Di Cavalcanti

Daniela Diana

Di Cavalcanti foi um dos maiores ícones do movimento modernista da década de 1920.

Além de pintor, ele foi desenhista, ilustrador, cartunista, caricaturista, muralista, cenógrafo, escritor, jornalista, poeta e doutor honoris causa pela Universidade Federal da Bahia.

Biografia

Cavalcanti

Emiliano Augusto Cavalcanti de Albuquerque e Melo nasceu na cidade do Rio de Janeiro no dia 6 de setembro de 1897. Era filho de Frederico Augusto Cavalcanti de Albuquerque e Melo com Rosalia de Sena.

Sua educação artística começa muito cedo, pois aos onze anos (1908) já era aluno do pintor Gaspar Puga Garcia.

Ainda jovem, aos 13 anos, Di Cavalcanti publicou na Revista “Fon-Fon”, onde viria a trabalhar em 1914 fazendo ilustrações.

Em 1916 ingressou na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco e, neste período, conheceu Mário e Oswald de Andrade no ateliê do impressionista George Fischer Elpons.

No ano seguinte (1917), o artista teve sua primeira exposição individual na redação de "A Cigarra", em São Paulo.

Em 1919, Di Cavalcanti trabalhou como Ilustrador para o livro “Carnaval”, de Manuel Bandeira (1886-1968). Mais adiante, em 1921, ilustrará a “A Balada do Enforcado”, de Oscar Wilde (1854-1900).

Um de suas proezas foi a idealização da Semana de Arte Moderna no Teatro Municipal de São Paulo em fevereiro de 1922, na qual expôs 11 obras e as ilustrações publicitárias.

A primeira viagem à Europa seria no ano seguinte (1923), onde residiu em Paris até 1925. Expôs suas obras em Berlim, Bruxelas, Amsterdã, Londres e Paris.

Quando retornou ao Brasil, em 1926, Cavalcanti trabalhou como ilustrador para o livro “Losango Cáqui”, de Mário de Andrade (1893-1945) e no “Diário da Noite”, onde também foi jornalista.

Em 1928, filia-se ao Partido Comunista do Brasil (PCB) e, alguns anos mais tarde (1932), torna-se membro fundador do Clube dos Artistas Modernos. Cavalcanti é preso em 1932, no contexto da Revolução Constitucionalista.

No ano de 1936, ainda perseguido, foge para Paris, onde se refugia até o início da Segunda Guerra Mundial. Neste meio tempo, viaja pelo Uruguai e Argentina para expor suas obras e é premiado na “Exposição de Arte Técnica” de Paris pela decoração do Pavilhão da Companhia Franco-Brasileira (1937).

No ano de 1946, Di Cavalcanti Ilustrou livros de Vinícius de Morais, Álvares de Azevedo e Jorge Amado. Em 1949, apresenta suas obras na Cidade do México e, em 1951, na I Bienal Internacional de Arte de São Paulo. Na II Bienal de São Paulo, em 1953, recebeu a láurea de melhor pintor nacional junto com Alfredo Volpi.

Em 1954, o modernista é homenageado pelo “Museu de Arte Moderna” do Rio de Janeiro com uma exposição retrospectiva de seus trabalhos. No ano seguinte (1955), publica o livro de memórias “Viagem de minha vida”.

Participou da Bienal de Veneza em 1956, mesmo ano que é premiado na “Mostra de Arte Sacra” de Trieste, na Itália.

Alguns anos depois, em 1960, Di Cavalcanti ganha a medalha de ouro na "Bienal Interamericana do México", onde teve uma sala especial para suas obras.

Nesta mesma década, em 1966, ele recupera seus trabalhos extraviados no início dos anos de 1940 e ficaram armazenados nos porões da embaixada brasileira.

Em 1971, outra retrospectiva de sua obra é organizada para homenagear Di Cavalcanti, desta vez pelo Museu de Arte Moderna de São Paulo. Por fim, Di Cavalcante falece no Rio de Janeiro em 26 de outubro de 1976.

Principais obras e características

Di Cavalcanti

Di Cavalcanti sofreu grande influência das obras de Picasso, bem como de muralistas mexicanos como Diego Rivera.

Transparece em suas obras a influência do expressionismo alemão e do cubismo, principalmente pelas cores vibrantes e desenhos sinuosos que retrataram temas caracteristicamente brasileiros, tais como o carnaval, as mulatas, os operários, as favelas.

Sua estética sensual buscava, acima de tudo, a construção de uma identidade nacional. Além disso, Cavalcanti se contrapunha abertamente ao academicismo e ao abstracionismo.

Dentre as grandes obras deste artista, destacam-se:

  • Pierrete (1922)
  • Pierrot (1924)
  • Cinco Moças de Guaratinguetá (1930)
  • Mulheres com Frutas (1932)
  • Ciganos (1940)
  • Mulheres Protestando (1941)
  • Aldeia de Pescadores (1950)
  • Nu e figuras (1950)
  • Duas Mulatas (1964)
  • Músicos (1963)
  • Mulatas e Pombas (1966)
  • Baile Popular (1972)
Daniela Diana
Daniela Diana
Licenciada em Letras pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) em 2008 e Bacharelada em Produção Cultural pela Universidade Federal Fluminense (UFF) em 2014. Amante das letras, artes e culturas, desde 2012 trabalha com produção e gestão de conteúdos on-line.