Arte Plumária

Daniela Diana

A Arte Plumária designa um tipo de arte feita exclusivamente com penas e plumas de aves.

Essa arte exótica, repleta de simbolismo, foi e continua sendo uma das criações estéticas mais desenvolvidas pelas culturas indígenas, sobretudo no Brasil.

Arte Plumária
Exemplo de Arte Plumária Indígena Brasileira

Os objetos confeccionados com penas e plumas de aves são utilizados por muitos índios brasileiros, durantes rituais ou como ornamentos.

A arte plumária representa uma técnica muito antiga repleta de significados, sendo um artesanato essencialmente feito de:

  1. penas: retiradas das asas e da calda das aves, considerada as maiores;
  2. plumas: retiradas das costas e peito das aves sendo arredondadas, menores e mais largas;
  3. plumagem de aves: menores e de diversos tamanhos, elas são retiradas dos pescoços, costas e abdômen das aves.

Para saber mais: Cultura Indígena e Arte Indígena Brasileira.

Arte Plumária dos Índios Brasileiros

No Brasil, existem muitas culturas indígenas, embora desde a chegada dos portugueses, no século XVI, o número tem diminuído consideravelmente.

Estima-se que antes da chegada dos europeus, existia no território brasileiro, uma população de cerca de 5 milhões de habitantes, contudo, hoje totalizam cerca de 420 mil.

Como eram povos desconhecidos pelos europeus, a arte dos indígenas, vista como exótica, despertou atenção e interesses dos povos além-mar, devido sua beleza e perfeição.

Muitos objetos artísticos e utilitários para os índios, foram trocados (escambo), de forma que os exemplares eram considerados pelos europeus, troféus da conquista americana.

Encontramos populações indígenas por todas as partes do país. Temos, aproximadamente, 305 diferentes grupos étnicos, sendo que os mais conhecidos são: guaranis, tupinambás, kaxuyana, karajás, guajajaras, xingu, xavante, mundurucu, kaapor, yanomamis, kaiapós, bororó, dentre outras.

Desde sempre, os índios vivem nas florestas e assim, retiram de lá tudo o que necessitam para viver (construir moradias, objetos, instrumentos, comidas, etc.) e realizar seus rituais.

Assim, vale observar que muitas tradições indígenas no país, utilizam a arte plumária, embora cada uma apresente uma técnica e estilo específico. Uma das tribos no Brasil, considerada uma das mais evoluídas na arte de confecção de adornos plumários são os Urubus-Kaapor.

Na produção, geralmente as penas são amarradas umas às outras e muitas delas são associados a outros materiais, tal qual fibras vegetais, madeiras, couro de animais, folhas, taquaras.

No tocante à cor, a arte plumária é uma arte muito colorida. Várias tribos do Brasil, além de utilizarem as penas nas cores do próprio pássaro, utilizam técnicas de tingimento, conhecida como “tapiragem”. Ou seja, a transformação da cor da pena, com o intuito de se aproximar da coloração amarelo-alaranjado.

De tal modo, eles utilizam essa arte repleta de cores e matizes, sejam com funções socioculturais, baseadas nos momentos ritualísticos e cerimoniais, de forma a indicar a hierarquia social, gênero, idade; ou simplesmente como objetos utilitários (cestos, armas, instrumentos) e de adorno corporal (máscaras, cocares, mantos, colares, coroas, pulseiras, braceletes, brincos, etc.).

Geralmente são os homens da tribo que realizam a coleta e a confecção desses materiais (caça, seleção, tingimento, etc.), além de serem os que mais utilizam a arte plumária nos ritos cerimoniais.

Além disso, possuem o propósito de ensinar a técnica aos mais jovens, a fim de passar a tradição. Nesse sentido, é salutar pensar nas políticas públicas para o meio ambiente, que ressaltam a proibição de alguns animais (em risco de extinção), donde aparecem muitas aves caçadas por eles.

Outro ponto importante a destacar é o significado estético e de “arte” das comunidades ocidentais. Para os índios, os objetos que produzem não são considerados artísticos, uma vez que são de uso cotidiano ou ritualístico.

Atualmente, muitas tribos confeccionam diversos tipos de objetos artísticos para o comércio, o que de certa maneira, os afastam de seu uso tradicional bem como seu conteúdo simbólico.

Leia também: Índios Brasileiros e Dia do Índio.

Daniela Diana
Daniela Diana
Licenciada em Letras pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) em 2008 e Bacharelada em Produção Cultural pela Universidade Federal Fluminense (UFF) em 2014. Amante das letras, artes e culturas, desde 2012 trabalha com produção e gestão de conteúdos on-line.