Figura de Linguagem Gradação

Daniela Diana

A gradação (ou clímax) é uma figura de linguagem que está na categoria de figura de pensamento. Ela ocorre mediante uma hierarquia dos termos que compõem a frase.

A gradação é empregada por meio da enumeração de elementos frasais. Tem o intuito de enfatizar as ideias numa sentença de ritmo crescente, até atingir o clímax (grau máximo).

Ou seja, ela oferece maior expressividade ao texto utilizando uma sequência de palavras que intensificam uma ideia de maneira gradativa, e por isso recebe esse nome.

Essa figura de estilo é utilizada na linguagem artística, seja em textos poéticos ou musicais.

Além da gradação, outras figuras de pensamento são: personificação (ou prosopopeia), eufemismo, hipérbole (ou auxese), litote, antítese, paradoxo (ou oximoro), ironia e apóstrofe.

Classificação

Na gradação, essa hierarquia pode ocorrer na forma crescente ou decrescente. Quando ela ocorre de maneira crescente é chamada de clímax ou gradação ascendente.

Por sua vez, se ocorre de maneira decrescente é chamada de anticlímax ou gradação descendente. Para compreender melhor, confira abaixo os exemplos:

  • No restaurante, sentei, pedi, comi, paguei. (clímax)
  • Ana estava pelo mundo e chegou no país, no estado, na cidade, no bairro. (anticlímax)

Exemplos de Gradação

Veja abaixo exemplos de gradação na literatura e na música:

  • Por mais que me procure, antes de tudo ser feito,/eu era amor. Só isso encontro./Caminho, navego, voo,/- sempre amor.” (Cecília Meireles)
  • Mais dez, mais cem, mais mil e mais um bilião, uns cingidos de luz, outros ensangüentados (...).” (Machado de Assis)
  • Em cada porta um freqüentado olheiro,/que a vida do vizinho, e da vizinha/pesquisa, escuta, espreita, e esquadrinha,/para a levar à Praça, e ao Terreiro.” (Gregório de Matos)
  • Oh, não aguardes, que a madura idade/Te converta em flor, essa beleza/Em terra, em cinza, em pó, em sobra, em nada.” (Gregório de Matos)
  • O trigo... nasceu, cresceu, espigou, amadureceu, colheu-se.” (Padre Antônio Vieira)
  • Ninguém deve aproximar-se da jaula, o felino poderá enfurecer-se, quebrar as grades, despedaçar meio mundo.” (Murilo Mendes)
  • Eu era pobre. Era subalterno. Era nada.” (Monteiro Lobato)
  • Carregando flores/E a se desmanchar/E foram virando peixes/Virando conchas/Virando seixos/Virando areia.” (Música “Mar e Lua” de Chico Buarque)
  • E o meu jardim da vida/Ressecou, morreu/Do pé que brotou Maria/Nem margarida nasceu.” (Música “Flor de Lis de Djavan)

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Daniela Diana
Daniela Diana
Licenciada em Letras pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) em 2008 e Bacharelada em Produção Cultural pela Universidade Federal Fluminense (UFF) em 2014. Amante das letras, artes e culturas, desde 2012 trabalha com produção e gestão de conteúdos on-line.