Misoginia

Laura Aidar

Misoginia é uma palavra que tem por definição o ódio às mulheres.

A origem desse termo é grega e vem dos vocábulos miseó, que significa "ódio", e gyné, que tem como tradução "mulher".

Esse conceito abarca os sentimentos de desprezo, preconceito, repulsa e aversão às mulheres e ao que remete ao feminino.

Assim, a misoginia se instala em diversas sociedades e culturas através de comportamentos agressivos, depreciações, violência sexual, objetificação do corpo feminino e morte de mulheres (o feminicídio).

Relações entre misoginia, machismo e sexismo

Os termos "misoginia", "machismo" e "sexismo" estão relacionados no sentido em que se sustentam a partir da depreciação do gênero feminino.

A misoginia é vista como uma aversão doentia às mulheres. Tal comportamento tem bases psicológicas profundas, sendo até mesmo o reflexo de uma má elaboração da própria sexualidade daquele que a pratica.

No caso do machismo, ele se apresenta de forma mais naturalizada, com a ideia de superioridade dos homens. Essa concepção reverbera na sociedade de várias maneiras, até mesmo as mais sutis, como piadas, por exemplo.

Já o sexismo é quando uma pessoa acredita que existem "funções" que são destinadas apenas a um ou outro gênero sexual. Assim, elas acreditam que os homens e mulheres devem exercer determinados papéis.

A pessoa sexista defende que os homens devem ser mais potentes, viris e tomar as decisões, e que cabe às mulheres serem obedientes, educadas, mães zelosas e cuidar dos afazeres domésticos.

História da misoginia no mundo

O menosprezo ao gênero feminino é algo que atravessa a história da humanidade ao longo do tempo. Sua causa é em grande parte por conta de um sistema denominado como patriarcal, ou seja, uma estrutura de sociedade fundada no poder masculino.

Podemos perceber a misoginia em diversos povos da antiguidade, como na Grécia Antiga, cultura que teve grande importância na estruturação das sociedades ocidentais.

O célebre filósofo grego Aristóteles, por exemplo, afirmava que as mulheres são "homens imperfeitos" e que elas devem se sujeitar a eles, pois são "inferiores".

Podemos ainda detectar traços misóginos em várias vertentes religiosas. Na bíblia, livro sagrado do cristianismo, é possível encontrar passagens onde o prazer sexual feminino é condenado e as mulheres são vistas como veículos demoníacos.

A crença cristã defende também que as mulheres foram originadas a partir da costela de um homem e vieram ao mundo para servi-lo.

Já no alcorão, livro sagrado da religião islâmica, os fundamentos adotam a ideia que os homens são superiores em inteligência e fé.

O alcorão acredita ainda que as mulheres são, na realidade, uma porta para o pecado, devendo obediência aos seus maridos, caso contrário, os homens teriam permissão para lhes espancar.

Reconhecidos filósofos ocidentais explicitaram também pensamentos de desprezo e ódio às mulheres.

É o caso de Jean-Jacques Rousseau (1712-1778), teórico suíço ligado ao Iluminismo e ideias de liberdade, mas que defendia que as mulheres devem ser constrangidas desde meninas e educadas para a frustração a fim de submeter-se à vontade dos homens.

Para se aprofundar no assunto, leia: Feminicídio: definição, lei, tipos e estatísticas

Sociedades matriarcais

Entretanto, nem sempre a humanidade foi dominada pelo comportamento misógino.

Na pré-história, há cerca de 35 mil a.C., havia populações na Europa e na Ásia em que as mulheres eram tão valorizadas quanto os homens e as relações entre os gêneros eram igualitárias.

Além disso, a figura feminina era considerada sagrada, pois é a mulher quem gera a vida em seu corpo. Essas culturas foram chamadas de matriarcais.

Leia sobre Feminismo no Brasil também.

Reflexões sobre a misoginia

Todo esse acúmulo histórico de desvalorização ao gênero feminino foi passado à nossa sociedade atual.

Por meio dos esforços, lutas e movimentos feministas, as mulheres conquistaram cada vez mais respeito e passaram a ser mais valorizadas. Entretanto, a misoginia ainda é presente em praticamente todas as partes do mundo, gerando um clima hostil às mulheres e meninas.

Essa hostilidade afeta todos os gêneros, traduzindo-se em comportamentos agressivos direcionados ao feminino e uma enorme pressão sobre os homens, que sentem-se obrigados a demostrar virilidade e potência, sufocando suas fragilidades.

Portanto, essa forma de perceber as relações e entender o mundo ao redor só traz malefícios a todos, sobretudo às mulheres, mas também ao próprio homem misógino.

Para saber sobre um tema relacionado, leia: Discriminação

Laura Aidar
Laura Aidar
Arte-educadora, artista visual e fotógrafa. Licenciada em Educação Artística pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) em 2007 e formada em Fotografia pela Escola Panamericana de Arte e Design, localizada em São Paulo, em 2010.