O que é a regionalização (do Brasil e do mundo) com exemplos
Regionalizar é o ato de dividir o espaço geográfico de acordo com critérios preestabelecidos. Esses critérios podem ser econômicos, climáticos, sociais, políticos, culturais, dentre muitos outros.
Já a região é a porção do espaço depois de regionalizado. Portanto, para se caracterizar como uma região é preciso haver características internas semelhantes, que a distingua das áreas próximas.
O principal objetivo da regionalização é facilitar o planejamento e a gestão do espaço. O agrupamento de áreas com características semelhantes beneficia no diagnóstico de problemas, gestão de recursos, implementação de políticas públicas e compreensão de desigualdades sociais.
Critérios de regionalização
Para criar uma região é preciso um "fio condutor", ou seja, um critério. Dentre os principais estão:
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Naturais (físicos): a partir das características como clima, vegetação, relevo, solo, hidrografia ou, até mesmo, a união deles (como biomas e domínios morfoclimáticos, por exemplo). Ajuda a entender as condições naturais que influenciam a vida humana;
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Econômicos: analisa setores como agricultura, pecuária, indústria, e permite compreender o nível de desenvolvimento e as desigualdades econômicas;
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Social: inclui indicadores como qualidade de vida, IDH, renda, acesso à educação. Evidencia desigualdades sociais dentro de um país ou entre países;
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Cultural: considera idioma, tradição, história, religião e costumes. Pode mostrar como a identidade cultural influencia a organização do espaço;
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Político-administrativos: considera fronteiras oficiais, estados, municípios e países. Facilita a administração e o planejamento governamental.
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Geoeconômicos (Socioeconômicos): nível de industrialização, tecnologia, renda e inserção na economia global. Permite uma visão mais completa das desigualdades globais.
Principais tipos de regionalização
Para entender o espaço geográfico, são utilizadas três categorias principais de regionalização.
A região formal (ou homogênea) baseia-se na semelhança entre os lugares. O critério escolhido (clima, relevo, língua, bioma) deve se repetir em toda a extensão da região.
A região funcional é definida pela sua função, ou seja, pelos fluxos, mercadorias, conexão, interdependência. A lógica dessa regionalização baseia-se na existência de um polo (centro) que influencia as regiões próximas (periferias).
A região político-administrativa possui uma lógica territorial rígida, e é criada através de leis oficiais e regulamentações. O objetivo é a gestão pública.
Observe o quadro-resumo a seguir, com exemplos dessas regionalizações no Brasil:
| REGIÃO | CRITÉRIO | EXEMPLO NO BRASIL |
|---|---|---|
| FORMAL | Semelhança (seja natural, social, econômica, cultural) | Domínios Morfoclimáticos |
| FUNCIONAL | Conexão e fluxos | Região metropolitana de São Paulo |
| POLÍTICO-ADMINISTRATIVA | Limites jurídicos | Divisão dos estados brasileiros |
Regionalizações brasileiras
No Brasil, a regionalização pode ser feita a partir de diferentes critérios, gerando divisões distintas do território, cada uma com um objetivo específico. Veja as principais, com exemplos:
1. Regionalização oficial (político-administrativa)
É a mais conhecida e usada no dia a dia. Foi elaborada pelo IBGE e divide o país em 5 regiões: Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul.
O principal critério utilizado foi o administrativo, agrupando estados com certa proximidade que, por conta disso, acabam apresentando outros tipos de semelhança como clima ou economia.
Essa divisão é muito usada em livros didáticos, censos e políticas públicas.

2. Regiões Geoeconômicas (complexos regionais)
Divide o Brasil em 3 grandes regiões: Amazônia, Nordeste e Centro-Sul.
Para compor essa regionalização em 1967, o geógrafo Pedro Geiger utilizou a união de três critérios: histórico + econômico + social.
O agrupamento nessas três regiões é caracterizada da seguinte forma:
- Centro-Sul: concentra a maior industrialização (São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná);
- Amazônia: forte presença de atividades extrativistas e grande cobertura vegetal;
- Nordeste: apresenta ocupação historicamente importante com grandes evidências de desigualdade social.
Diferente da divisão do IBGE, aqui um único estado pode ser dividido entre duas regiões. Por exemplo, o sul do Mato Grosso faz parte do Centro-Sul, enquanto o nordeste e norte de Minas gerais fazem parte do Nordeste.

3. Regionalização dos 4 Brasis
Divide o Brasil em 4 grandes regiões: Região Concentrada (Sul + Sudeste) e demais regiões (Centro-Oeste, Norte e Nordeste). Os critérios utilizados têm relação com o nível de modernização e infraestrutura disponíveis através do meio técnico-científico-informacional.
Portanto, a Região Concentrada possui maior densidade de indústrias, redes de transporte e tecnologia.
Foi proposta pelo geógrafo brasileiro Milton Santos, em parceria com geógrafa argentina Maria Laura Silveira.
A partir dessa regionalização é possível perceber como o desenvolvimento econômico e tecnológico no Brasil é desigual.

4. Regionalização por biomas (critério natural)
Divide o território com base nas características naturais, especialmente vegetação, clima e fauna.
Divide o Brasil nos seguintes biomas: Amazônia, Cerrado, Caatinga, Mata Atlântica, Pampa e Pantanal.
Essa regionalização é muito usada em estudos ambientais.

5. Regionalização socioeconômica
Divide o Brasil com base em indicadores sociais e econômicos. Considera índices de renda, educação, saúde, etc.
Esse tipo de regionalização é ideal para compreender as desigualdades no território, os locais de maiores desafios sociais e locais com melhores condições de vida.
No Brasil as regiões do Sudeste apresentam, em geral, o IDH mais alto. Enquanto isso, áreas do Norte e Nordeste apresentam, em média, IDH menor e diferentes tipos de desigualdades sociais.
Regionalização do mundo
A regionalização do mundo pode ser feita a partir de diferentes critérios, assim como ocorre no Brasil.
O critério físico (ou natural) divide o mundo com base em elementos como clima, relevo, vegetação e hidrografia. Um exemplo é a divisão em continentes ou em zonas climáticas (tropical, temperada e polar). Esse tipo de regionalização é útil para estudos ambientais, mas não considera aspectos sociais e econômicos.
O critério histórico-cultural considera fatores como colonização, língua, religião e costumes. Um exemplo é a divisão em “Velho Mundo”, “Novo Mundo” e “Novíssimo Mundo”, além da distinção entre América Latina e América Anglo-Saxônica. Apesar de importante, esse critério pode simplificar realidades culturais muito diversas.
O critério econômico ou geopolítico analisa as desigualdades de riqueza, poder e desenvolvimento entre os países. Um exemplo é a divisão entre Norte e Sul global, que diferencia países mais desenvolvidos de países em desenvolvimento. Essa divisão não é geográfica, pois países do hemisfério sul, como o Brasil, fazem parte do Sul econômico, enquanto outros, como a Austrália, estão no Norte econômico.
O critério geopolítico também pôde ser observado na Guerra Fria, quando o mundo foi dividido entre países capitalistas e socialistas.
Não existe uma única forma correta de regionalizar o mundo. Cada critério revela aspectos diferentes da realidade e contribui para uma compreensão mais completa das dinâmicas globais.
Região e regionalização no ENEM
O ENEM cobra regionalização de forma interpretativa, geralmente por meio de mapas, gráficos e textos. O mais importante é identificar qual critério está sendo usado (natural, econômico, cultural ou político).
Também é comum aparecer a ideia de que existem várias formas de regionalizar o mesmo espaço, dependendo do objetivo da análise.
O exame pode questionar divisões simplificadas, como Norte e Sul, usando exemplos como Austrália e Brasil para mostrar que essas classificações não são absolutas.
Além disso, a regionalização pode aparecer ligada a contextos históricos, como a Guerra Fria, ou à análise de desigualdades regionais.
Em resumo: o ENEM valoriza a compreensão do espaço como diverso, dinâmico e desigual.
Veja também:
Regiões do Brasil e suas características (com mapa)
Exercícios sobre as regiões brasileiras (com questões comentadas)
Referências Bibliográficas
CORRÊA, Roberto Lobato. Região e organização espacial. 10. ed. São Paulo: Ática, 2017.
IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Divisão regional do Brasil em regiões geográficas imediatas e regiões geográficas intermediárias. Rio de Janeiro: IBGE, 2017.
ROSS, Jurandyr Luciano Sanches (Org.). Geografia do Brasil. 6. ed. São Paulo: EDUSP, 2019.
SCOFANO, Amanda. O que é a regionalização (do Brasil e do mundo) com exemplos. Toda Matéria, [s.d.]. Disponível em: https://www.todamateria.com.br/o-que-e-a-regionalizacao-do-brasil-e-do-mundo-com-exemplos/. Acesso em: