Economia do Brasil


O Brasil tem, hoje, a sétima maior economia mundial e a primeira da América Latina. A base econômica atual está direcionada à agricultura, pecuária e à indústria de transformação, conseguindo abranger os três setores primário, secundário e terciário.

O país também está em franco destaque no comércio e no setor de serviços, com destaque para a indústria turística.

A posição do país como oitava economia mundial foi alcançada em 2009, quando o PIB (Produto Interno Bruto) atingiu US$ 1,5 trilhão. Após esse período, ao desempenho econômico permitiu a chegada ao posto de sétimo lugar.

Economia do Brasil Atual

A base econômica brasileira atual está diversificada e o País, há muito, abandonou a monocultura ou o direcionamento unicamente para a indústria.

Hoje, a economia é baseada na produção agrícola, sendo um dos principais exportadores de soja do mundo; criação de animais - ocupando o posto de terceiro produtor mundial de carne bovina e está entre os maiores exportadores de petróleo do setor.

O País é ainda é importante fornecedor de açúcar, celulose e pele do mundo. Também é destaque na produção de peças para abastecimento dos setores automotivos e aeronáuticos.

O Brasil é um dos principais produtores de petróleo do mundo, dominando a exploração de petróleo em águas profundas. É, ainda, destaque, na produção de minério de ferro, carne de franco e suco de laranja.

História da Economia Brasileira

A base da economia brasileira passou por diversas transformações desde o descobrimento.

O primeiro mercado a ser explorado no Brasil por Portugal foi o pau-brasil (Caesalpinia enchinata).

A árvore era encontrada em abundância e por ela o Brasil recebeu este nome. Tem porte médio, chega a atingir 10 metros de altura e possui muitos espinhos.

De floração amarela, o pau-brasil tem um tronco avermelhado que após o processamento era utilizado como corante para tecidos.

Exploração do Pau-brasil

O pau-brasil era encontrado na maioria do litoral brasileiro, do Rio Grande do Norte ao Rio de Janeiro. A extração era feita por mão-de-obra indígena por meio do escambo - atividade de troca.

Além do uso para a extração de corante, o pau-brasil também era útil na produção de utensílios em madeira, na confecção de instrumentos musicais e outros.

Três anos após o descobrimento, o Brasil já contava com um complexo de extração da madeira, cujo monopólio ficou sob o domínio de Fernando de Noronha até 1505.

Ciclo da Cana-de-açúcar

Após o esgotamento da oferta de pau-brasil - que ficou praticamente extinto - o Brasil passou a explorar a cana-de-açúcar em um ciclo que durou entre os séculos XVI e XVII e teve significante impacto na economia brasileira.

Os colonizadores, além do plantio da cana, instalaram engenhos para a produção direta de açúcar no litoral. Os engenhos ficavam, principalmente em Pernambuco, região de fácil acesso à Europa pelo mar.

Como havia dificuldades em dominar a logística da exploração da cana-de-açúcar, o suporte para a indústria açucareira foi obtido junto aos holandeses, que passaram a responsáveis pela distribuição e comercialização do açúcar ao mercado europeu.

Entre as marcas dessa época está o desmatamento que se disseminou na costa brasileira e a chegada de europeus para atuar nos engenhos e participar dos imensos lucros gerados na colônia portuguesa, notadamente, em Pernambuco.

Como monocultura, a cana era baseada na estrutura de latifúndios - grandes propriedades de terra - e sua exploração era apoiada pela legalidade do trabalho escravo. A cultura deu suporte ao tráfico negreiro, dominado pela Inglaterra.

Não só o plantio da cana-de-açúcar favorecia a economia brasileira, mas a exploração intensa dos recursos naturais, em especial os metais que levaram expedições - as entradas e bandeiras - ao interior do País. Os exploradores buscavam ouro, prata, cobre, diamantes e esmeraldas.

Ciclo do Ouro

A busca por pedras e metais preciosos teve o ápice no século XVIII, entre 1709 e 1720, na capitania de São Paulo - região que, além de São Paulo, comporta hoje Minas Gerais, Goiás e o Mato Grosso.

A exploração dos metais e pedras preciosas foi impulsionada pelo declínio da atividade canavieira, em franca decadência após os holandeses iniciarem o plantio de cana nas colônias da América Central.

Dá-se, assim, início ao chamado ciclo do ouro. A riqueza que vinha do interior do País influenciou nas decisões da corte e a capital, que antes era Salvador, passou para o Rio de Janeiro, como estratégia para proximidade das regiões mais ricas.

A Coroa Portuguesa sobretaxou os produtos e os impostos, denominados quinto, derrama e capitação eram pagos para as Casas de Fundição.

O quinto correspondia a 20% de toda a produção. Já a derrama representava 1,5 mil quilos de ouro que deveriam ser pagos a cada ano sob pena de penhor compulsório dos bens dos mineradores. E a capitação era a taxa correspondente a cada escravo que trabalhava nas minas.

A insatisfação da colônia com a cobrança de impostos, considerada abusiva, culminou no movimento denominado Inconfidência Mineira, em 1789, sob a liderança de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes.

A corrida do ouro, no entanto, teve destaque no processo de povoamento do interior do País, entre 1580 e 1640. Este ciclo perdurou até 1785, quando começa na Inglaterra a Revolução Industrial.

Ciclo do Café

O ciclo do café foi o responsável pelo impulso à economia brasileira do início do século XIX, em 1880 até 1930. Esse período foi marcado pelo intenso desenvolvimento do país, com a expansão de estradas de ferro, a industrialização e a atração de imigrantes europeus.

O grão, de origem etíope, era cultivado por holandeses na Guiana Francesa e chegou ao Brasil em 1720, sendo cultivado no Pará e depois Maranhão, Vale do Paraíba e Rio de Janeiro. As lavouras de café também se espalharam por Minas Gerais e Espírito Santo.

As exportações foram a medida encontrada para o escoamento da produção em larga escala a partir de 1816. O produto liderou as exportações no país entre 1830 e 1840.

O maior destaque para a produção estava no estado de São Paulo e a elevada quantidade de grão favoreceu a modernização de modais de transporte, notadamente ferroviário e portuário.

O escoamento da produção era feito pelos portos do Rio de Janeiro e Santos, que receberam recursos para adequação e melhorias.

Nesse momento histórico, a mão-de-obra escrava havia sido abolida e houve necessidade de contratação, condição que atraiu imigrantes europeus, com destaque para os italianos.

Após quase cem anos, a queda da pujança do ciclo do café ocorre em consequência da quebra da bolsa de Nova York, em 1929.

Sem compradores, a indústria cafeeira pereceu e perde importância no cenário econômico brasileiro a partir dos anos 50.

A queda da produção do café também significou um marco para o país no que tange à diversificação da base econômica. A infraestrutura, antes utilizada para o transporte de grãos, foi o suporte para a indústria, que passa a manufaturar produtos de elaboração simplificada, como tecidos, alimentos, sabão e velas.

Industrialização

O governo do então presidente Getúlio Vargas (1882-1954) passa a incentivar a industrialização e atração para os grandes centros da mão de obra nacional, destituída do campo pela decadência do café. Era uma alternativa ao êxodo rural, que levou às cidades quem fugia da miséria no campo.

As medidas foram favorecidas por um agente externo, a Segunda Guerra Mundial. Ao fim do conflito, em 1954, a Europa ainda carregava as marcas da devastação e o governo brasileiro passou a investir em um moderno parque industrial para abastecer os países vítimas da guerra.

Economia do Brasil
Ciclos Econômicos e Intervenção na Economia Brasileira

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Metas de Kubitschek

E a indústria passa ao centro da prioridade nacional no governo de Juscelino Kubitschek (1902-1976), que implanta o Plano de Metas, batizado de 50 anos em 5. O plano resumia o ideal desenvolvimentista do presidente em um conjunto de 30 pontos a serem atingidos por todos os setores da economia.

O Plano de Metas era composto por cinco setores básicos da economia brasileira para onde os recursos deveriam ser canalizados: energia, transporte, alimentação, indústria d base e educação. O último plano era a construção de Brasília e transferência da capital do país.

Milagre Econômico

Os governos que se seguem mergulham no tomada de empréstimos do exterior e o Brasil vive, entre 1969 e 1973, o ciclo denominado Milagre Econômico, quando o PIB cresce 12%.

Os investimentos estrangeiros impulsionam a infraestrutura. É nessa fase que são construídas obras de grande impacto, como a ponte Rio-Niterói e a rodovia Transamazônica.

Em uma inflação de 18% ao ano, o País é aturdido com uma imensa dívida externa, a despeito da geração de milhares de empregos.

O Milagre Econômico não possibilitou a diversificação do desenvolvimento, os investimentos ficaram restritos à região Sudeste e a concentração de renda aumentou.

Por parte do setor primário, a produção de soja já era a partir da década de 70 a principal commodity de exportação. Ao contrário de culturas como o café, que demandavam o largo emprego de mão-de-obra, a soja é mercada pela introdução do cultivo e colheita mecanizada, o que gera desemprego no campo.

A Década Perdida

Ainda na década de 70, o Brasil é fortemente impactado pela crise do mercado internacional do petróleo, controlado pelos países produtores.

Há, desde então, uma sucessão de planos econômicos para tentar conter a inflação e retomar o crescimento, praticamente estagnado durante a década de 80 - a década perdida.

O período é marcado pela insuficiência de recursos da União para o pagamento da dívida externa enquanto o País precisa adaptar-se aos novos paradigmas da economia mundial que prevê inovações tecnológicas e passa a ser marcada pelo crescimento da influência do setor financeiro.

Nesse período, 8% do PIB nacional é direcionado ao pagamento da dívida externa, a renda per capita fica estagnada e a inflação aumenta vertiginosamente.

Entre as práticas dos governos deste período, quase todo traçado durante a Ditadura Militar, estava na tomada de empréstimos a juros flutuantes.

Dívida Externa

O Brasil, assim, passou a ser o maior devedor dos países em desenvolvimento e o PIB despencou de um crescimento de 10,2% em 1980 para 4,3% negativos em 1981, como atesta o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Plano Cruzado

A primeira medida de intervenção econômica ocorre durante o chamado Estado Novo, quando assume o presidente José Sarney, em janeiro de 1986 e sob o comando do ministro da Fazenda Dilson Funaro (1933-1989) lança o Plano Cruzado. O plano previa o controle da inflação por meio do congelamento de preços.

A economia ainda viveu os planos Bresser, em 1987 e Verão, em 1989. Ambos não conseguiram deter o processo inflacionário. Entre 1985 e 1990, o País teve quatro moedas diferentes. Até 1986 era o Cruzeiro.

Entre fevereiro de 1986 e janeiro de 1989, o Cruzado. Entre janeiro de 1989 e março de 1990, a moeda oficial era o Cruzado Novo. O Cruzeiro retornou em março de 1990, restituído pelo então presidente Fernando Collor de Melo.

Leia Mais sobre o Plano Cruzado e o Plano Collor.

O Plano Real

O Brasil contou com 13 planos de estabilização econômica. O último deles ainda está em vigor, o Plano Real, que também previa a troca da moeda para o Real a partir de 1º e julho de 1994, no primeiro governo de Itamar Franco.

A implantação do plano ficou sob o comando do ministro da Fazenda Fenando Henrique Cardoso, que previa o controle efetivo da inflação, o equilíbrio das contas públicas e o estabelecimento de um padrão monetário.