Figura de Linguagem Elipse

Daniela Diana

A elipse é uma figura de linguagem que está na categoria de figuras de sintaxe (ou de construção). Isso porque ela está relacionada com a construção sintática dos enunciados.

Ela é utilizada para omitir termos numa sentença que não forem mencionados anteriormente. No entanto, esses termos são facilmente identificáveis pelo interlocutor.

Exemplo: Comi no restaurante da minha avó na semana passada.

No exemplo acima, sabemos que pela conjugação do verbo (primeira pessoa do singular), o termo omitido foi o pronome pessoal (eu). Esse caso é chamado de “elipse de sujeito”.

Além da omissão do sujeito, a elipse pode ocorrer com outros termos da frase: verbos, advérbios e conjunções.

Utilizamos essa figura de linguagem (ou estilo) cotidianamente nos discursos informais (linguagem oral).

Ela é também muito empregada nos textos de modo a oferecer maior fluidez textual, evitando, por exemplo, a repetição de alguns termos nas frases. Importante notar que a ausência desses termos não interfere na compreensão textual.

Além da elipse, outras figuras de sintaxe são: zeugma, hipérbato, silepse, assíndeto, polissíndeto, anáfora, anacoluto e pleonasmo.

Exemplos

Confira abaixo alguns exemplos de elipse na música e na literatura:

  • Na sala, apenas quatro ou cinco convidados.” (Machado de Assis) – omissão do verbo “haver”. (Na sala havia apenas quatro ou cinco convidados)
  • A tarde talvez fosse azul, não houvesse tantos desejos.” (Carlos Drummond de Andrade) – omissão da conjunção “se”. (A tarde talvez fosse azul se não houvesse tantos desejos)
  • Onde se esconde a minha bem-amada?/Onde a minha namorada...” (música “Canto triste” Edu Lobo) – omissão do verbo “está”. (Onde está a minha namorada...)
  • Quando olhaste bem nos olhos meus/E o teu olhar era de adeus, juro que não acreditei.” (música “Atrás da porta”) –omissão dos pronomes “tu” e “eu” (Quando tu olhaste bem nos olhos meus/E o teu olhar era de adeus, eu juro que não acreditei)

Elipse e Zeugma

A zeugma, tal qual a elipse, é figura de sintaxe. Ela é considerada um tipo de elipse.

A diferença entre elas consiste na identificação do termo na frase. Ou seja, na elipse, o termo pode ser identificado pelo contexto, ou mesmo, pela gramática. Mas, na elipse esses termos não foram mencionados anteriormente.

Já na zeugma, os termos que foram omitidos já foram mencionados. Para compreender melhor, veja abaixo os exemplos:

  • Elipse: Andei por todo o parque. (Eu)
  • Zeugma: Anne comprou banana, eu, maçã. (Comprei)

Atenção!

Quando a zeugma é empregada, o uso da vírgula, do ponto e vírgula ou do ponto final é obrigatório.

Exemplos:

  • Na casa de Alfredo tinha jacuzzi; na minha, uma piscina. (omissão de “tinha”)
  • Na casa de Maria havia laranjeira. Na minha, limoeiro. (omissão de “havia”)
  • Mariana prefere artes plásticas, eu, cinema. (omissão de “prefiro”)

Curiosidades

  • Do grego, o termo “élleipsis” significa “omissão” ou “falta”.
  • Na matemática, o termo elipse define um tipo de forma ou de gráfico.
  • Na astronomia, as elipses designam órbitas planetárias.

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Daniela Diana
Daniela Diana
Licenciada em Letras pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) em 2008 e Bacharelada em Produção Cultural pela Universidade Federal Fluminense (UFF) em 2014. Amante das letras, artes e culturas, desde 2012 trabalha com produção e gestão de conteúdos on-line.