A Linguagem do Romantismo

Daniela Diana

A Linguagem do Romantismo apresenta maior liberdade formal em relação à racionalidade, equilíbrio e objetividade do movimento anterior: o Arcadismo.

Assim, a linguagem do romantismo — mais simples, popular, subjetiva, melodiosa, confessional, idealizada, eloquente e repleta de lirismo e dualismos —, apresenta uma ruptura com os modelos clássicos (cultura greco-romana), proporcionando uma aproximação com o novo público consumidor ao revelar seus próprios anseios: a burguesia.

Os temas mais recorrentes são: o amor não correspondido (amor platônico), a natureza, a religião, a idealização da mulher, a morte, a incerteza, o individualismo, a solidão, os dramas da existência e os sofrimentos em geral.

Lembre-se que o Romantismo foi um movimento artístico literário que surge no século XIX no Brasil e no Mundo.

A produção literária do romantismo se desenvolveu na poesia e na prosa (contos, novelas, romances e obras de teatro).

Em 1774, a publicação da obra “Os Sofrimentos do Jovem Werther” do escritor alemão Goethe, inaugurou o movimento romântico na Europa, baseada nos novos valores históricos, sociais e culturais.

Saiba mais sobre o movimento romântico no artigo: Romantismo: Características e Contexto Histórico.

Figuras de Linguagem do Romantismo

As principais figuras de linguagem utilizada pelos escritores românticos são:

  • Metáfora
  • Metalinguagem
  • Hipérbole
  • Antítese
  • Sarcasmo e Ironia

No Brasil

O Romantismo no Brasil tem como marco inicial a publicação da obra “Suspiros Poéticos e Saudades” de Gonçalves de Magalhães.

Note que o movimento surge anos depois da Independência do país (1822), o que fez como que os escritores dessa época se afastassem da influência lusitana, para assim, focar nos aspectos históricos, linguísticos, étnicos e culturais do país.

Embora a poesia seja muito explorada nesse período, a prosa poética teve grande destaque com os romances indianistas, regionalistas, históricos e urbanos.

O vocabulário utilizado contém expressões mais brasileiras em detrimento da influência lusitana, notadamente visto na linguagem do Arcadismo, o período anterior.

Os Folhetins (trechos de novelas e romances publicados em jornais) foram os principais propulsores da prosa romântica no Brasil. Assim, os escritores que merecem destaque na prosa romântica são:

Gerações Românticas no Brasil

No Brasil o movimento romântico está dividido em três fases, sendo que cada uma delas apresenta características peculiares:

Primeira Geração Romântica

Chamada de “Geração Nacionalista-indianista”, nessa fase é notória a exaltação da terra e da figura idealizada do índio, eleito herói nacional.

Sem dúvida, Gonçalves Dias foi o que mais se destacou nessa fase, seja na poesia, seja no teatro.

Segunda Geração Romântica

Também chamada de “Geração Ultrarromântica”, “Mal do Século” ou “Geração Byroniana” (em referência ao escritor inglês Lord Byron) essa fase esteve marcada pelo pessimismo, melancolia, vícios, morbidez, fuga da realidade (escapismo), fantasia e o desejo de morte.

Nesse período os escritores que mais se destacaram foram:

Terceira Geração Romântica

Chamada de “Geração Condoreira” (em referência ao condor, ave símbolo da liberdade), essa última fase do romantismo aposta na liberdade e na justiça inspirada sobretudo na literatura do escritor francês Victor Hugo (Geração Hugoana).

A poesia romântica (poesia lírica, épica e social) dessa fase é marcada pelo seu caráter social e político. Castro Alves, o “Poeta dos Escravos” foi o grande destaque do momento.

Para compreender melhor a linguagem de cada geração romântica no Brasil, segue abaixo alguns exemplos:

Primeira Geração (Trecho da Poesia “I-Juca Pirama” de Gonçalves Dias)

No meio das tabas de amenos verdores,
Cercadas de troncos — cobertos de flores,
Alteiam-se os tetos d’altiva nação;
São muitos seus filhos, nos ânimos fortes,
Temíveis na guerra, que em densas coortes
Assombram das matas a imensa extensão.

São rudes, severos, sedentos de glória,
Já prélios incitam, já cantam vitória,
Já meigos atendem à voz do cantor:
São todos Timbiras, guerreiros valentes!
Seu nome lá voa na boca das gentes,
Condão de prodígios, de glória e terror!

As tribos vizinhas, sem forças, sem brio,
As armas quebrando, lançando-as ao rio,
O incenso aspiraram dos seus maracás:
Medrosos das guerras que os fortes acendem,
Custosos tributos ignavos lá rendem,
Aos duros guerreiros sujeitos na paz.

No centro da taba se estende um terreiro,
Onde ora se aduna o concílio guerreiro
Da tribo senhora, das tribos servis:
Os velhos sentados praticam d’outrora,
E os moços inquietos, que a festa enamora,
Derramam-se em torno d’um índio infeliz.

Segunda Geração (Poesia “Se eu Morresse Amanhã” de Álvares de Azevedo)

Se eu morresse amanhã, viria ao menos
Fechar meus olhos minha triste irmã;
Minha mãe de saudades morreria
Se eu morresse amanhã!

Quanta glória pressinto em meu futuro!
Que aurora de porvir e que manhã!
Eu perdera chorando essas coroas
Se eu morresse amanhã!

Que sol! que céu azul! que doce n'alva
Acorda a natureza mais louçã!
Não me batera tanto amor no peito
Se eu morresse amanhã!

Mas essa dor da vida que devora
A ânsia de glória, o dolorido afã...
A dor no peito emudecera ao menos
Se eu morresse amanhã!

Terceira Geração (Trecho da Poesia “O Navio Negreiro” de Castro Alves)

​'Stamos em pleno mar... Doudo no espaço
Brinca o luar — dourada borboleta;
E as vagas após ele correm... cansam
Como turba de infantes inquieta.

'Stamos em pleno mar... Do firmamento
Os astros saltam como espumas de ouro...
O mar em troca acende as ardentias,
— Constelações do líquido tesouro...

'Stamos em pleno mar... Dois infinitos
Ali se estreitam num abraço insano,
Azuis, dourados, plácidos, sublimes...
Qual dos dous é o céu? qual o oceano?...

'Stamos em pleno mar. . . Abrindo as velas
Ao quente arfar das virações marinhas,
Veleiro brigue corre à flor dos mares,
Como roçam na vaga as andorinhas...

Em Portugal

O Romantismo em Portugal teve como marco inicial a publicação do poema de Almeida GarrettCamões”, em 1825.

Além dele, os escritores românticos portugueses que merecem destaque são: Camilo Castelo Branco, Júlio Dinis e Alexandre Herculano. Para compreender melhor a linguagem do romantismo segue abaixo a poesia "Este Inferno de Amar" de Almeida Garret:

Este inferno de amar — como eu amo! –
Quem mo pôs aqui n’alma ... quem foi?
Esta chama que alenta e consome,
Que é a vida — e que a vida destrói –
Como é que se veio a atear,
Quando — ai quando se há-de ela apagar?

Eu não sei, não me lembra: o passado,
A outra vida que dantes vivi
Era um sonho talvez... — foi um sonho
Em que paz tão serena a dormi!
Oh!, que doce era aquele sonhar ...
Quem me veio, ai de mim!, despertar?

Só me lembra que um dia formoso
Eu passei... dava o Sol tanta luz!
E os meus olhos, que vagos giravam,
Em seus olhos ardentes os pus.
Que fez ela?, eu que fiz? — Não no sei;
Mas nessa hora a viver comecei ...

Daniela Diana
Daniela Diana
Licenciada em Letras pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) em 2008 e Bacharelada em Produção Cultural pela Universidade Federal Fluminense (UFF) em 2014. Amante das letras, artes e culturas, desde 2012 trabalha com produção e gestão de conteúdos on-line.