Quelônios

Lana Magalhães

Os quelônios ou testudines são répteis da Ordem Chelonia. Acredita-se que existam cerca de 335 espécies de quelônios em todo o mundo. Eles são encontrados em ambiente marinho, de água doce e terrestre.

Os representantes dos quelônios são as tartarugas, cágados e jabutis. As tartarugas vivem em ambiente de água doce e salgada. Os cágados são encontrados em água doce e os jabutis em terra firme.

Características

A principal característica dos quelônios é a sua armadura óssea, o casco ou carapaça. Essa estrutura confere proteção ao corpo contra choques mecânicos e ataques de predadores.

O casco localiza-se em posição dorsal. Na posição ventral, encontra-se o plastrão. As vértebras da coluna e as costelas fundem-se ao casco. Todos esses elementos formam uma caixa óssea rígida, revestida por placas de queratina.

Os quelônios não possuem dentes. Em substituição, apresentam uma espécie de bico com lâminas córneas, permitindo capturar e cortar os alimentos.

A alimentação é diversa e varia conforme a espécie:

  • Espécies marinhas são exclusivamente carnívoras, alimentam-se de moluscos e caranguejos.
  • Espécies de água doce alimentam-se de peixes, frutos, moluscos e insetos.
  • Espécies terrestres são herbívoras.

Na cadeia alimentar, os quelônios são consumidos por jacarés, grandes peixes, mamíferos e aves.

Os quelônios apresentam respiração pulmonar e sistema circulatório fechado.

Reprodução

A reprodução é sexuada, o macho transfere os espermatozóides para dentro do corpo da fêmea.

Por serem animais ovíparos, as fêmeas procuram um lugar para depositar os seus ovos. O número de ovos varia de espécie para espécie. As espécies exclusivamente aquáticas, vêm à superfície apenas nesse momento. Algumas precisam viajar vários quilômetros até chegar ao litoral.

Os ovos são depositados em ninhos cavados no solo ou areia. A determinação do sexo pode ser genética ou pela temperatura de incubação do local onde os ovos foram colocados. Temperaturas mais altas determinam o surgimento de indivíduos do sexo feminino.

Ninho com ovos de tartaruga

Ninho com ovos de tartaruga
Quando as tartaruguinhas nascem, vão em direção ao mar e não precisam receber os cuidados dos pais.

Espécies encontradas no Brasil

As principais espécies de quelônios encontradas no Brasil são:

Tartarugas Marinhas

A tartaruga-cabeçuda (Caretta caretta) é a espécie marinha mais comum no Brasil. O seu nome deve-se ao tamanho da cabeça ser maior do que a de outras espécies. Ela ocorre em mares tropicais, subtropicais e temperados de todo o mundo. É uma espécie ameaçada de extinção.

A tartaruga-de-pente (Eretmochelys imbricata) é encontrada em mares tropicais. Ela recebeu esse nome pois o seu casco era usado para fazer pentes. O seu tamanho pode ultrapassar 1 m de comprimento e pesar mais de 150 kg. É uma espécie criticamente ameaçada de extinção.

A tartaruga-de-couro (Dermochelys coriacea) é a maior espécie de tartaruga marinha. Ela vive a maior parte do tempo na zona oceânica e só vem ao litoral na época da reprodução. É uma espécie ameaçada de extinção.

A tartaruga-de-oliva (Lepidochelys olivacea) é a menor dentre todas as espécies de tartarugas marinhas. Ela mede até 60 cm e pesa cerca de 65 kg. Recebe esse nome por apresentar uma coloração esverdeada. É encontrada em mares tropicais e subtropicais. É uma espécie vulnerável à extinção.

Quelônios da Amazônia

A Amazônia é o bioma brasileiro com o maior número de espécies de quelônios, muitas das quais estão em risco de extinção. Esse fato deve-se a caça e o consumo dos animais na alimentação. A carne de alguns quelônios é bastante apreciada em comunidades amazônicas, especialmente a tartaruga-da-amazônia e o tracajá.

Algumas espécies de quelônios amazônicos são:

A tartaruga-da-amazônia (Podocnemis expansa) é a maior espécie de água doce do mundo. Ela pode atingir 90 cm de comprimento e pesar até 65 kg. É uma espécie criticamente ameaçada de extinção.

Tartaruga-da-amazônia

Tartaruga-da-amazônia

O tracajá (Podocnemis unifilis) é uma espécie comum na Amazônia. Ele atinge até 50 cm de comprimento e pesa em torno de 12,5 kg. Atualmente, encontra-se ameaçado de extinção.

O iaçá (Podocnemis sextuberculata) atinge até 34 cm e 3,5 kg. Sua principal característica é o casco convexo.

O irapuca (Podocnemis erythrocephala) é a menor de todas as espécies, pode atingir até 32 cm. A espécie é reconhecida pela presença de uma coloração vermelha na cabeça.

A mata-mata (Chelus fimbriata) é uma espécie de cágado, com a cabeça e a carapaça em formato triangular, o que lhe confere uma aparência única e favorável à camuflagem. O seu nariz é comprido e pontudo. Pode medir até 45 cm.

Mata-mata

Mata-mata

Saiba mais sobre os Répteis.

Lana Magalhães
Lana Magalhães
Licenciada em Ciências Biológicas (2010) e Mestre em Biotecnologia e Recursos Naturais pela Universidade do Estado do Amazonas/UEA (2015). Doutoranda em Biodiversidade e Biotecnologia pela UEA.