Questões de História no Enem

Juliana Bezerra

A prova de História do Enem pede ao candidato capacidade interpretativa e habilidade para fazer relações com várias disciplinas.

Por isso, preparamos uma lista com 11 questões que abordam temas de História do Brasil, Geral, América e África. Tudo para você se preparar e entrar na Universidade dos seus sonhos.

Bom estudo!

1. (Enem/2013) É preciso ressaltar que, de todas as capitanias brasileiras, Minas era a mais urbanizada. Não havia ali hegemonia de um ou dois grandes centros. A região era repleta de vilas e arraiais, grandes e pequenos, em cujas ruas muita gente circulava.

PAIVA, E. F. O ouro e as transformações na sociedade colonial. São Paulo: Atual, 1998.

As regiões da América portuguesa tiveram distintas lógicas de ocupação. Uma explicação para a especificidade da região descrita no texto está identificada na:

a) apropriação cultural diante das influências externas.
b) produção manufatureira diante do exclusivo comercial.
c) insubordinação religiosa diante da hierarquia eclesiástica.
d) fiscalização estatal diante das particularidades econômicas.
e) autonomia administrativa diante das instituições metropolitanas.

Alternativa correta d) fiscalização estatal diante das particularidades econômicas.

Por conta da extração do ouro, Minas Gerais sempre foi mais vigiada pelo poder público a fim de garantir que as riquezas encontradas chegariam à Corte.

As outras opções não refletem a realidade histórica da região neste período com exageros como "produção manufatureira" e "autonomia administrativa".

2. (Enem/2016) No aniversário do primeiro decênio da Marcha sobre Roma, em outubro de 1932, Mussolini irá inaugurar sua Via dell Impero; a nova Via Sacra do Fascismo, ornada com estátuas de César, Augusto, Trajano, servirá ao culto do antigo e à glória do Império Romano e de espaço comemorativo do ufanismo italiano. Às sombras do passado recriado ergue-se a nova Roma, que pode vangloriar-se e celebrar seus imperadores e homens fortes; seus grandes poetas e apólogos como Horácio e Virgílio.

SILVA, G. História antiga e usos do passado um estudo de apropriações da Antiguidade sob o regime de Vichy. São Paulo: Annablume, 2007 (adaptado).

A retomada da Antiguidade clássica pela perspectiva do patrimônio cultural foi realizada com o objetivo de

a) afirmar o ideário cristão para reconquistar a grandeza perdida.
b) utilizar os vestígios restaurados para justificar o regime político.
c) difundir os saberes ancestrais para moralizar os costumes sociais.
d) refazer o urbanismo clássico para favorecer a participação política.
e) recompor a organização republicana para fortalecer a administração estatal.

Alternativa correta b) utilizar os vestígios restaurados para justificar o regime político.

Mussolini utiliza o passado do Império Romano para mostrar a continuidade entre os dois regimes e assim, empregava vários símbolos desta época a fim de reforçar esta ligação. Desta maneira, ele reforçava a ideia de um passado expansionista para justificar as conquistas na África, por exemplo.

As demais opções não são corretas, pois o regime de Mussolini não tinha intenção de "afirmar o ideário cristão para reconquistar a grandeza perdida" e também não utilizou a Antiguidade para "favorecer a participação política".

3. (Enem/2016) É hoje a nossa festa nacional. O Brasil inteiro, da capital do Império à mais remota e insignificante de suas aldeolas, congrega-se unânime para comemorar o dia que o tirou dentre as nações dependentes para colocá-lo entre as nações soberanas, e entregou-lhes seus destinos, que até então haviam ficado a cargo de um povo estranho.

Gazeta de Notícias, 7 set.1883.

As festividades em torno da Independência do Brasil marcam o nosso calendário desde os anos imediatamente posteriores ao de setembro de 1822. Essa comemoração está diretamente relacionada com:

a) a construção e manutenção de símbolos para a formação de uma identidade nacional.
b) o domínio da elite brasileira sobre os principais cargos políticos, que se efetivou logo após 1822.
c) os interesses de senhores de terras que, após a Independência, exigiram a abolição da escravidão.
d) o apoio popular às medidas tomadas pelo governo imperial para a expulsão de estrangeiros do país.
e) a consciência da população sobre os seus direitos adquiridos posteriormente à transferência da Corte para o Rio de Janeiro.

Alternativa correta a) a construção e manutenção de símbolos para a formação de uma identidade nacional.

Esta é uma questão onde se necessita mais conhecimentos de interpretação que de História. O uso de símbolos como festas nacionais, bandeira e hino tem como objetivo formar uma comunidade que se identifique com esses emblemas e assim, uma identidade nacional.

As demais opções não são corretas. A alternativa b) "o domínio da elite brasileira sobre os principais cargos políticos, que se efetivou logo após 1822" poderia nos confundir. No entanto, o cenário político no Brasil independente era bastante confuso e ainda não havia uma consciência nacional por parte deste elite.

4. (Enem/2010) Para o Paraguai, portanto, essa foi uma guerra pela sobrevivência. De todo modo, uma guerra contra dois gigantes estava fadada a ser um teste debilitante e severo para uma economia de base tão estreita. Lopez precisava de uma vitória rápida e, se não conseguisse vencer rapidamente, provavelmente não venceria nunca.

LYNCH, J. As Repúblicas do Prata: da Independência à Guerra do Paraguai. BETHELL, Leslie (Org). História da América Latina: da Independência até 1870, v. III. São Paulo: Edusp , 2004.

A Guerra do Paraguai teve consequências políticas importantes para o Brasil, pois

a) representou a afirmação do Exército Brasileiro como um ator político de primeira ordem.
b) confirmou a conquista da hegemonia brasileira sobre a Bacia Platina.
c) concretizou a emancipação dos escravos negros.
d) incentivou a adoção de um regime constitucional monárquico.
e) solucionou a crise financeira, em razão das indenizações recebidas.

Alternativa correta a) representou a afirmação do Exército Brasileiro como um ator político de primeira ordem.

O Exército brasileiro saiu fortalecido do conflito e passou a exigir mais participação no cenário político, o que acabaria redundando no golpe republicano.

As demais opções não são corretas. Afinal, o Brasil não conquista a hegemonia da Bacia Platina e nem os escravos negros são emancipados.

5. (Enem/2011) Se a mania de fechar, verdadeiro habitus da mentalidade medieval nascido talvez de um profundo sentimento de insegurança, estava difundida no mundo rural, estava do mesmo modo no meio urbano, pois que uma das características da cidade era de ser limitada por portas e por uma muralha.

DUBY, G. et al. “Séculos XIV-XV”. In: ARIÈS, P.; DUBY, G. História da vida privada da Europa Feudal à Renascença. São Paulo: Cia. das Letras, 1990 (adaptado).

As práticas e os usos das muralhas sofreram importantes mudanças no final da Idade Média, quando elas assumiram a função de pontos de passagem ou pórticos. Este processo está diretamente relacionado com:

a) o crescimento das atividades comerciais e urbanas.
b) a migração de camponeses e artesãos.
c) a expansão dos parques industriais e fabris.
d) o aumento do número de castelos e feudos.
e) a contenção das epidemias e doenças.

Alternativa correta a) o crescimento das atividades comerciais e urbanas.

No começo da Idade Média, as muralhas tinha função defensiva. No entanto, com o aumento populacional e o deslocamento de pessoas e mercadorias, urgia controlar a entrada e saída nas cidades, além de cobrar os respectivos impostos.

As demais opções não são corretas. A opção e) "a contenção das epidemias e doenças" já era una função das muralhas e a alternativa c) "a expansão dos parques industriais e fabris" não corresponde aos fatos históricos da época.

6. (Enem/2016)

TEXTO I

Embora eles, artistas modernos, se deem como novos precursores duma arte a ir, nada é mais velho que a arte anormal. De há muitos já que a estudam os psiquiatras em seus tratados, documentando-se nos inúmeros desenhos que ornam as paredes internas dos manicômios. Essas considerações são provocadas pela exposição da Sra. Malfatti. Sejam sinceros: futurismo, cubismo,impressionismo e tutti quanti não passam de outros tantos ramos da arte caricatural.

LOBATO. M. Paranoia ou mistificação: a propósito da exposição de Anita Malfatli. O Estado de São Paulo. 20 dez. 1917 (adaptado).

TEXTO II

Anita Malfatti, possuidora de uma alta consciência do que faz, a vibrante artista não temeu levantar com os seus cinquenta trabalhos as mais irritadas opiniões e as mais contrariantes hostilidades. As suas telas chocam o preconceito fotográfico que geralmente se leva no espírito para as nossas exposições de pintura. Na arte, a realidade na ilusão é o que todos procuram. E os naturalistas mais perfeitos são os que melhor conseguem iludir.

ANDRADE, O. A exposição Anita Malfatti. Jornal do Cormmercio. 11 jan. 1918 (adaptado).

TEXTO III

Enem

A análise dos documentos apresentados demonstra que o cenário artístico brasileiro no primeiro quartel do século XX era caracterizado pelo(a)

a) domínio do academicismo, que dificultava a recepção da vertente realista na obra de Anita Malfatti.
b) dissonância entre as vertentes artísticas, que divergiam sobre a validade do modelo estético europeu.
c) exaltação da beleza e da rigidez da forma, que justificavam a adaptação da estética europeia à realidade brasileira.
d) impacto de novas linguagens estéticas, que alteravam o conceito de arte e abasteciam a busca por uma produção artística nacional.
e) influência dos movimentos artísticos europeus de vanguarda, que levava os modernistas a copiarem suas técnicas e temáticas.

Alternativa correta d) impacto de novas linguagens estéticas, que alteravam o conceito de arte e abasteciam a busca por uma produção artística nacional.

Nesta questão é preciso usar os conhecimentos das aulas de literatura e arte a fim de respondê-la bem.

No começo do século XX, os artistas brasileiros usaram as novas correntes artísticas europeias para reinterpretar o Brasil e falar do que era "ser brasileiro". Isto se reflete em vários movimentos que adaptam os movimento europeus à realidade brasileira.

As demais opções não são corretas. Anita Malfatti não fazia uma arte de estilo "acadêmico" e os artistas brasileiros reiterpretaram os movimentos vanguardistas europeus, e não apenas os copiaram.

7. (Enem-2016)

Enem história

A imagem faz referência a uma intensa mobilização popular e pode ser traduzida como

a) a campanha popular que confrontava a legitimidade das eleições indiretas no país.
b) a manifestação de milhares de pessoas em prol da realização de eleições para o Senado.
c) as passeatas realizadas em prol do fim da Ditadura Militar no Brasil e na Argentina.
d) os comícios e manifestações populares pela abertura política de forma lenta e segura.
e) o movimento que exigia o direito à igualdade de voto para homens e mulheres.

Alternativa correta a) a campanha popular que confrontava a legitimidade das eleições indiretas no país.

No final da ditadura militar (1964-1985), quando a repressão abrandou, a população aproveitou para exigir uma série de reformas políticas, entre as quais o direito para votar para presidente. A charge de Henfil retrata uma das passeatas pelas Diretas-Já que mobilizaram o Brasil.

As demais opções não estão de acordo com os fatos históricos deste período.

8. (Enem/2016) A Lei das Doze Tábuas, de meados do século V a.C., fixou por escrito um velho direito costumeiro. No relativo às dívidas não pagas, o código permitia, em última análise, matar o devedor; ou vendê-lo como escravo “do outro lado do Tibre" — isto é, fora do território de Roma.

CARDOSO, C. F. S. O trabalho compulsório na Antiguidade. Rio de Janeiro: Graal, 1984.

A referida lei foi um marco na luta por direitos na Roma Antiga, pois possibilitou que os plebeus:

a) modificassem a estrutura agrária assentada no latifúndio.
b) exercessem a prática da escravidão sobre seus devedores.
c) conquistassem a possibilidade de casamento com os patrícios.
d) ampliassem a participação política nos cargos políticos públicos.
e) reivindicassem as mudanças sociais com base no conhecimento das leis.

Alternativa correta d) ampliassem a participação política nos cargos políticos públicos.

Apesar de ainda ser mais favorável aos patrícios que aos plebeus, a Lei das Doze Tábuas permitiu que as leis estivessem registradas e fossem imutáveis, o que ajudava muito num processo judicial. Também autorizou os plebeus ocupar mais cargos políticos, algo que anteriormente figurava como exceção e não regra.

As demais opções não estão corretas. As alternativas d) "ampliassem a participação política nos cargos políticos públicos" e c) "conquistassem a possibilidade de casamento com os patrícios" fazem referência a fatos que vão ocorrer posteriormente.

9. (Enem/2012) É verdade que nas democracias o povo parece fazer o que quer; mas a liberdade política não consiste nisso. Deve-se ter sempre presente em mente o que é independência e o que é liberdade. A liberdade é o direito de fazer tudo o que as leis permitem; se um cidadão pudesse fazer tudo o que elas proíbem, não teria mais liberdade, porque os outros também teriam tal poder.

MONTESQUIEU. Do Espírito das Leis. São Paulo: Editora Nova Cultural, 1997 (adaptado).

A característica de democracia ressaltada por Montesquieu diz respeito:

a) ao status de cidadania que o indivíduo adquire ao tomar as decisões por si mesmo.
b) ao condicionamento da liberdade dos cidadãos à conformidade às leis.
c) à possibilidade de o cidadão participar no poder e, nesse caso, livre da submissão às leis.
d) ao livre-arbítrio do cidadão em relação àquilo que é proibido, desde que ciente das consequências.
e) ao direito do cidadão exercer sua vontade de acordo com seus valores pessoais.

Alternativa correta d) ao livre-arbítrio do cidadão em relação àquilo que é proibido, desde que ciente das consequências.

Uma boa questão para unir os conhecimentos de Sociologia, Filosofia e interpretação de texto. O pensador iluminista Montesquieu propõe um conceito de liberdade onde o indivíduo seria o último responsável pelas suas escolhas. Desta maneira, ele aponta a lei e as consequências de desobedecê-la, como um limite necessário para a liberdade e convivência social.

As demais opções não estão corretas porque afirmam que o ser humano poderia "participar do poder sem obedecer às leis" ou que a liberdade do homem seria limitada por algo subjetivo como ou "valores pessoais" .

10. (Enem/2014) As relações do Estado brasileiro com o movimento operário e sindical, bem como as políticas públicas voltadas para as questões sociais durante o primeiro governo da Era Vargas (1930-1945), são temas amplamente estudados pela academia brasileira em seus vários aspectos. São também os temas mais lembrados pela sociedade quando se pensa no legado varguista.

D'ARAUJO M. C. Estado, classe trabalhadora e políticas sociais. In: FERREIRA J.; DELGADO L. A. (Org.). O tempo do nacional-estatismo: Do início ao apogeu do Estado Novo. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2007.

Durante o governo de Getúlio Vargas, foram desenvolvidas ações de cunho social, dentre as quais se destaca a

a) disseminação de organizações paramilitares inspiradas nos regimes fascistas europeus.
b) aprovação de normas que buscavam garantir a posse das terras aos pequenos agricultores.
c) criação de um conjunto de leis trabalhistas associadas ao controle das representações sindicais.
d) implementação de um sistema de previdência e seguridade para atender aos trabalhadores rurais.
e) implantação de associações civis como uma estratégia para aproximar as classes médias e o governo.

Alternativa correta c) criação de um conjunto de leis trabalhistas associadas ao controle das representações sindicais.

Ao mesmo tempo em que promoveu leis que melhoravam a vida dos trabalhadores, o governo de Getúlio Vargas usou os sindicatos para controlá-los.

As demais opções não estão corretas. As opções b) "aprovação de normas que buscavam garantir a posse das terras aos pequenos agricultores" e d) "implementação de um sistema de previdência e seguridade para atender aos trabalhadores rurais" estão erradas porque os direitos trabalhistas não contemplavam os trabalhadores rurais.

11. (Enem/2010) A Inglaterra pedia lucros e recebia lucros. Tudo se transformava em lucro. As cidades tinham sua sujeira lucrativa, suas favelas lucrativas, sua fumaça lucrativa, sua desordem lucrativa, sua ignorância lucrativa, seu desespero lucrativo. As novas fábricas e os novos altos-fornos eram como as Pirâmides, mostrando mais a escravização do homem que seu poder.

DEANE. P. A Revolução Industrial. Rio de Janeiro: Zahar, 1979 (adaptado).

Qual relação é estabelecida no texto entre os avanços tecnológicos ocorridos no contexto da Revolução Industrial Inglesa e as características das cidades industriais no início do século XIX?

a) A grandiosidade dos prédios onde se localizavam as fábricas revelava os avanços da engenharia e da arquitetura do período, transformando as cidades em locais de experimentação estética e artística.
b) A facilidade em se estabelecer relações lucrativas transformava as cidades em espaços privilegiados para a livre iniciativa, característica da nova sociedade capitalista.
c) O desenvolvimento de métodos de planejamento urbano aumentava a eficiência do trabalho industrial.
d) A construção de núcleos urbanos integrados por meios de transporte facilitava o deslocamento dos trabalhadores das periferias até as fábricas.
e) O alto nível de exploração dos trabalhadores industriais ocasionava o surgimento de aglomerados urbanos marcados por péssimas condições de moradia, saúde e higiene.

Alternativa correta e) O alto nível de exploração dos trabalhadores industriais ocasionava o surgimento de aglomerados urbanos marcados por péssimas condições de moradia, saúde e higiene.

A Revolução Industrial trouxe a possibilidade de encontrar mais produtos por preços acessíveis, mas este fenômeno não veio acompanhado da melhoria de vida da classe trabalhadora. Portanto, a opção e) retrata muito bem o que acontecia com a classe trabalhadora neste momento.

As demais opções não estão corretas porque descrevem aspectos positivos da Revolução Industrial que simplesmente não aconteceram neste momento.

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Juliana Bezerra
Juliana Bezerra
Bacharelada e Licenciada em História, pela PUC-RJ. Especialista em Relações Internacionais, pelo Unilasalle-RJ. Mestre em História da América Latina e União Europeia pela Universidade de Alcalá, Espanha.