Chico Mendes

Juliana Bezerra

Chico Mendes (1944-1988), cujo nome era Francisco Alves Mendes Filho, foi um seringueiro, sindicalista e ativista político brasileiro.

Incansável defensor da floresta Amazônica e dos povos que dela dependiam, atraiu a ira dos latifundiários e foi assassinado em 22 de dezembro de 1988.

Biografia

Chico Mendes nasceu em 15 de dezembro de 1944, em Xapuri, Acre. Era filho de migrantes cearenses que tentavam uma vida melhor na floresta.

Como não havia escolas na região, ele só aprenderia a ler aos 19 anos. Passou a infância e a adolescência acompanhando o pai nos seringais.

Chico Mendes

Na década de 70, ingressa no sindicato dos trabalhadores de Brasileia (AC), a fim de lutar contra o desmatamento que ameaçava os seringais e outras atividades extrativistas.

Dois anos depois, funda o sindicato dos trabalhadores rurais na sua cidade natal. É eleito vereador pelo MDB e continua sua luta contra os grandes proprietários de terra que ameaçavam a região.

Acusado de subversivo, ele é preso e torturado, mas não consegue denunciar seus agressores.

Com o fim do bipartidarismo, ajuda a fundar o Partido dos Trabalhadores, junto a Luís Inácio 'Lula' da Silva e outras lideranças políticas. Tenta eleger-se deputado estadual duas vezes pelo PT, mas não consegue.

Lutou incansavelmente contra os latifundiários e o partido da União Democrática Rural que os representa politicamente.

Falecimento

Embora denunciasse as ameaças de morte que recebia, não recebeu qualquer tipo de proteção. Acabou sendo assassinado em 22 de dezembro de 1988, nos fundos de sua casa.

Os criminosos foram Darci Alves da Silva e seu filho Darly Alves Ferreira, posteriormente condenados a 19 anos de prisão. Conseguiram fugir e depois cumprir a pena em regime semi-aberto e hoje estão em liberdade.

Atuação

Chico Mendes utilizava a denúncia pública como forma de militância política. Igualmente, reunia os serigueiros para realizar o 'empate' ou seja, defender as árvores com o próprio corpo.

Queria que fossem criadas reservas para extrativistas e indígenas, a fim de garantir o sustento das populações da floresta. Isso era exatamente o que os ruralistas não queriam, pois desta maneira essas terras não poderiam ser aproveitadas para a agricultura e a criação do gado.

Em 1987, uma série de planos de ocupação é levada a cabo na Amazônia, financiada por bancos estrangeiros. Chico Mendes vai ao Banco Interamericano de Desenvolvimento pedir que não concedessem empréstimos, pois esses projetos estavam trazendo sérias dificuldades para os povos originários da floresta e extrativistas.

Legado

Casa Museu de Chico Mendes
A casa onde Chico Mendes viveu e foi assassinado agora é um museu

Além do seu exemplo, as ideias de Chico Mendes foram transformadas em realidade com a criação áreas de preservação específicas para os extrativistas.

Também seus ideais foram reunidos no Instituto Chico Mendes, uma ONG que capitaliza recursos para a preservação da floresta e do seu povo.

Com o intuito de conservar sua memória para gerações futuras, a casa onde ele morava foi transformada em museu e atualmente abriga a Casa Chico Mendes.

Contexto Histórico

Nos anos 60 e 70, o Brasil se encontrava em plena ditadura militar. No plano econômico, os militares optaram pelo caminho desenvolvimentista e nacionalista, onde se privilegiaram a construção de grandes obras de infraestrutura.

Uma delas foi a Transamazônica e a ocupação de terras na região Norte, através da concessão de títulos a grandes latifundiários. Estes usavam suas terras para transformá-las em pastagens para o gado ou para a agricultura, destruindo a mata nativa.

A Floresta Amazônica é um delicado sistema que, por si só, dá sustento aos indígenas e a milhares de pessoas. Não demorou para que os novos proprietários e agentes do governo entrassem em conflito com as tribos indígenas e os seringalistas.

Neste contexto, surge a liderança de Chico Mendes que passa a denunciar a ocupação ilegal, os incêndios criminosos e o desmatamento.

Homenagens

  • Em 1987, Chico Mendes foi o primeiro brasileiro a receber o Prêmio Global 500 da ONU, que reconhece as personalidades que lutam pelo meio-ambiente.
  • Várias cidades do Brasil batizaram parques em homenagem ao líder seringueiro. Nas cidades do Rio de Janeiro, Osasco (SP), São Caetano do Sul (SP), Porto Alegre (RS), há espaços verdes que levam seu nome.
  • Na música, compositores dos mais diversos estilos como a banda brasileira Sepultura e o grupo de rock Maná lhe dedicaram canções.

Filmes

  • 'Chico Mendes: eu quero viver', de Adrian Cowell e Vicente Rios, 1989.
  • 'Amazônia em Chamas', de John Michael Frankenheimer, 1994.

Frases

  • No começo pensei que estivesse lutando para salvar seringueiras, depois pensei que estava lutando para salvar a Floresta Amazônica. Agora, percebo que estou lutando pela humanidade.
  • Os seringueiros, os índios, os ribeirinhos há mais de 100 anos ocupam a floresta. Nunca a ameaçaram. Quem a ameaça são os projetos agropecuários, os grandes madeireiros e as hidrelétricas com suas inundações criminosas.
  • A nossa luta é pela defesa da seringueira, da castanheira; e essa luta nós vamos levar até o fim, porque não vamos permitir que as nossas florestas sejam destruídas.

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Juliana Bezerra
Juliana Bezerra
Bacharelada e Licenciada em História, pela PUC-RJ. Especialista em Relações Internacionais, pelo Unilasalle-RJ. Mestre em História da América Latina e União Europeia pela Universidade de Alcalá, Espanha.