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Efeito Coriolis: o que é e como funciona (com exemplos práticos)

Ana Lucia Souto
Ana Lucia Souto
Professora de Física e Ciências

O efeito Coriolis é definido como o desvio aparente sofrido por objetos em movimento quando observados a partir de um referencial em rotação, como a superfície da Terra.

Quando observamos movimentos a partir da Terra, vemos uma curvatura aparente que não existe em referenciais inerciais. Essa curva observada é o efeito Coriolis. Elesurge porque a Terra é um referencial não inercial, ou seja, a Terra está em movimento rotacional, girando sobre si mesma com uma velocidade igual a 1.670 km/h no Equador.

Esquema do Efeito Coriolis
Fonte: FISICA.NET – Efeito Coriolis. Disponível em: https://fisica.net/mecanicaclassica/coriolis.pdf

Ele não é uma força real no sentido clássico: é uma força inercial ou fictícia, que só existe dentro do referencial em rotação.

Características do efeito Coriolis

Característica Detalhe
Tipo de força Inercial ou fictícia, pois só existe no referencial rotacional
Direção Sempre perpendicular à velocidade do objeto e à direção da velocidade de rotação da Terra
Hemisfério Norte Desvio para a direita
Hemisfério Sul Desvio para a esquerda
No Equador Efeito nulo
Nos polos Efeito máximo
Escala Relevante apenas em grandes distâncias e velocidades

Para entender o efeito Coriolis imagine que dois amigos, Ana e Bruno, estão num carrossel de parquinho girando devagar no sentido anti-horário.

Ana está no centro. Bruno está na borda. Bruno joga uma bola diretamente em direção a Ana.

Ana e Bruno no carrossel

  • Do ponto de vista de quem está fora do carrossel (parado no chão): a bola vai em linha reta, mas Ana se moveu junto com o carrossel. A bola passou reto, pois ela saiu do lugar ao se mover junto com o carrossel.
  • Do ponto de vista de Ana e Bruno (dentro do carrossel): a bola parece ter desviado para a direita, fazendo uma curva.

Na verdade, ninguém empurrou a bola para o lado. A curva é uma ilusão do referencial que está em rotação.

Isso é exatamente o efeito Coriolis que acontece também na Terra, pois ela gira de oeste para leste, completando uma volta em 24 horas.

A Terra não gira inteira na mesma velocidade linear. Observe a tabela abaixo que traz algumas velocidades:

Localização Velocidade linear
Equador 1670 km/h
Latitude 30o - São Paulo 1450 km/h
Latitude 60o 835 km/h
Polos 0 km/h

Isso acontece porque, no Equador, a circunferência que um ponto percorre em 24h é muito maior do que perto dos polos.

Quando um objeto (ar, água, projétil, avião) se move sobre a superfície terrestre, ele carrega consigo a velocidade do ponto de onde partiu.

Ao chegar a uma latitude diferente, onde a Terra gira mais devagar ou mais rápido, ele estará "adiantado" ou "atrasado" em relação ao solo. Isso cria um desvio aparente.

Esquema do Efeito Coriolis

Expressão da Força de Coriolis

A força de Coriolis pilha F com c subscrito com seta para a direita acima é dada por:

pilha F com c subscrito com seta para a direita acima igual a menos 2 m. parêntese esquerdo ómega maiúsculo com seta para a direita sobrescrito sinal de multiplicação v com seta para a direita sobrescrito parêntese direito

Que na versão escalar é igual a:

F com c subscrito igual a 2 espaço m espaço v espaço ómega maiúsculo espaço s e n teta

Onde:

  • m é a massa do objeto, em kg
  • v com seta para a direita sobrescrito é o vetor velocidade do objeto relativa à Terra, em m/s
  • ómega maiúsculo com seta para a direita sobrescrito é o vetor velocidade angular da Terra que é constante e igual a 7,29 . 10(-5) rad/s
  • ómega maiúsculo com seta para a direita sobrescrito sinal de multiplicação v com seta para a direita sobrescrito é o produto vetorial entre a velocidade angular da Terra e a velocidade do objeto em estudo. O produto vetorial diz que a força de Coriolis é sempre perpendicular a velocidade do objeto e à direção do eixo de rotação da Terra;
  • teta é a latitude onde o objeto está na Terra, medida em graus (o);
  • Fc é a força de Coriolis, dada em Newton (N).

Exemplos

Exemplo 1:

Um projétil de artilharia tem massa de 50 kg e é disparado a 600 m/s na latitude de 45° Sul, próximo à região das Ilhas Malvinas.

Calcule a força de Coriolis que age sobre ele.

Use:

  • Ω =7,29 . 10−5 rad/s
  • teta = 45° → sen⁡(45°) = 0,707

Resolução:

O enunciado trouxe os seguintes dados:

  • m = 50 kg
  • v = 600 m/s
  • Ω = 7,29 . 10−5 rad/s
  • teta = 45° → sen⁡(45°) = 0,707

Usamos a fórmula escalar da força de Coriolis, onde substituímos os valores dados:

F com c subscrito igual a 2. m. ómega maiúsculo. v. s e n teta F com c subscrito igual a 2 espaço. espaço 50 espaço parêntese esquerdo K g parêntese direito espaço. espaço 7 vírgula 29 espaço. espaço 10 à potência de menos 5 fim do exponencial espaço parêntese esquerdo r a d dividido por s parêntese direito espaço. espaço 600 espaço parêntese esquerdo m dividido por s parêntese direito espaço. espaço 0 vírgula 707 F com c subscrito igual a 3 vírgula 092 espaço N

Interpretação: Uma força de ~3 N pode parecer pequena. Mas ela age continuamente sobre o projétil durante todo o voo. Em um percurso de vários quilômetros, isso acumula um desvio de dezenas a centenas de metros!

Exemplo 2:

Um avião de 80.000 kg voa a 250 m/s sobre o Rio de Janeiro (latitude aproximada: 23° Sul). Sabendo que sen⁡(23°) ≈ 0,39 e que Ω=7,29×10−5 rad/s, calcule a Força de Coriolis que age sobre ele.

Resolução:

O enunciado trouxe os seguintes dados:

  • m = 80000 kg
  • v = 250 m/s
  • Ω = 7,29 . 10−5 rad/s
  • teta = 23° → sen⁡(23°) = 0,39

Usamos a fórmula escalar da força de Coriolis, onde substituímos os valores dados:

F com c subscrito igual a 2. m. ómega maiúsculo. v. s e n teta F com c subscrito igual a 2 espaço. espaço 80000 espaço parêntese esquerdo K g parêntese direito espaço. espaço 7 vírgula 29 espaço. espaço 10 à potência de menos 5 fim do exponencial espaço parêntese esquerdo r a d dividido por s parêntese direito espaço. espaço 250 espaço parêntese esquerdo m dividido por s parêntese direito espaço. espaço 0 vírgula 39 F com c subscrito igual a 1137 vírgula 24 espaço N espaço assimptoticamente igual 114 espaço N

Resposta: A força de Coriolis é de aproximadamente 114 N. Não é a força dominante no voo, mas é real e os sistemas de navegação a compensam.

Situações cotidianas do efeito Coriolis

Situação 1: furacões e ciclones

O ar se move naturalmente das regiões de alta pressão para as de baixa pressão. Sem rotação da Terra, ele iria em linha reta até o centro da tempestade.

Com o Efeito Coriolis, esse ar é constantemente desviado:

Hemisfério Sentido de rotação do ciclone
Norte Anti-horário (ex: furacões no Caribe)
Sul Horário (ex: ciclones no Brasil e Austrália)

A figura abaixo ilustra o movimento do ar atmosférico segundo o efeito Coriolis se não houvesse resistência do ar. Atente para as direções opostas nos diferentes hemisférios:

Movimento do ar atmosférico segundo o efeito Coriolis se não houvesse resistência do ar

Isso também explica por que furacões nunca cruzam o Equador: ao tentar atravessar, o Efeito Coriolis muda de direção e a estrutura giratória se desfaz.

Situação 2: correntes oceânicas

As grandes correntes marítimas não seguem linhas retas entre continentes. Elas formam giros oceânicos, que são enormes espirais que circulam os oceanos.

Correntes oceânicas

  • Atlântico Norte: giro no sentido horário.
  • Atlântico Sul: giro no sentido anti-horário.

Esses giros são fundamentais para o clima global, transportando calor dos trópicos para os polos.

Situação 3: aviação

Em voos de longa distância, como, por exemplo, de São Paulo para Lisboa, que dista aproximadamente 9.000 km, os sistemas de navegação precisam compensar o Efeito Coriolis.

Sem essa correção, a aeronave chegaria centenas de quilômetros fora do destino.

Situação 4: o mito da pia e do vaso sanitário

Será que a água gira em sentidos diferentes quando escorre da pia nos dois hemisférios por causa do efeito Coriolis?

Não! Observe na fórmula que a Força de Coriolis é proporcional à velocidade e à massa.

Em uma pia doméstica:

  • A massa de água é pequena.
  • A velocidade é baixa.
  • A escala é de centímetros, não de quilômetros.

Nesses casos, o formato da pia, a direção da torneira e o movimento inicial da água influenciam milhares de vezes mais do que o Coriolis.

O efeito Coriolis só é perceptível em grandes escalas: na atmosfera e nos oceanos.

Mapa mental

Mapa Mental - Efeito Coriolis
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Referências Bibliográficas

Chesman, C., Cavalcanti-Neto, M., Furtado, C.B.S.. Força de Coriolis e as grandes navegações do século XV. Rev. Bras. Ensino Fís. 45. 2023. Acesso em 05/03/2026.

Semenzato, M.J., de Paulo, W.L., Redondo, D.M., Bonagamba, T.J.. Construção de um aparato experimental destinado à demonstração do efeito provocado pela Força de Coriolis. Revista Brasileira de Ensino de Física, vol. 20, no. 2, junho, 1998. Acesso em 05/03/2026.

Silveira, F.L.. Acerca de um mito: o vórtice de Coriolis no ralo da pia. Cad. Cat. Ens. Fís., v.17, n. 1: p. 22-26, abr. 2000. Acesso em 05/03/2026.

Ana Lucia Souto
Ana Lucia Souto
Professora de Ciências e de Física da Educação Básica e do Ensino Superior, tendo iniciado a docência em 1990. Bacharel em Física, Mestre e Doutora em Biofísica e PhD em Biologia Estrutura - Universidade de São Paulo, USP.