Tipos de Preconceito

Carlos Neto
Carlos Neto
Cientista Social

Preconceito é uma opinião formada de maneira antecipada, sem o devido conhecimento ou reflexão sobre um determinado assunto.

A pessoa preconceituosa é aquela que emite um julgamento antes de conhecer algo ou alguém. Por causa disso, esse julgamento tende a ser desprovido de fundamento, critério ou racionalidade. Geralmente, o preconceito está associado à discriminação e à intolerância em relação às diferenças que existem no mundo.

Existem diversos tipos de preconceito que acabam gerando discriminação e intolerância, dentre os quais podemos destacar os seguintes:

  • Preconceito contra mulheres (machismo, misoginia ou sexismo)
  • Preconceito social (classismo)
  • Preconceito racial (racismo)
  • Preconceito contra pessoas trans (transfobia)
  • Preconceito contra homossexuais (homofobia)
  • Preconceito contra judeus (antissemitismo)
  • Preconceito religioso
  • Preconceito contra gordos (gordofobia)
  • Preconceito contra deficientes físicos (capacitismo)
  • Preconceito contra estrangeiros (xenofobia) etc.

Note que a atitude preconceituosa costuma estar associada a rótulos ou estereótipos que se desenvolveram na sociedade. Esses esterótipos promovem uma visão distorcida sobre um determinado grupo social, podendo motivar atos discriminatórios.

O bullying, por exemplo, é o nome que se dá uma série de agressões geralmente motivada por visões preconceituosas. Essas agressões, que podem ser físicas ou psicológicas, ocorrem com frequência no ambiente escolar. Sua versão virtual é chamada de cyberbullying.

Veja também: O que é bullying.

Vale ressaltar que todos os tipos de preconceito podem gerar hostilidade e estão intimamente relacionados à irracionalidade e à ignorância. Por exemplo: adeptos da chamada supremacia branca justificam seu discurso de ódio com base numa ideologia racista que se fundamenta na falsa ideia de superioridade do homem branco.

Classificação das formas de preconceito

Há diversos tipos de preconceito, dentre os quais podemos destacar os seguintes:

Preconceito Racial

Preconceito contra pessoas que possuem características físicas associadas a um determinado grupo racial. Essas características físicas incluem cor da pele, formato do nariz ou textura dos cabelos. Um tipo de preconceito racial bastante comum é aquele que ocorre contra populações negras.

Do ponto de vista estritamente científico, raças não existem. É incorreto, de uma perspectiva biológica, falar em raça para classificar seres humanos, já que não há raças humanas puras ou geneticamente homogêneas. Aspectos físicos aparentes, como cor da pele e textura dos cabelos, são determinados por um número irrelevante de genes. Mais uma prova de que o preconceito racial não faz o menor sentido.

Vale lembrar que práticas racistas são consideradas crimes em diversos países, inclusive no Brasil.

Veja também: O que é o racismo.

Preconceito Social

Também chamado de classismo, trata-se de um tipo de preconceito baseado na classe social de uma pessoa. No geral, são vítimas do preconceito social as populações mais pobres.

O autor do preconceito social (também chamado de elitista) tende a defender seus privilégios e a manutenção das diferenças que opõem as classes sociais.

Leia mais sobre Preconceito Social.

Preconceito Cultural

É o preconceito contra pessoas em virtude de sua identidade cultural, o que envolve sua nacionalidade, tradições, crenças, costumes, hábitos etc.

A antropologia dá o nome de etnocentrismo à atitude de considerar a sua própria cultura superior à de outra pessoa. Historicamente, o etnocentrismo pode ser visto na postura das nações colonialistas, que se julgavam "civilizadas", em relação às nações colonizadas, ditas "primitivas" ou "selvagens".

Uma prática discriminatória associada ao preconceito cultural é a xenofobia, a aversão ao estrangeiro (xenos, em grego, significa "estranho"). Indivíduos que praticam atos de intolerância contra pessoas que não pertencem à sua comunidade, sejam elas estrangeiras ou de outra região do mesmo país, são considerados xenófobos.

Veja também: Etnocentrismo e Xenofobia.

Preconceito linguístico

Trata-se de um julgamento negativo em relação a determinadas variedades linguísticas. Grupos que gozam de menor prestígio social geralmente são alvo de preconceito linguístico.

No Brasil, nota-se a existência de preconceito linguístico contra pessoas de uma determinada região do país (por exemplo, nordestinos) ou de um bairro (por exemplo, populações periféricas). Os grupos que praticam o preconceito linguístico partem da premissa de que o seu jeito de falar é o mais adequado e mais correto - e, portanto, superior.

É possível dizer que o preconceito linguístico é um tipo de preconceito cultural, já que ele se baseia num elemento central em todas as culturas: o idioma.

Leia mais sobre o Preconceito Linguístico.

Preconceito Religioso

O preconceito religioso é uma atitude de desrespeito e intolerância em relação aos adeptos de uma religião. Esse tipo de preconceito geralmente tem origem no desconhecimento ou em visões estereotipadas sobre um determinado sistema de crenças.

A história está repleta de casos de violência decorrentes do preconceito religioso. No Brasil, as religiões de matriz africana são as que mais sofrem esse tipo de preconceito.

Preconceito sexual e de gênero

Trata-se do preconceito contra pessoas em virtude de seu sexo e gênero.

Há diversos tipos de preconceito sexual (sexismo) e de gênero. O preconceito contra mulheres é um exemplo de preconceito sexual.

Há também o preconceito voltado contra a população LGBTQIA+: lésbicas, gays, bissexuais, trans e travestis, queers, intersexuais, assexuais e outras formas existência de sexualidade e gênero.

O preconceito contra homossexuais e bissexuais é chamado de homofobia. Já o sentimento de aversão contra pessoas transexuais e transgêneros recebe o nome de transfobia.

Para saber mais sobre o preconceito contra as mulheres e o universo feminino, leia sobre,Misoginia.

Leia mais sobre o conceito de Preconceito e Discriminação.

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Carlos Neto
Carlos Neto
Formado em Ciências Sociais (FFLCH-USP), Carlos é mestre em Estudos Portugueses, com especialização em Literatura Portuguesa Contemporânea. É escritor e dá aulas de Redação e Sociologia na Educação Básica desde 2007.