Hipérbato

Daniela Diana

O hipérbato ou inversão é uma figura de sintaxe que faz parte das figuras de linguagem. Ele é caracterizado pela inversão brusca da ordem direta dos termos de uma oração ou período.

Na construção usual da língua, a ordem natural dos termos da oração vem posicionada dessa maneira: sujeito + predicado + complemento.

Sendo assim, o hipérbato interfere na estrutura gramatical, invertendo a ordem natural dos termos da frase. Por exemplo: Feliz ele estava. Na ordem direta a frase ficaria: Ele estava feliz.

Note que o uso do hipérbato pode comprometer muitas vezes o entendimento, ou mesmo gerar ambiguidade.

Além do hipérbato, as figuras da sintaxe (ou construção) são: a elipse, a zeugma, a silepse, a anáfora, o anacoluto, o pleonasmo, o assíndeto e o polissíndeto.

Anástrofe e Sínquise

Outras figuras de sintaxe que invertem os termos da frase são: a anástrofe e a sínquise.

A anástrofe é uma inversão suave dos termos frasais. Já a sínquise é uma inversão mais acentuada e que pode prejudicar o entendimento do período.

Por esse motivo, a anástrofe e a sínquise são consideradas por diversos estudiosos como tipos de hipérbato.

Hipérbato e Anacoluto

Muitas vezes o hipérbato é confundido com o anacoluto, no entanto eles são diferentes. O anacoluto apresenta uma irregularidade gramatical na estrutura gramatical do período, mudando de maneira repentina a estrutura da frase.

Exemplo: Ele, parece que está passando mal.

Dessa maneira, temos a impressão de que o pronome “ele” não exerce sua função sintática corretamente visto a pausa do período. E de fato, ele não possui relação sintática com os outros termos da frase.

O anacoluto altera, portanto, a sequência lógica do plano sintático dos termos da frase, o que não ocorre no hipérbato.

Já o hipérbato não é marcado por uma pausa, e sim pela inversão sintática dos termos da frase.

Exemplos de Hipérbato

Tanto na literatura, como na música, o hipérbato é usado muitas vezes para auxiliar na rima e sonoridade dos versos.

Mas lembre-se que também utilizamos essa figura de linguagem no cotidiano, por exemplo:

  • Está pronta a comida. (na ordem direta: a comida está pronta)
  • Morreu meu vizinho (na ordem direta: meu vizinho morreu)

Hipérbato na Música

O hino nacional brasileiro é um exemplo notório em que o hipérbato foi utilizado muitas vezes. Analise abaixo os trechos:

  • Ouviram do Ipiranga as margens plácidas de um povo heroico o brado retumbante
  • E o sol da Liberdade, em raios fúlgidos, /Brilhou no céu da Pátria nesse instante.”

Ordem direta do primeiro trecho: As margens plácidas do Ipiranga ouviram o brado retumbante de um povo heroico.

Ordem direta do segundo trecho: O sol da Liberdade brilhou em raios fúlgidos no céu da Pátria nesse instante.

Hipérbato na Literatura

O hipérbato é utilizado com fins estilísticos para dar maior ênfase ou expressividade à linguagem literária.

Cheguei. Chegaste. Vinhas fatigada/E triste, e triste e fatigado eu vinha. /Tinhas a alma de sonhos povoada, /E alma de sonhos povoada eu tinha...” (Olavo Bilac)

Na ordem direta, o poema de Olavo Bilac ficaria: E eu vinha triste, e triste e fatigado/ Tinhas a alma povoada de sonhos/ E eu tinha a alma povoada de sonhos.

Aquela triste e leda madrugada, /cheia toda de mágoa e de piedade, /enquanto houver no mundo saudade, /quero que seja sempre celebrada.” (Luís de Camões)

Na ordem direta o primeiro verso do soneto de Camões ficaria: aquela madrugada triste e leda.

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Daniela Diana
Daniela Diana
Licenciada em Letras pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) em 2008 e Bacharelada em Produção Cultural pela Universidade Federal Fluminense (UFF) em 2014. Amante das letras, artes e culturas, desde 2012 trabalha com produção e gestão de conteúdos on-line.