Tratado de Methuen

O “Tratado de Methuen”, também conhecido como "Tratado dos Panos e Vinhos" ou o "Tratado da Rainha Ana" foi um acordo militar e comercial firmado entre o Reino da Inglaterra e o Reino de Portugal no dia 17 de Dezembro de 1703, na cidade de Lisboa e vigorou até o ano de 1836. O Tratado de Methuen representou o menor na história diplomática europeia.

Características

De partida, vale salientar que as relações comerciais entre Portugal e Inglaterra estavam enfraquecidas pelo fato das exportações portuguesas para aquele país terem sido substituídas por produtos coloniais ingleses, principalmente o fumo e o açúcar.

Sem espanto, o tratado leva o nome do embaixador inglês John Methuen (1650-1706), o qual negociou os termos do acordo com Dom Manuel Teles da Silva (1641-1709), 1° Marquês de Alegrete, um grande produtor de vinho.

Vale destacar que este tratado foi muito desfavorável à economia portuguesa e favorável aos ingleses, posto que fomentou seu processo de Revolução Industrial na Inglaterra, expandindo a produção têxtil deste país e as exportações de manufaturados, enquanto estrangulou a incipiente manufatura portuguesa.

Outro ponto importante é que este acordo também envolvia a integração militar de Portugal à Grande Aliança, junto com a Áustria e Inglaterra para fazer frente à França e Espanha.

Contudo, o que ficou mais conhecido foram os termos comerciais do tratado, a saber: os britânicos reduziriam as tarifas de importação dos vinhos portugueses, enquanto os mesmos abririam seu mercado aos têxteis britânicos, especialmente os lanifícios, muito superiores aqueles manufaturados em Portugal.

Para saber mais: Revolução Industrial.

Consequências

Devemos ressaltar que a demanda inglesa por vinhos era muito menor do que a portuguesa por tecidos, esta relação causou um desequilíbrio na balança comercial lusitana.

Por outro lado, o impulso agrícola para o cultivo de uva acabou por prejudicar a produção de gêneros alimentares em Portugal, uma vez que o foco era a produção de vinho. Por conseguinte, os produtos têxteis ingleses acabaram inundando e dominando o mercado português, impedindo-os de desenvolver atividades industriais e de manufatura para dinamizar a sua economia.

Consequentemente, todo o desenvolvimento industrial português durante o século XVIII foi duramente prejudicado. Isso levou a um ciclo vicioso no qual a dependência de Portugal em relação à Inglaterra só aumentava, uma vez que os lusitanos se viam obrigados a recorrer à importação inglesa sob altos preços.

Com isso, os portugueses acumularam dívidas e este déficit somente era equilibrado em Portugal pela extração do ouro e as pedras preciosas do Brasil, riqueza esta que ia diretamente para os cofres ingleses. Não obstante, durante a segunda metade do século XVIII, o Marquês de Pombal tentou implementar medidas econômicas para reverter esta situação, sem muito sucesso.

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