Principais Características do Totalitarismo

Juliana Bezerra

O Totalitarismo é um regime político no qual o governo é autoritário, nacionalista, antidemocrático e militarista.

O Estado possui poderes enormes que abarcam todos os setores das vidas dos cidadãos, incluindo a educação, o lazer e o exercício de cidadania.

O termo "totalitarismo" surgiu nos anos 20 para descrever o governo fascista de Benito Mussolini, na Itália.

Resumo

O totalitarismo, como regime político, nasce no século XX, junto à crise do capitalismo internacional e das democracias liberais surgidas no período entre guerras.

Igualmente, se reforça com a profunda crise econômica mundial de 1929. Afinal, o aumento da inflação, desemprego e miséria, levou a ascensão de ideias totalitárias que conquistaram os cidadãos de alguns países.

A ideia comum aos líderes totalitários fascistas era encontrar formas de restabelecer a ordem social e capitalista impedindo assim, o avanço do socialismo. Por sua vez, os regimes totalitários de esquerda usavam dos mesmos métodos para conter o capitalismo.

Então, o totalitarismo é uma prática política onde o Estado é forte, centralizador, e se identifica com as ideias de um único partido político.

Países totalitários

Os exemplos mais significativos foram: o stalinismo, na União Soviética; o nazismo, na Alemanha; o fascismo, na Itália; e o maoismo, na China. Vemos que o totalitarismo independe, portanto, se o governo é de esquerda ou de direita.

Alguns regimes não foram considerados totalitaristas e sim autoritários como foi o caso do salazarismo, em Portugal; e do franquismo, na Espanha.

Atualmente, o único país classificado como totalitário é a Coreia do Norte.

Principais características do totalitarismo

Os regimes totalitários fascistas ou socialistas guardaram certas semelhanças. Vejamos algumas delas:

Culto ao líder

Os regimes totalitários dão uma ênfase muito grande à figura do líder, a ponto de tornar sua imagem onipresente.

O dirigente sempre é retratado como a pessoa que possui liderança nata e reúne todas as qualidades para conduzir o povo a melhores condições de vida. A biografia é contada em tom grandioso e convenientemente editada. Isso significa que seus opositores são omitidos ou caluniados.

A vida do dirigente totalitário é difundida por todos os meios de comunicação e mostrada como um exemplo a ser seguido. Geralmente, a família do líder não aparece na propaganda oficial, para acentuar o caráter de sacrifício que comete o prócer ao renunciar tudo por sua pátria.

Partido único

Uma das principais características do totalitarismo é o estabelecimento de um único partido no país. Isso significa que todos os outros partidos políticos serão considerados ilegais.

Assim, por meio de uma ideologia oficial e hierarquia rígida, a política deixa de ser algo que pode ser discutido por toda sociedade, para ser apenas feita por um grupo reduzido.

Os cidadãos são chamados a participar da vida política através de manifestações de massas, como festas patrióticas, concentrações em estádios e desfiles. Para conseguir esta adesão, as pessoas são captadas e submetidas pela propaganda governamental.

Educação

O regime totalitarista tem um cuidado especial com a educação. Além de ditar o conteúdo que deve ser ensinado nas escolas, regimenta a infância e a juventude em clubes e organizações.

Ali, muitas vezes as crianças recebiam treinamento militar, instrução sobre a ideologia do Estado e faziam juramentos de fidelidade ao líder.

Hitler sendo saudado por crianças e jovens unifomizados
Hitler é saudado por membros da Juventude Hitlerista na década de 30

Controle ideológico

Para controlar a população são criados órgãos de repressão como a polícia política.

Todo indivíduo que leia, discuta ou propague uma ideia diferente daquela ensinada pelo Estado seria passivo de condenação.

Vemos, então, que o totalitarismo gera violência, posto que as pessoas que não se alinham à ideologia do Estado são punidas de maneira severa. Alguns exemplos são as prisões políticas, campos de reeducação, perda de direitos políticos e de emprego.

Militarismo

A fim de manter acesa a chama da "revolução" ou da criação de um "homem novo", o totalitarismo promove o militarismo.

Assim, estimular o militarismo é uma forma de manter a cidadania em alerta. Incluem-se desde as práticas educacionais com lições de tiro e treinamento físico, até a escolha de um inimigo que deverá ser odiado por todos.

O militarismo gera a vontade e a desculpa para conquistar territórios ou manter aqueles que já se possuía. Por isso, diante desses aspectos, não causa espanto que todos os regimes totalitários europeus procuraram expandir suas fronteiras.

Propaganda e censura

A propaganda política do Estado prolifera com o intuito de exaltar a personalidade do líder, captar os cidadãos para a nova ideologia e controlá-los.

Os meios de comunicação são censurados e somente aquilo que era autorizado pelo Estado podia ser transmitido. Desta maneira, a população deixa de ter contato com novas ideias.

Além disso, o totalitarismo exalta o povo a quem se dirige como o melhor do mundo e sempre escolhe um "inimigo" para contrapor. Isto será largamente explorado pela propaganda oficial.

Caricatura russa onde um operário uniformizado resiste ao oferecimento de produtos feito por um velho que veste a bandeira americana
Um trabalhador soviético forte rejeita as propostas do capitalista americano, inimigo do socialismo, retratado como um velho ambicioso

Intervencionismo estatal

No campo econômico, o intervencionismo estatal (anti-liberal) é outra importante característica do totalitarismo, visto que o controle e o planejamento geral da economia fica a cargo do Estado.

Países como Portugal, Itália e Espanha organizaram suas economias de forma corporativa; enquanto na Alemanha, as grandes empresas tiveram mais liberdade para realizar seus negócios.

Já na URSS, a economia estava toda a cargo do Estado, pois toda propriedade lhe pertencia.

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Juliana Bezerra
Juliana Bezerra
Bacharelada e Licenciada em História, pela PUC-RJ. Especialista em Relações Internacionais, pelo Unilasalle-RJ. Mestre em História da América Latina e União Europeia pela Universidade de Alcalá, Espanha.