Guerra da Argélia

Juliana Bezerra

A Guerra da Argélia (1954-1962) foi um conflito de argelinos contra franceses para conquistar a independência do país.

O conflito provocou a morte de mais de 300 mil argelinos, 27.500 sodados franceses e o êxodo de 900 mil colonos franceses.

Contexto Histórico

A França vinha se estabelecendo no continente africano ao longo do século XIX e desde 1830 estavam no território argelino. Através da Conferência de Berlim, as fronteiras foram definidas e a França ocupou boa parte do norte da África.

No entanto, após a Segunda Guerra Mundial, a ONU pressiona os países imperialistas para que se desfaçam de suas colônias ou mudem o seu status.

A França não vivia um bom momento, após o enfraquecimento resultante da Segunda Guerra Mundial e a derrota na guerra contra a Indochina (1946-1954).

Resumo

Guerra da Argélia
"Um só herói: o povo": frases como essas eram comuns durante a Guerra da Argélia

A luta pela libertação da Argélia passa ser capitaneada pela FLN (Frente de Libertação Nacional). A FLN era liderada por Ahmed Ben Bella (1916-2012) e atuava na guerrilha urbana e rural.

Em 1º de novembro de 1954 é feito uma série de atentados terroristas de autoria da FLN que são considerados como o início das hostilidades entre a França e a Argélia.

A resposta francesa foi enviar cerca de 400.000 soldados para a Argélia entre os quais muitos que haviam estado na Indochina. Isso gera protestos na própria França que vê milhares de jovens cumprirem o serviço militar nesta guerra.

Contudo, na Argélia, a população se divide. Muitos árabes-berberes viam com bons olhos a colonização francesa e vários colonos franceses já tinham construído sua vida ali, se identificando mais com a Argélia do que com a própria França.

A sociedade francesa se escandaliza com as notícias do uso de tortura por parte do Exército francês e do FLN e começam os protestos contra a guerra.

Conflito

Guerra da Argélia De Gaulle
De Gaulle pronuncia um discurso em Argel, capital da Argélia, em 4 de junho de 1958

Com medo de perder mais uma colônia, o governo francês chama em 1958 o general De Gaulle (1890-1970) para gerir a crise. De Gaulle tinha sido comandante dos franceses durante a Segunda Guerra Mundial e era extremamente popular.

O general, no entanto, exige que se promulgue uma nova Constituição e provoca a queda da IV República na França. Deste modo, nasce a V República francesa, onde os poderes do presidente são ampliados e os do Legislativo, diminuídos.

A Nova Carta foi submetida a referendum em 28 de setembro de 1958.

Ao visitar a Argélia, em 1958, De Gaulle percebeu que não havia muito que fazer e concede a autodeterminação do povo argelino. Neste mesmo ano, é fundada provisoriamente a república da Argélia, mas os combates continuam.

Vários colonos franceses sentem-se traídos pelo general e fundam a OAS (Organização do Exército Secreto) que impôs uma política terrorista com orientação de extrema direita com atentados na França e na Argélia.

Em 1961, este grupo e alguns generais franceses tentam um golpe na Argélia contra a França. A ação fracassa, mas revela a necessidade de encontrar uma solução rápida para a contenda.

Sem apoio da população na França e sem conseguir uma vitória no campo de batalha, De Gaulle foi autorizado por um referendo popular a negociar a paz com o governo provisório republicano da Argélia.

Fim da Guerra

Somente em 8 de março de 1962, com a assinatura do Acordo de Evian, terminou a guerra na Argélia. Posteriormente, o tratado de paz seria submetido a referendo ao povo argelino em abril.

Em seguida, em 5 de julho de 1962 foi proclamada a República Democrática e Popular da Argélia. Após a convocação da Assembleia Constituinte, Ahmed Ben Bella - líder da FLN - foi conduzido à presidência.

A violência continuaria, pois vários pieds-noir (pés pretos, argelinos de origem europeia) são, literalmente, caçados no país. Ao irem para a França, tampouco são aceitos plenamente nesta sociedade, porque são vistos como inferiores.

Curiosidades

  • Em 1966, o diretor ítalo-argelino Gillo Pontecorvo, lançou o filme "A Batalha de Argel" considerado uma obra-prima do neorrealismo e fundamental para entender o conflito.
  • Até hoje, os descendentes de colonos franceses argelinos não são bem-vistos na França ou não conseguem se identificar completamente com o país. Um exemplo é o jogador Karim Benzema, de origem argelina, que não cantava o hino francês quando jogava com a seleção nacional.

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Juliana Bezerra
Juliana Bezerra
Bacharelada e Licenciada em História, pela PUC-RJ. Especialista em Relações Internacionais, pelo Unilasalle-RJ. Mestre em História da América Latina e União Europeia pela Universidade de Alcalá, Espanha.