho com uma estrela branca.

Foi criada em 1849, pelo general Narciso López (1797-1851) e tem origens maçônicas. Contudo, só foi adotada como bandeira oficial do país em 1902 quando Cuba se tornou um país independente.

As cores azul, branca e vermelha estão associadas aos ideais de liberdade, igualdade e fraternidade e inspiraram um sem-número de pavilhões nacionais por todo mundo.

Já o triângulo foi inspirado na mesma forma geométrica que os maçons usam para representar a divindade. A estrela, por sua vez, representaria a solidão de um país independente como os grandes ideais da humanidade.

Mapa

Mapa de Cuba
Mapa de Cuba com suas províncias

Cuba está localizada no Mar do Caribe. A ilha de Cuba é a principal, seguida da Ilha da Juventude e mais de 350 ilhotas fazem parte da república.

Ao norte está os Estados Unidos; ao sul, a Jamaica; a leste, o México; e a Oeste, ilhas como Turco e Caicos.

Clima

O clima de Cuba é tropical, úmido e com temperaturas que oscilam de 18º a 31º durante o ano. Possui duas estações: a seca de novembro a abril e chuvosa, de maio a setembro.

Devido a sua localização, o país é vítima de furacões, especialmente nos meses de agosto a outubro, quando as tormentas caribenhas são mais frequentes.

História

Cuba era habitada por índios taínos e ciboneys, como a maioria das ilhas do Caribe. Após a chegada dos espanhóis, devido às doenças e guerras, a população indígena praticamente desapareceu.

Desta maneira, os espanhóis importaram africanos escravizados para trabalharem nos engenhos de açúcar e nas plantações de tabaco, os dois grandes produtos da ilha.

Além disso, era um importante porto de redistribuição de negros escravizados e parada para os galeões espanhóis que atravessavam o Atlântico.

Por isso, Cuba era considerada a "pérola do Caribe", a "joia da Coroa" e foi uma das mais prósperas colônias do Império Espanhol.

Sua economia era tão próspera que Cuba inaugurou a primeira linha ferroviária em 1837, treze anos antes da Espanha.

Independência

Ao contrário das colônias espanholas na América do Sul e Central, Cuba só se tornaria independente no final do século XIX.

O processo de Cuba também contaria com forte influência dos Estados Unidos através das armas, da política e do dinheiro.

Isto se deveu a diversos fatores. Primeiro, a Coroa espanhola conseguiu sufocar qualquer tentativa de revolta, seja pelas armas seja por concessões econômicas. Segundo, a pequena dimensão da ilha tornava a vigilância mais eficiente.

Por sua parte, o governo americano havia declarado em 1823 a Doutrina Monroe, que avisava que o continente americano seria apenas para americanos, não aceitando a ingerência das potências europeias.

Igualmente, em 1852, o governo americano faz uma proposta de compra de Cuba ao governo espanhol, mas a oferta é recusada. Posteriormente, os EUA voltariam a insistir na aquisição da ilha por mais duas vezes, porém a Espanha nunca aceitou.

Em 1868, um grupo de revolucionários cubanos realiza uma série de levantes e pedem o reconhecimento da independência por parte da Espanha. O resultado é o envio de mais soldados à ilha.

Em 1895, liderados por José Martí (1853-1895), uma nova tentativa de separação é feita, sem sucesso. Enquanto isso, os americanos faziam uma campanha na imprensa contra a Espanha e acolhiam os exilados cubanos. Isso tudo ajudaria a preparar a opinião pública para uma iminente guerra contra o país europeu.

Guerra Hispano-Americana

O pretexto viria em 25 de janeiro de 1898 quando ocorre uma explosão no navio americano "Maine", ancorado no porto de Havana, matando 16 americanos.

O governo americano rapidamente acusou os espanhóis de serem os responsáveis pelo atentado e declarou guerra ao país. Ao mesmo tempo, aproveitam atacar as Filipinas e outras possessões espanholas no Pacífico.

Sem ter como fazer frente a um inimigo mais poderoso e sustentar duas frentes de batalha, os espanhóis perderam seus territórios para os Estados Unidos no Caribe e no Pacífico

Protetorado Americano

Cuba
A independência de Cuba pelos americanos: o país deixa o Velho Mundo (crocodilo), mas será guiada pelos Estados Unidos (Tio Sam).

Após o fim da guerra, os Estados Unidos obrigam o governo cubano a aceitar a Ementa Platt na Constituição de 1903.

A Emenda Platt previa:

  • cessão de terras aos Estados Unidos;
  • intervenção militar americana em Cuba quando a soberania desta se visse ameaçada;
  • proibição de tratados com outros países;
  • limitação da dívida pública e de empréstimos exteriores.

Os Estados Unidos passam a controlar as atividades econômicas da ilha, além de obter a concessão da região de Guantánamo. A Emenda Platt só seria revogada em 1934.

Revolução Cubana

A Revolução Cubana, liderada por Fidel Castro, Che Guevara, Camilo Cienfuegos, entre outros, incendiaram o mundo em plena Guerra Fria.

Um grupo de cubanos, que se opunha ao governo do ditador Fulgêncio Batista, consegue derrubá-lo e tomar o poder em 1959. Os Estados Unidos armam dissidentes e tentam invadir a ilha pela Baía dos Porcos, mas são derrotados.

Sem seu principal comprador e investidor, Cuba aceita a ajuda que lhe é oferecida pela União Soviética. Desta maneira é instalado o socialismo na ilha Caribenha.

O país conseguiu erradicar o analfabetismo e tornou a saúde um bem universal. No entanto, perseguiu seus opositores, censurou jornais e proibiu que seus habitantes deixassem a ilha.

Economia

Quando foi colonizada pelos espanhóis, a ilha se tornou uma grande produtora de açúcar, rum e tabaco.

Após a independência, devido à influência dos Estados Unidos, parte da economia se manteve agrícola. No entanto, houve impulso do setor de serviços com a construção de cassinos, hotéis, casas de veraneio para os americanos ricos.

Após a Revolução Cubana em 1960, o país garantiu uma parte do mercado soviético para seus produtos e recebia petróleo, máquinas e peças.

Segundo o Departamento de Comércio americano, em 2016, as exportações americanas para Cuba somam menos de 400 milhões de dólares por ano. O produto mais exportado são alimentos.

Por outra parte, não se sabe o volume das exportações cubanas para os EUA, porque, oficialmente, elas não existem. O embargo comercial que se seguiu por parte dos Estados Unidos, proíbe qualquer investimento americano.

Em 2000, com Hugo Chávez, passa receber petróleo e ajuda financeira da Venezuela. No entanto, em 2013, com a baixa de preços, o país volta a sofrer com a crise econômica.

Ao assumir o governo em 2006, Raúl Castro, irmão de Fidel, impulsiona uma série de reformas que incluem a abertura comercial. Desta maneira, agora é possível:

  • ter seu próprio negócio e 10% da população ativa já o faz;
  • empresas estrangeiras investirem e contratarem cubanos, na Zona Econômica Especial de Desenvolvimento Mariel;
  • comprar e vender imóveis, ainda que haja muitas restrições. Apesar disso, em dois anos, 40.000 casas foram negociadas.

Fim do Embargo Americano?

O presidente americano Barack Obama tentou pôr fim ao embargo econômico, mas a medida não foi aprovada pelo Congresso.

De qualquer maneira, Obama visitou a ilha, reabriu a embaixada americana, permitiu o restabelecimento de voos comerciais entre ambos os países, dentre outras medidas que facilitariam a aproximação dos dois países.

No entanto, com a eleição de Donald Trump para a Casa Branca, muitas dessas resoluções já foram desfeitas.

Cultura

Cuba
Ritmos originários de Cuba, como a salsa, conquistaram o mundo inteiro

Por causa da mestiçagem e do encontro de culturas, os cubanos desenvolveram um cultura rica em música, poesia e literatura.

Música

Os ritmos cubano como a guajira, a salsa, o mambo, a conga, o bolero ganharam notoriedade. Devido a influência norte-americana, vários artistas levaram sua arte para centros como Hollywood e Nova York e daí para o mundo inteiro.

Qualquer lista de músicos cubanos sempre estará incompleta devido à qualidade, quantidade e fama internacional que alcançaram.

Desde a "rainha da salsa" Célia Cruz (1925-2003), ao rapero americano de origem cubana Pitbull (1981), passando instrumentistas do jazz, como Mario Bauzá, os músicos cubanos conquistaram o mundo com seu talento e originalidade.

Vamos citar apenas alguns:

Ruben González pianista Compay Segundo cantor e violonista
Celia Cruz cantora Paquito D'Rivera clarinetista e saxofonista
Bebo Valdez compositor e pianista Arturo Sandoval trompetista
Israel 'Cachao' López contrabaixista Chucho Valdés pianista
Gloria Estefan cantora Omara Portuondo cantora
Jon Secada cantor Ibrahim Ferrer cantor
Ernesto Lecuona pianista Leo Bouwer violonista
Pablo Milanés compositor Sílvio Rodriguez compositor

Em 2004, a companhia brasileira de dança Grupo Corpo, realizou a coreografia "Lecuona" baseada na obra do compositor cubano.

Literatura

A ilha de Cuba foi pródiga com escritores e poetas que a cantaram em prosa e verso. Apesar de nunca ter sido distinguida com um prêmio Nobel, a literatura cubana enriqueceu o vocabulário espanhol e universal.

Alguns exemplos são José Martí, Guillermo Cabrera-Infante, Alejo Carpentier, Pedro Juan Gutierrez, etc.

Dança

A dança se desenvolveu tanto em nível popular com a conga, a salsa, o mambo, o cha cha chá quanto no lado clássico sendo o Ballet Nacional de Cuba, uma das grande companhias de balé de todo mundo.

Desde 1959, a companhia é dirigida pela bailarina Alicia Alonso (1921) e já se apresentou em diversos países, inclusive no Brasil.

Religião

A maioria do país se declara cristã católica. No entanto, tal qual aconteceu no Brasil, a religião trazida pelas pessoas escravizadas se fundiu ao catolicismo gerando a santeria.

Assim como no Candomblé, o orixás foram identificados com os santos católicos e nos terreiros se vê a presença de imagens católicas junto aos atabaques e sacrifícios de animais.

Apesar do regime ter se declarado ateu e incorporar a critica dos comunistas à religião, o fato é que Cuba foi um dos poucos países de orientação socialista que manteve seu representante diplomático no Vaticano.

Atualmente, as religiões neopentecostais também estão crescendo em Cuba.

Curiosidades

  • Em 1999, Fidel Castro fundou a Escola Latino-Americana de Medicina com o objetivo de fomentar o estudo na região. Calcula-se que mais 500 estudantes brasileiros já tenham passado pela instituição.
  • Ao menos dois "drinks" de origem cubana ganharam os bares do todo mundo: cuba libre e daiquiri.
  • Devido ao sucesso da novela brasileira "Vale Tudo", de Gilberto Braga, em Cuba, a palavra "paladar" virou sinônimo para restaurante. Isto se deve porque a personagem Raquel, interpretada pela atriz Regina Duarte, era proprietária de um estabelecimento chamado "Paladar".

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Juliana Bezerra
Juliana Bezerra
Bacharelada e Licenciada em História, pela PUC-RJ. Especialista em Relações Internacionais, pelo Unilasalle-RJ. Mestre em História da América Latina e União Europeia pela Universidade de Alcalá, Espanha.