Função crescente e decrescente: como identificar (com exercícios)

Rafael C. Asth
Rafael C. Asth
Professor de Matemática e Física

Uma função é crescente quando os valores de y aumentam à medida que os valores de x aumentam, e é decrescente quando os valores de y diminuem à medida que x aumenta. Em outras palavras: na função crescente, avançar no eixo x significa subir; na decrescente, significa descer.

O preço de uma corrida de aplicativo é um exemplo de comportamento crescente: quanto maior a distância, maior o valor a pagar. Já a quantidade de bateria do celular ao longo de um dia de uso é decrescente: quanto mais tempo passa, menos carga resta. Esse par de ideias é o que a matemática chama de variação ou monotonicidade de uma função.

Neste conteúdo você encontra:

A regra formal: comparando dois valores de x

A matemática não define crescimento olhando o desenho, e sim comparando dois pontos quaisquer. Considere uma função f definida em um intervalo I e dois valores x₁ e x₂ desse intervalo, com x₁ menor que x₂.

f é crescente em I quando f(x₁) < f(x₂). Ou seja: o x maior produz o y maior.
f é decrescente em I quando f(x₁) > f(x₂). Ou seja: o x maior produz o y menor.

Repare em duas palavras que fazem toda a diferença nessa definição. A primeira é quaisquer: a condição precisa valer para todos os pares de pontos do intervalo, e não apenas para os dois que você testou. A segunda é intervalo: o crescimento é sempre avaliado em um trecho do domínio, e não obrigatoriamente na função inteira. É por isso que uma mesma função pode crescer em uma região e decrescer em outra.

Como identificar pelo gráfico

A leitura do gráfico é sempre feita da esquerda para a direita, no sentido em que o x aumenta. Se a curva sobe nesse percurso, a função é crescente; se desce, é decrescente; se fica na horizontal, é constante.

Três gráficos lado a lado: uma reta que sobe da esquerda para a direita (função crescente), uma reta que desce (função decrescente) e uma reta horizontal (função constante)
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Essa leitura parece simples, mas tem uma armadilha: o que importa é o sentido de subida ou descida, não a inclinação. Uma reta que sobe devagar e outra que sobe muito rápido são ambas crescentes. A rapidez com que a função sobe é a taxa de variação, que é outra pergunta — e uma função pode ter taxa de variação alta ou baixa sem que isso mude sua classificação.

Como identificar pela lei da função

Em prova, nem sempre o gráfico está disponível. A boa notícia é que, para os tipos de função mais cobrados, a resposta está escrita na própria lei de formação — basta olhar para o coeficiente ou para a base.

Na função afim

Na função afim f(x) = ax + b, quem decide é o sinal do coeficiente a, chamado coeficiente angular:

a > 0 — a função é crescente. Exemplo: f(x) = 2x − 1.
a < 0 — a função é decrescente. Exemplo: f(x) = −3x + 4.
a = 0 — a função é constante e não se classifica como crescente nem decrescente.

O valor de b não interfere nessa classificação: ele apenas desloca a reta para cima ou para baixo. Para ver como os dois coeficientes atuam em conjunto sobre o gráfico, vale acompanhar a construção completa da função afim.

Na função exponencial e na logarítmica

Nesses dois casos, o que decide é a base a, e não a variável x. Tanto na função exponencial f(x) = aˣ quanto na função logarítmica f(x) = logₐ x, com a positivo e diferente de 1.

A exponencial tem domínio ℝ; a logarítmica, domínio (0, +∞), e é nesse conjunto que ela cresce (a > 1) ou decresce (0 < a < 1)."

Vale a regra:

a > 1 — a função é crescente. Exemplos: f(x) = 2ˣ e f(x) = log₂ x.
0 < a < 1 — a função é decrescente. Exemplos: f(x) = (1/2)ˣ e f(x) = log1/2 x.

O caso da base entre 0 e 1 é o que mais derruba aluno em prova, porque a intuição diz que "exponencial sempre explode para cima". Não é o caso: com base entre 0 a 1, a curva cai. Se essa parte ainda gera dúvida, o conteúdo sobre função exponencial mostra as duas curvas lado a lado, e o de função logarítmica faz o mesmo para os logaritmos.

Intervalos de crescimento e decrescimento

Nem toda função tem um comportamento único em todo o domínio. A função quadrática é o exemplo clássico: sua parábola desce até certo ponto e depois passa a subir, ou o contrário. Nesse caso, não faz sentido dizer que a função é crescente ou decrescente — é preciso dizer em qual intervalo.

Gráfico da parábola f(x) = x² − 4x + 3 com o trecho à esquerda do vértice em vermelho, marcado como decrescente, e o trecho à direita em verde, marcado como crescente; o vértice está no ponto (2, −1)A fronteira entre os dois comportamentos é o vértice da parábola. Na função f(x) = x² − 4x + 3, o vértice fica em x = 2, e por isso:

f é decrescente no intervalo (−∞, 2], à esquerda do vértice.
f é crescente no intervalo [2, +∞), à direita do vértice.

Quando o coeficiente a da função quadrática é negativo, a parábola tem a concavidade voltada para baixo e a ordem se inverte: cresce até o vértice e decresce depois dele. Para localizar esse ponto de virada com segurança em qualquer parábola, o cálculo está detalhado no conteúdo sobre o vértice da parábola.

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Quando a função não é crescente nem decrescente

Existem dois casos em que nenhuma das duas classificações se aplica, e os dois caem em prova.

Há dois casos em que a função não é crescente nem decrescente em todo o domínio: a função constante e a função que alterna os comportamentos (como a quadrática e as trigonométricas).

O primeiro é a função constante, do tipo f(x) = k. Como o valor de y não muda, ela não sobe nem desce, e sua taxa de variação é zero. O comportamento completo desse caso está no conteúdo sobre função constante.

No segundo caso, ela é crescente em alguns intervalos e decrescente em outros, e a classificação só vale com o intervalo indicado.

O segundo é a função que alterna os dois comportamentos ao longo do domínio, como a parábola vista acima ou as funções trigonométricas. Nesses casos, dizer simplesmente "é crescente" é uma resposta incorreta: a classificação só é válida quando acompanhada do intervalo. Nas funções trigonométricas essa alternância se repete de forma periódica, o que exige indicar o intervalo com ainda mais cuidado.

Principais pontos para estudar para a sua prova

1. f é crescente quando, para x₁ < x₂, tem-se f(x₁) < f(x₂); é decrescente quando f(x₁) > f(x₂).

2. A leitura do gráfico é sempre da esquerda para a direita: subiu, cresce; desceu, decresce.

3. Na função afim f(x) = ax + b, o sinal de a decide: a > 0 cresce, a < 0 decresce, a = 0 é constante.

4. Na exponencial e na logarítmica, quem decide é a base: a > 1 cresce, 0 < a < 1 decresce.

5. Na função quadrática, o vértice separa o intervalo de decrescimento do de crescimento.

6. Crescimento é sempre avaliado em um intervalo, nunca em um único ponto.

7. Subir rápido ou devagar não muda a classificação: as duas funções são crescentes.

Erros mais comuns nas provas

Confundir inclinação com classificação. Uma reta pouco inclinada que sobe continua sendo crescente.

Esquecer a base entre 0 e 1. f(x) = (1/2)ˣ é decrescente, ainda que seja uma função exponencial.

Classificar a parábola inteira. A função quadrática não é crescente nem decrescente no domínio todo — é preciso indicar o intervalo.

Chamar a função constante de crescente. Como y não varia, ela fica fora das duas classificações.

Perguntas frequentes

Como saber se uma função é crescente ou decrescente?

Basta verificar o que acontece com y quando x aumenta: se y aumenta, a função é crescente; se y diminui, é decrescente. No gráfico, isso corresponde a uma curva que sobe ou que desce quando lida da esquerda para a direita; na lei de formação, corresponde ao sinal do coeficiente a na função afim e ao valor da base na exponencial e na logarítmica.

Uma função pode ser crescente e decrescente ao mesmo tempo?

Ao mesmo tempo e no mesmo intervalo, não — mas em intervalos diferentes, sim. A função quadrática decresce de um lado do vértice e cresce do outro, e por isso sua classificação precisa sempre vir acompanhada do intervalo em que vale.

A função exponencial é sempre crescente?

Não. A função exponencial f(x) = aˣ é crescente quando a base a é maior que 1 e decrescente quando a base está entre 0 e 1. Uma função como f(x) = (0,5)ˣ é exponencial e decrescente.

O que significa taxa de variação?

A taxa de variação mede quanto y muda para cada unidade de aumento em x. Na função afim, ela é constante e igual ao coeficiente a: se a > 0, a função é crescente; se a < 0, é decrescente; se a = 0, é constante. Em outras funções, a taxa muda de um trecho para outro, então é preciso analisar cada intervalo.

Exercícios

1. A função f: ℝ → ℝ definida por f(x) = −3x + 7 é classificada como:

a) crescente, porque o termo independente 7 é positivo

b) decrescente, porque o coeficiente angular é negativo

c) constante, porque não há expoente na variável

d) crescente para x positivo e decrescente para x negativo

e) decrescente apenas no intervalo em que f(x) é positiva

Gabarito explicado

Resposta correta: b) decrescente, porque o coeficiente angular é negativo

Explicação: Na função afim f(x) = ax + b, quem determina a variação é o sinal do coeficiente angular a. Aqui a = −3, que é negativo, e portanto a função é decrescente em todo o seu domínio: sempre que x aumenta, f(x) diminui. O distrator mais tentador é o que olha para o termo independente 7, mas b apenas desloca a reta verticalmente e não interfere na classificação.

2. Considere a função exponencial f(x) = (1/2)ˣ, definida para todo x real. Sobre essa função, é correto afirmar que ela é:

a) crescente, pois toda função exponencial é crescente

b) crescente, pois a base é um número positivo

c) decrescente, pois a base está entre 0 e 1

d) constante, pois 1/2 é um número fixo

e) decrescente apenas para valores negativos de x

Gabarito explicado

Resposta correta: c) decrescente, pois a base está entre 0 e 1

Explicação: Na função exponencial f(x) = aˣ, o comportamento é definido pela base: quando a é maior que 1 a função cresce, e quando a base está entre 0 e 1 a função decresce. Como a base aqui é 1/2, que está entre 0 e 1, a função é decrescente em todo o domínio. A primeira alternativa é o erro clássico de generalizar que exponencial sempre sobe.

3. A função quadrática f(x) = x² − 6x + 5 tem vértice no ponto de abscissa x = 3. Analisando sua variação, conclui-se que f é:

a) crescente em todo o seu domínio

b) decrescente em todo o seu domínio

c) crescente para x ≤ 3 e decrescente para x ≥ 3

d) decrescente para x ≤ 3 e crescente para x ≥ 3

e) constante no intervalo entre as raízes

Gabarito explicado

Resposta correta: d) decrescente para x ≤ 3 e crescente para x ≥ 3

Explicação: Como o coeficiente de x² é positivo, a parábola tem a concavidade voltada para cima e o vértice é o ponto de mínimo da função. Assim, a função desce até chegar ao vértice e sobe a partir dele: é decrescente no intervalo (−∞, 3] e crescente no intervalo [3, +∞). Quem inverte os intervalos costuma estar pensando em uma parábola de concavidade para baixo, que é o caso oposto.

Para treinar a identificação da variação em parábolas, com cálculo de vértice e leitura de intervalos, resolva a lista de exercícios de função quadrática.

Referências Bibliográficas

  1. DANTE, L. R.; VIANA, F. Matemática: contexto & aplicações. São Paulo: Ática. Coleção aprovada no PNLD, usada em sala.
  2. PAIVA, M. Matemática Paiva. São Paulo: Moderna. Também usada no Ensino Médio.
Rafael C. Asth
Rafael C. Asth
Professor de Matemática licenciado, pós-graduado em Ensino da Matemática e da Física e Estatística. Atua como professor desde 2006 e cria conteúdos educacionais online desde 2021.

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